Nem a Fifa, muito menos a Itália apoiaram a proposta do enviado especial dos Estados Unidos, Paolo Zampolli, de substituir o Irã pela Itália na Copa do Mundo da América do Norte de 2026. Nascido na Itália, o enviado especial do governo dos EUA para Negócios Globais confirmou ao jornal britânico Financial Times que sugeriu essa possibilidade ao presidente estadunidense Donald Trump e ao presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Segundo a rede britânica BBC, a Fifa, entidade máxima do futebol e responsável pelo torneio, descarta a ideia e pensaria em substituição apenas se o classificado Irã abdicasse da vaga. Em março, Infantino havia dito que “as partidas serão disputadas onde está previsto que sejam disputadas, de acordo com o sorteio”.
“O Irã tem que vir. Eles representam seu povo, se classificaram e os jogadores querem jogar”, afirmou posteriormente, em meados de abril, durante uma conferência econômica organizada pelo canal de televisão CNBC em Washington.
A Itália foi mais veemente. O treinador da equipe, Gianni De Biasi, disse que se o Irã não participar do torneio, a vaga deve ir para a seleção classificada em posição seguinte à iraniana nas eliminatórias. “Acredito que a Itália não precisa do apoio de Trump em uma questão como essa. Acho que podemos nos virar sozinhos”, afirmou.
O ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti, disse que a proposta é “vergonhosa” e o ministro dos Esportes, Andrea Abodi, declarou que “primeiro, não é possível; segundo, não é apropriado…É no campo que você se qualifica.”
A Copa na América do Norte será sediada conjuntamente por Estados Unidos, Canadá e México, de 11 de junho a 19 de julho.
A origem da ideia
Em 2022, após o fracasso da Nazionale em se classificar para a Copa do Mundo do Catar, Zampolli já havia sugerido que a Fifa desclassificasse o Irã — citando a violência da repressão policial no país — e reintegrasse a Itália. Ele não obteve sucesso.
“Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a ‘Azzurra’ em um torneio sediado pelos Estados Unidos. Com quatro títulos, eles têm o pedigree para justificar sua inclusão”, disse Zampolli ao confirmar a comunicação da ideia a Trump e Infantino.
A ideia de Zampolli faz parte de um esforço para restabelecer os laços entre Trump e Giorgia Meloni, depois que a primeira-ministra italiana se distanciou do líder norte-americano devido aos seus ataques direcionados ao Papa Leão 14 em relação à guerra no Irã, conforme noticiou o Financial Times.
A embaixada do Irã em Roma respondeu afirmando que a proposta demonstrava a “falência moral” dos Estados Unidos e que a Itália não precisava de “privilégios políticos” para provar sua grandeza no futebol.
A Itália conquistou a Copa do Mundo quatro vezes (1934, 1938, 1982 e 2006), mas ficou de fora do torneio pela terceira vez consecutiva após perder uma disputa de pênaltis para a Bósnia e Herzegovina na rodada final da repescagem europeia das Eliminatórias.
No início do conflito no Oriente Médio, desencadeado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o Irã mencionou um “boicote” à competição, antes de solicitar à Fifa a transferência de seus jogos dos Estados Unidos para o México.
O regulamento da Fifa confere à organização a autoridade exclusiva para determinar as medidas a serem tomadas caso uma seleção — neste caso, o Irã — desista.
A seleção iraniana tem três jogos agendados pelo Grupo G: em Los Angeles contra a Nova Zelândia (16 de junho) e a Bélgica (21 de junho), e depois em Seattle contra o Egito (27 de junho). Espera-se que sua base de treinamento seja em Tucson, no Arizona.
