Um acordo garantiu a reabertura do Estreito de Ormuz, anunciado no início da madrugada desta sexta-feira (17), depois de um cessar-fogo entre Israel e Líbano. O canal é a principal rota marítima para escoar petróleo do Oriente Médio.
A grande dúvida é se Benjamin Netanyahu vai respeitar o acordo, já que nos últimos dias Israel adotou um modus operandi de bombardear o Líbano sistematicamente durante as tratativas de acordo entre Irã e Estados Unidos.
A analista internacional Ana Prestes destaca que, desde o início das negociações de um possível cessar-fogo, ficou evidente um desentendimento por parte de Israel, já que o Líbano passou a fazer parte do acordo por imposição do Irã. Por isso, a avaliação geral é que o cessar-fogo era frágil. “No dia seguinte, Israel fez um ataque que matou 300 pessoas em 10 minutos. Israel está fazendo um genocídio de forma expandida”, diz.
Prestes avalia que o Irã tem atuado de forma exemplar, deslocando o epicentro da guerra para a questão do Estreito de Ormuz e deixando o território iraniano de certa forma protegido de eventuais ataques. “Eles conseguiram fazer com que o próprio olhar dos Estados Unidos se deslocasse, já que estavam concentrados e determinados a bombardear toda a infraestrutura, inclusive regiões civis no Irã. Então essa é uma coisa importante para observar: eles têm usado estrategicamente [o Estreito] nesse processo de negociação”, analisa.
A analista também ressalta como o dinheiro dita o ritmo de todas as relações. “Quando há recursos energéticos e muito dinheiro envolvido, como é o caso, as ‘placas tectônicas’ se movem, os atores se movem”, afirma. “Vocês têm visto aí nos últimos dias, a Rússia entrou, a Turquia entrou se oferecendo para sediar negociações. Houve uma reunião importante entre Lavrov, que é o chanceler russo, e o Wang Yi, que é o chanceler chinês. Mesmo que você tenha uma governança global extremamente fragilizada, com um conselho de segurança praticamente inoperante, quando há necessidade, quando fala mais fundo na economia, principalmente dos países, ela se move”, conclui.
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