RETROCESSO

Na contramão do Brasil, com Romeu Zema, ensino integral tem queda de mais de 40% em MG 

Quantidade de matrículas também diminuiu no estado

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Caiu de 1,2 mil para 813 o número de escolas públicas em tempo integral | Crédito: Luiz Santana/ALMG

Enquanto o Brasil registrou o maior percentual de estudantes matriculados em tempo integral no último ano, Minas Gerais, com o governo de Romeu Zema (Novo) e Mateus Simões (PSD), teve queda de mais de 40% na modalidade entre 2022 e 2025. 

Os dados são do Censo Escolar 2025 e, em números absolutos, significam que o estado passou de 1,2 mil escolas públicas de ensino integral para 813 em apenas quatro anos. A quantidade de matrículas também caiu de 127,6 mil, em 2022, para 93 mil, em 2025. Uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE) prevê o ensino integral em pelo menos metade das escolas públicas.

Em outros estados, em especial do Nordeste, a modalidade vem crescendo, em contraposição ao que acontece no ensino mineiro. No Piauí, por exemplo, a quantidade de escolas com educação em tempo integral já chegou a 100%. 

De acordo com Denise de Paula Romano, coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), os dados colocam em destaque um dos aspectos mais críticos da situação educacional do estado. 

“Em vez de avançar, os indicadores retrocederam de forma significativa, revelando um grave descumprimento dos dispositivos previstos. A queda comprometeu a expansão planejada e afastou o estado das metas estipuladas. Esse atraso evidencia que o tempo integral ainda não foi consolidado como política pública estruturante, permanecendo vulnerável a cortes e instabilidades”, denuncia.

A situação também foi criticada pelo bloco Democracia e Luta, que reúne deputados de oposição ao governo estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O grupo afirmou, em nota, que as informações divulgadas pelo Censo Escolar 2025 “escancaram o desmonte da educação pública” em MG. 

“Enquanto o governo Zema/Simões corta oportunidades, milhares de estudantes da rede pública perdem acesso à alimentação, atividades culturais, esportivas e formação complementar. Menos investimento na educação significa mais desigualdade, mais evasão escolar e menos futuro para a juventude mineira”, destacou. 

A educação integral 

Com base na Lei de Diretrizes e Bases (LDB), a legislação brasileira estabelece o ensino integral não apenas como meta quantitativa, mas como um modelo de desenvolvimento do sistema educacional do país, visando a formação de crianças e adolescentes de forma integrada. 

Ou seja, parte-se do entendimento de que o ensino integral, além de propiciar o acesso ao conhecimento científico, também oferece aos estudantes a oportunidade de se formarem socialmente, culturalmente e emocionalmente no ambiente escolar. 

A modalidade também visa contribuir com o enfrentamento às desigualdades sociais e educacionais, além de proteger crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, que, ao passar mais tempo na escola, passam a estar em um espaço seguro, com alimentação de qualidade, suporte de profissionais, entre outras coisas.

Outro lado

O Brasil de Fato MG entrou em contato com o governo de Minas para comentar sobre a denúncia. Caso haja um posicionamento, o texto será atualizado. 

Editado por: Elis Almeida

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