Dois anos após as enchente histórica que devastou o Rio Grande do Sul, famílias atingidas de cidades do Vale do Taquari ainda vivem em containers de concreto e aguardam uma solução definitiva para reconstruir a vida. Em Estrela, regiões como o bairro Marmitt permanecem desocupadas desde a cheia. Casas destruídas e ruas vazias fazem parte da paisagem. A cidade, localizada a 110 km da capital gaúcha, tem 32.183 habitantes. No ápice da enchente, 75% do território ficou submerso e cerca de 6 mil desabrigados ficaram desabrigadas.
Morando atualmente em um container no bairro Nova Morada, Kelly Marques de Marques, mãe solo de três filhos, relata uma sequência de perdas desde 2020. Ela foi atingida pelas três enchentes que atingiram o região: 2020, 2023 e 2024. “Eu digo que eu não perdi tudo porque eu não perdi meus filhos. Poderia ter perdido eles pelo fato deles terem saído de caiaque”, conta.
Marques morava no Marmitt quando as enchentes começaram a se repetir. Após a cheia de setembro de 2023, limpou a casa e voltou. Em novembro, uma nova inundação destruiu novamente o imóvel. Depois disso, passou a receber aluguel social e se mudou para uma área considerada mais segura. Em maio de 2024, a enchente atingiu o novo local. “Eu só tirei as coisas de dentro da casa e saí”, conta. Hoje, o antigo bairro onde morava está abandonado. “Esse bairro não funciona mais. Foi desinstalado tudo, né? Luz, água, tudo. Ninguém mais mora lá.”
Desde março do ano passado, Marques vive em um container com os filhos Ingrid, de 17 anos, Leandro, de 14, e o caçula, de quase cinco anos. Trabalhadora de uma fábrica de calçados em Santa Clara do Sul, cerca de 20 km de Estrela, ela sai de casa às 5h30 e retorna depois das 18h.
Apesar do histórico de perdas, Marques afirma que foi informada pela prefeitura de que não teria direito a moradia definitiva. “Eles dizem que eu não tenho direito porque eu não estava mais morando no Marmitt. Mas eu tenho todos os comprovantes dos anos que eu morei lá”. Segundo ela, a negativa se repete sempre que procura atendimento.

A moradora também descreve o impacto psicológico das enchentes nos filhos. “Hoje, a possibilidade de saber que vai vir enchente, já fica pra eles uma coisa horrível”. Marques afirma que viver nos containers está longe de representar estabilidade. “Muita gente fala: ‘não paga aluguel, não paga água, não paga luz’. Mas não vale a pena. Não é uma vida que eu queria dar pros meus filhos.”
Moradores organizados
Ela também critica a estrutura do local provisório. “Não tem escola, não tem creche, não tem posto de saúde. Tudo depende de ônibus ou Uber.” Mesmo diante das dificuldades, segue trabalhando formalmente e sustentando os três filhos sozinha.
Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Marques afirma que encontrou no movimento uma rede de apoio e acolhimento frente ao abandono do poder público. Ela tem se organizado no movimento, assim como o restante da vizinhança, com reuniões mensais para elaborar reivindicações, como acesso a escola e saúde nos bairros provisórios. Para Marques, a reconstrução não se resume apenas à moradia, mas em proteger e reassentar uma comunidade inteira.
Ao final da entrevista, a moradora faz um apelo: “Um pouquinho mais de humanidade com quem mora aqui nos contêineres. A gente não tá aqui porque quer. A gente tá aqui porque precisa. É a nossa realidade. Nós não temos endereço e, se continuar, nós vamos perder a nossa identidade, porque a gente mora numa caixinha”. Indagada sobre o que deseja para o futuro, é enfática: “Eu vejo a luz no fim do túnel de que vou ter minha casa”.

