Com a previsão de a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1— na qual se trabalha seis dias consecutivos com apenas um de descanso — ir ao plenário da Câmara Federal no dia 27 de maio, movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos de Minas Gerais intensificam a mobilização pela redução da jornada e o estabelecimento do regime 5×2. Também está em tramitação um projeto de lei (PL) do governo Lula (PT) sobre o mesmo tema.
Na segunda-feira (18), as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem dezenas de entidades atuantes no estado, aprovaram uma agenda de lutas, com objetivo de pressionar pela aprovação da PEC. A movimentação em MG se soma a um calendário nacional que prevê ações de diálogo com a sociedade, pressão aos deputados e debates públicos.
“Estamos entrando em um momento decisivo da luta pelo fim da escala 6×1, uma luta que se reverberou com muita força nas ruas e tem amplo apoio da população. No ano passado, foi feito um plebiscito que coletou mais de 2 milhões de votos no país inteiro, falando sobre a necessidade da aprovação do fim dessa escala”, destaca Kívia Costa, da secretaria das frentes e do Movimento Brasil Popular.
Na quarta-feira (20), as frentes realizam panfletagens em pontos estratégicos de Belo Horizonte, onde há grande circulação de pessoas, como as estações de ônibus e metrô das regiões do Barreiro, Central, São Gabriel, entre outras.
Na noite do mesmo dia, acontece uma plenária estadual virtual, com objetivo de reunir lideranças populares de todos os municípios de Minas Gerais, para construir agendas de mobilização também no interior do estado. Para participar do encontro, basta se inscrever neste link.
Para a presidenta da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB) em Minas Gerais, Valéria Morato, estamos diante de um momento histórico que exige luta e unidade das forças populares.
“Esse é um momento de muita unidade e muita luta, porque é um momento histórico para a classe trabalhadora. Toda a mobilização, toda a jornada de lutas, é muito importante”, defende.
Agendas com Guilherme Boulos
A quinta-feira (21) inicia com uma audiência pública, a partir das 10h, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 16 parlamentares do PT, PV e PCdoB assinaram o requerimento para a realização do debate, que foi convocado pelas comissões do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social e de Direitos Humanos da ALMG. A reunião contará com a presença do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Mais tarde, no mesmo dia, a partir das 18h, Boulos também estará na sede da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT Minas), para debater com os movimentos sociais e sindicais o fim da escala 6×1 e os desafios das forças populares.
O presidente da CUT Minas, Jairo Nogueira, destaca a importância da pressão da sociedade para que a mudança na jornada de trabalho seja aprovada pelo Congresso Nacional.
“Estamos próximos de uma decisão a nosso favor, em relação ao fim da escala 6×1. Mas ainda temos muitas ameaças. Então, é muito importante esta semana de mobilização, para todos nós, trabalhadores e trabalhadoras. O dia 21 de maio será muito importante, com audiência na ALMG e, logo depois, uma plenária na CUT Minas”, convoca.
Direita faz manobra
Os movimentos sociais e sindicais chamam a atenção para o fato de que deputados vinculados ao espectro político da direita e da extrema direita estão articulando emendas ao projeto para tentar adiar em 10 anos o fim da escala 6×1.
“Esses deputados estão pleiteando a prorrogação da aplicação do fim da escala 6×1. É muito importante a nossa mobilização para garantir, de fato, o fim da escravidão moderna”, enfatiza o presidente da CUT Minas.
Ao todo, 171 parlamentares assinaram a medida que pode atrasar para 2036 a mudança no regime. Desses, 21 são mineiros. São eles: Nikolas Ferreira (PL), Rafael Simões (União), Maurício do Vôlei (PL), Zé Vítor (PL), Ana Paula Leão (PP), Zé Silva (União), Greyce Elias (PL), Domingos Sávio (PL), Pedro Aihara (PP), Hercílio Coelho (MDB), Mário Heringer (PDT), Pinheirinho (PP), Marcelo Álvaro (PL), Newton Cardoso Jr. (MDB), Lincoln Portela (PL), Luiz Fernando Faria (União), Diego Andrade (PSD), Gilberto Abramo (Republicanos), Lafayette de Andrada (PL), Junio Amaral (PL) e Rosângela Reis (PL).
“Entramos nesta semana decisiva, às esperas da votação, com uma série de deputados de direita sinalizando um retrocesso nessa luta, com tempo de transição muito grande. Por isso, precisamos pressionar cada deputado, cada deputada, a votar pelo fim da escala 6×1. Queremos o fim dessa escala para hoje, para agora. Precisamos manter o clima quente nas ruas”, convoca Kívia Costa.
Confira a agenda de mobilização completa
Coleta de assinaturas da petição “O Brasil Quer Mais Tempo”
Pressionar deputados via a ferramenta “Na Pressão”
20/5 – quarta – 19h – Panfletagem nas estações de metrô e move, em BH
20/5 – quarta – 19h – Plenária estadual virtual. Link para inscrição
21/5 – quinta – 10h – Audiência na ALMG
21/5 – quinta – 19h – Debate com Boulos na CUT MG (Rua Pedro de Carvalho Mendes, 70, Colégio Batista, BH)
22/5 – sexta – Sextou pelo fim da Escala 6×1
24/5 – domingo – 9h – Panfletagem na Feira Hippie, da avenida Afonso Pena, em BH
25/5 – segunda – Agitação nas redes sociais
25 (segunda) e 26 (terça) – abordagem de parlamentares no aeroporto
27/5 – quarta – Acompanhamento votação
