A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou, nesta terça-feira (19), durante reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a PEC do fim da jornada 6×1, que “o que quebra o Brasil é a corrupção dos Bolsonaros”. A declaração veio após discurso da deputada Julia Zanatta (PL-SC), que afirmou que o governo Lula usa a pauta trabalhista com fins eleitorais.
Em sua fala, Zanatta desviou o foco do texto da proposta para atacar Marx e o campo da esquerda, afirmando que experiências inspiradas no marxismo empobreceram trabalhadores e que o debate estaria sendo usado politicamente pelo governo federal.
A parlamentar do PL também afirmou que pequenos empresários seriam prejudicados pela redução da jornada, o que estudos desmentem, e disse que trabalhadores continuariam precisando recorrer a “bicos” para complementar renda. “Essas pessoas estão sendo enganadas por uma pauta político-eleitoreira que o Lula tirou como salvação da vida dele em ano eleitoral”, declarou.
Em resposta, Maria do Rosário acusou a direita de evitar discutir o impacto da jornada 6×1 sobre trabalhadores. Afirmou que parlamentares conservadores tentam desfigurar a proposta com emendas que ampliam jornadas e adiam mudanças concretas.
“A direita vem aqui, fala muito, muda de assunto, vai lá falar sobre o Marx nas suas redes sociais”, afirmou a deputada. Segundo ela, enquanto a oposição faz discursos ideológicos, trabalhadores seguem submetidos a jornadas exaustivas que afetam principalmente mulheres, mães e pessoas responsáveis pelo cuidado da família.
Em defesa da redução da jornada para 40 horas semanais, Maria do Rosário afirmou que o atual modelo impede trabalhadores de cuidar da saúde, da casa e dos filhos. “Mãe também é gente”, disse a deputada sobre a dupla e tripla jornada enfrentada por mulheres brasileiras.
A deputada também argumentou que os avanços tecnológicos e o aumento da produtividade não foram convertidos em melhoria da qualidade de vida da população. Para ela, a proposta busca garantir “vida além do trabalho” e corrigir distorções históricas nas relações trabalhistas.
Maria do Rosário associou o bolsonarismo à corrupção e acusou setores da extrema direita de atuar contra direitos trabalhistas para proteger aliados políticos.
“Eles usam a fé das pessoas, falam contra o sistema, mas são a parte mais apodrecida do sistema”, afirmou. “O que quebra o Brasil é a corrupção dos Bolsonaros, o que quebra o Brasil é a sem-vergonhice dessa gente”, completou.