Sem lugar para voltar
Também moradora dos containers em Estrela, Romilda de Azevedo da Silva, de 47 anos, vive no local com o marido desde 2024. Antes das enchentes, os dois moravam em uma casa alugada no bairro Marmitt. Quando as chuvas começaram, o casal estava em Tramandaí, onde o marido havia conseguido trabalho. Nesse período, Silva desenvolveu uma paralisia facial de Bell (enfraquecimento repentino ou paralisia dos músculos de um lado do rosto) e precisou iniciar fisioterapia. Ao retornarem para Estrela, descobriram que não havia mais casa para voltar.
O casal acabou acolhido em um ginásio, onde permaneceu por cerca de cinco meses, até ser encaminhado aos containers. “A promessa tinha sido por um ano. Já se foram dois”. Silva desabafa que a ausência de endereço fixo se tornou uma das marcas mais dolorosas da experiência. “Tu chega e te perguntam um endereço e tu não tem endereço”, relata. Ela também critica a lentidão das políticas habitacionais voltadas aos atingidos: “Entregaram casas para atingidos de 2020. E nós, de 2024?”.
Assim como Marques, Silva encontrou apoio no MAB nesses últimos anos. Seu maior sonho hoje é simples: “Eu espero poder dizer que moro na rua tal, no bairro tal”.
Aos 33 anos, Sabrina Francieli Quadros dos Santos também vive em situação provisória. Mãe solo de dois adolescentes, ela foi atingida pelas enchentes de 2023 e 2024. Na primeira cheia, morava no bairro Oriental. Depois, mudou-se para o bairro das Indústrias, mas voltou a ser atingida.
Durante a enchente de 2024, Sabrina Santos ficou em um ginásio com os filhos, mas decidiu sair antes por dificuldades internas e pela falta de condições de permanecer no local. Sua mãe conseguiu um container, mas ela não recebeu o benefício porque deixou o abrigo antes da distribuição. Hoje, os quatro vivem juntos no mesmo espaço. “Infelizmente não é fácil. É um ambiente que não tem muito espaço pra nós, mas é a única forma de refúgio que eu consegui.”
Ela conta que buscou aluguel social e realizou cadastros em programas habitacionais, mas nunca recebeu retorno. “Eles mandam fazer protocolo, cadastro, mas não ligam de volta. Já são mais de dois anos”. Sem conseguir pagar aluguel, Sabrina Santos vive de favor com a mãe enquanto tenta manter os filhos e reconstruir a vida. “Meu sonho é ter onde morar”, afirma.
O vazio como paisagem
Integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) em Estrela, Juraci Padilha dos Santos acompanha diariamente a situação das famílias atingidas. Criada no bairro Marmitt, ela afirma que, dois anos após a enchente histórica, grande parte das promessas segue apenas no papel. Segundo ela, apenas 20 casas foram entregues até agora pelo poder público, apesar dos projetos anunciados: “Estrela tem um projeto de 1,7 mil a 1,8 mil casas, mas pronta só teve 20”.
Para Juraci Santos, o Marmitt se transformou em um “bairro fantasma” por conta da ausência de moradores. A área deverá se transformar em parque, mas antigos moradores seguem retornando ao bairro para revisitar as casas e lembrar da vida construída ali ao longo de décadas. “É um lugar onde as pessoas têm muito amor. Nos domingos, as pessoas voltam para visitar seus antigos lares”, conta.
Ela lembra que o bairro reunia famílias vindas do interior e de outras regiões em busca da possibilidade de construir uma casa própria. Ao caminhar pelas ruas vazias do antigo bairro, diz sentir saudade da vida comunitária que existia no local. “Aqui era um lugar cheio de vida”. Ela recorda das relações entre vizinhos, do comércio local e da estrutura de serviços públicos existente na região. “Tinha o posto de saúde perto, a creche perto, a escola perto”. Hoje, afirma, as famílias reassentadas vivem mais distantes e gastam mais para acessar serviços básicos.
