Direitos

Trabalhadores de aplicativo protestam no RJ contra nova modalidade do iFood que paga R$ 3 por entrega

Empresa alega que +Entrega foi pensado para garantir "estabilidade e previsibilidade"

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Entregadores de aplicativo se reúnem na escadaria da Câmara de Vereadores no Centro do Rio
Mobilização realizada ainda no final de novembro contra a nova modalidade de entrega da Ifood | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os trabalhadores de aplicativos iniciaram, na manhã desta quinta-feira (30), o primeiro dia de paralisações com concentração em diversos pontos da cidade, como centro, Barra da Tijuca e Botafogo. Há pontos também em Niterói e São Gonçalo. Entre as ações previstas também está o diálogo com as lojas. Nas redes sociais, a Associação Movimento dos Entregadores por Aplicativo (Amaerj) anunciou o apoio de alguns lojistas da região de Cinelândia para não venderem pelo Ifood no período de paralisação.

A mobilização é pelo valor mínimo de R$ 10 por entrega. “Esse é o mínimo para cobrir custos e garantir dignidade”, disse ao Brasil de Fato o vice-presidente da Associação Movimento dos Entregadores por Aplicativo (Amaerj). Os trabalhadores também exigem o fim da modalidade + Entrega, também conhecida por subpraças, geralmente gerenciadas por Operadoras Logísticas (OLs), empresas terceirizadas pelo iFood. No modelo + Entrega, a empresa paga R$ 3 por entrega, quando o mínimo é de R$ 7. Essa modalidade foi iniciada no Rio de Janeiro há cerca de seis meses.

Em sua página oficial, o iFood diz que essa modalidade é uma forma de garantir “estabilidade e previsibilidade”, em que o entregador coloca o período que estará disponível, o aplicativo delimita uma área para sua atuação, as chamadas subpraças. De acordo com a empresa, o valor fixo da entrega se soma ao valor fixo por disponibilidade, mas não informa como seria esse cálculo.

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França contesta. Segundo ele, há metas estipuladas pelas subpraças que são de cumprimento obrigatório, sob ameaça de bloqueio e punição, em que o trabalhador é retirado da escala sem justificativa e fica sem dias de trabalho por não bater a meta. “O que a iFood implementou fere a dignidade do trabalhador. Então, nós estamos nos mobilizando e fazendo essa paralisação estadual e teremos o dia todo de mobilização e amanhã também”, completou França.

Ao longo dos últimos dias, a mobilização foi intensa nas redes sociais. Trabalhadores de diversas partes do país enviaram depoimentos em apoio à paralisação. Em outras, os organizadores alertavam a categoria para as ações da empresa com o intuito de dificultar a mobilização. Em dias de breque, é comum que o iFood ofereça bônus a entregadores dispostos a furar o bloqueio.  

Outro lado

Em nota, o iFood informou que respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras.

“Como empresa brasileira, mantemos desde 2021 uma agenda permanente de diálogo com os profissionais e representantes da categoria, para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência. O +Entregas é mais uma alternativa para os entregadores do iFood, em que o profissional deixa de receber exclusivamente por pedido e escolhe ganhar um valor pelo período trabalhado, com rotas mais curtas e concentradas nas regiões escolhidas, visando mais previsibilidade e rentabilidade. O ganho é a soma de dois fatores: um valor fixo por hora disponível + um valor por cada entrega realizada. No Rio de Janeiro, por exemplo, onde o modelo foi disponibilizado, entregadores que optaram pelo +Entregas já registraram um ganho médio superior por hora logada, na comparação com o modelo tradicional. O +Entregas está sendo implementado gradualmente em diferentes regiões do país, e a adesão é totalmente opcional. Quem preferir, pode continuar operando no modelo tradicional sem planejamento ou alternar entre os modelos disponíveis na plataforma, sem que isso impacte negativamente a saúde da conta. O objetivo do iFood é sempre oferecer mais possibilidades de ganhos, maior estabilidade e previsibilidade, permitindo que os entregadores se planejem melhor, conforme seus objetivos, e tenham rentabilidade no fim do dia, mesmo em períodos de menor demanda. O iFood segue monitorando a expansão do +Entregas e análises para garantir que o modelo continue competitivo, eficiente e vantajoso para todos, além de continuar ouvindo dúvidas e sugestões.”

Editado por: Juliana Passos

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