‘Dá um nó na garganta’
Enquanto a reportagem percorria as ruas vazias do bairro Marmitt, encontrou a antiga moradora Márcia Batista, que viveu por 34 anos no local. Ela havia retornado para rever a antiga casa: “Faz dois anos que eu não vinha”.
Batista deixou o bairro após a enchente de 2024 e, atualmente, vive em uma moradia temporária no bairro Imigrante, enquanto aguarda reassentamento em Venâncio Aires. Ao retornar ao antigo endereço, descreve um sentimento de tristeza profunda. “Dá uma agonia, vontade de chorar. Dá um nó na garganta.”
Ela comenta que a visita despertou lembranças de décadas vividas no bairro. Segundo Batista, a enchente também desfez vínculos comunitários construídos ao longo da vida. “O único contato que eu tenho é com a minha cunhada. Os outros eu perdi.”
Esperança para famílias
Juraci Santos afirma que uma das principais esperanças das famílias atingidas hoje é o projeto habitacional, articulado pelo MAB, em uma área próxima do bairro Nova Morada. Segundo ela, o terreno foi doado pela Câmara do Comércio, Indústria, Serviços e Agronegócio de Estrela (Cacis) e a documentação foi organizada pela prefeitura para viabilizar os projetos habitacionais. “Nós vamos ter 50 casas para as pessoas que não estão em nenhum projeto do governo”. Além das moradias, o local terá espaço para microempreendedores e a transferência da escola do bairro Moinhos, destruída na enchente de 2024.
De acordo com ela, o próximo passo será a implantação da infraestrutura básica, como ruas, rede elétrica e esgoto, para depois iniciar a construção das moradias. O projeto deve contar com apoio técnico da Universidade do Vale do Taquari (Univates), além de envolver prefeitura, governo estadual e governo federal.
A incerteza em containers provisórios
A espera por moradia definitiva também marca a rotina de famílias atingidas em Arroio do Meio, outro município devastado pelas enchentes no Vale do Taquari. Nos conjuntos de containers instalados para abrigar atingidos, moradores relatam abandono, insegurança e dificuldades diárias para acessar trabalho, creche e serviços básicos. Entre elas está Tainara de Jesus, de 25 anos, mãe da pequena Ayla, nascida após a enchente e criada praticamente dentro do container onde a família vive há dois anos.
Antes das enchentes, Jesus morava no bairro Navegantes, uma das áreas mais atingidas do município. “Aquele bairro que agora não existe quase nada”. Apesar das orientações para que os moradores não retornassem à área, ela afirma que muitas famílias voltaram.
Segundo Jesus, a espera pela casa definitiva tem sido marcada por desgaste emocional e sensação de abandono. “A prefeitura botou a gente aqui e esqueceu da gente”, critica. Ela relata ainda que teve o nome retirado da lista de beneficiários das moradias permanentes sem explicação. “Eles só disseram que aconteceu algo no sistema”. Outras pessoas também teriam sido excluídas do cadastro. Hoje, a única possibilidade apresentada seria receber um apartamento, caso sobrem unidades após a distribuição principal.

Gravidez dentro do container
Desempregada e sem rede de apoio na cidade, Jesus afirma depender da ajuda financeira da mãe, que vive em São Sebastião do Caí. Ela relata dificuldade para conseguir emprego devido à ausência de vaga em creche. “Na creche, eles só vão me dar vaga caso eu estiver trabalhando.”
A filha Ayla nasceu em maio do ano passado, após uma gestação vivida integralmente dentro do container. Jesus descreve o período como um dos mais difíceis desde a enchente. “Eu peguei bem o verão grávida aqui”, recorda. O calor extremo dentro das estruturas metálicas agravava ainda mais a situação. Mesmo com ventiladores, afirma que o ambiente permanecia insuportável. Ela relata que moradores foram proibidos de instalar aparelhos de ar-condicionado devido a limitação da rede elétrica.
Com o nome fora da lista habitacional, Jesus teme ser retirada do container sem alternativa de moradia. “A gente dorme pensando no que vai acontecer.” Sem recursos para pagar transporte por aplicativo, expõe que frequentemente percorre o trajeto até o centro da cidade a pé, junto de outras moradoras. Segundo ela, os moradores já solicitaram à prefeitura a criação de uma linha de ônibus ou uma van comunitária para atender o conjunto habitacional provisório.
Nos arredores dos containers, o cenário também afeta a rotina das crianças. “Não tem nem sombra direito pra brincar.” Ela explica que o solo de brita dificulta o lazer infantil e que praticamente toda a convivência acontece dentro das pequenas estruturas. “Eu toco um tapete no chão mais grosso e ela fica ali. A gente pediu também pra botar árvore, algo pra fazer sombra, mas não dá porque o encanamento, o corpo da rede elétrica, tudo é no chão.”
Ao falar sobre o futuro, Jesus diz desejar apenas estabilidade: “Eu quero sair daqui. Parece que desde a enchente nada se resolveu”.
Demora e da falta de informações concretas
Vizinha de Jesus, Janine Zayane Beck, de 23 anos, vive no local há cerca de um ano e quatro meses com os três filhos. Antes da enchente, morava no bairro Navegantes. Durante a cheia de 2024, estava vivendo próximo à ponte da cidade. Ela relata que a família passou 30 dias em um ginásio após a enchente. “Foram 12 dias sem água e 12 dias sem luz.”
Hoje, define a vida nos containers como difícil: “É complicado. Muito quente”. Segundo Beck, a proximidade entre os módulos e a ausência de privacidade tornam a convivência desgastante. “É muito vizinho, um do lado do outro. Um cuida da vida do outro. Não tem o que fazer.”
Mesmo cadastrada em programas habitacionais, ela afirma viver insegura diante da demora e da falta de informações concretas. “Vai saber se, do nada, não somem meu nome”. Beck conta que foi informada pela prefeitura de que estaria cadastrada para receber uma moradia no empreendimento Dom Pedro, vinculado ao programa Fundo de Arrendamento Residencial (FAR). Ainda assim, não recebeu nenhum prazo.
A cidade de Arroio do Meio registrou, durante a enchente de maio, 13 mil pessoas fora de suas casas.
Mãe solo, ela relata que deixou o trabalho após um dos filhos adoecer e que conseguir emprego vivendo nos contêineres é extremamente difícil, por conta da falta de infraestrutura do local. Para ela, a principal esperança é conseguir sair com os filhos: “Conseguir a minha casa, o canto, sair daqui. É o que nós esperamos”.
Região afetada por deslizamentos
Em debate recente promovido pelo Brasil de Fato RS e o Sul21, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o chefe do Departamento de Geodésia da Ufrgs, professor Clódis Andrades Filho, falou sobre movimentos de massa. No Rio Grande do Sul, esses eventos vêm sendo causados pelo excesso de chuva, que satura o solo com água. “Em maio de 2024, quando a enchente chegou em Porto Alegre, um rastro de destruição já tinha passado pelos vales. Agora, a serra e as encostas dos vales estão todas rachadas. Essas rupturas parciais dominam boa parte do norte do estado”, afirmou.
O Projeto de Prevenção a Desastres na Bacia Taquari-Antas detectou mais de 15 mil cicatrizes e 16 mil pontos de ruptura, que abrangem 18 mil quilômetros quadrados. E o que acontece lá tem grande efeito na região metropolitana de Porto Alegre.
“Temos que resgatar nossas relações com a natureza e construir algumas estratégias de convivência com esse risco. A primeira solução não é desocupar e ir embora. Já temos um êxodo rural enorme que pode se agravar”, pontuou Andrades. “A área rural, normalmente, fica à margem de qualquer plano de redução de riscos. Precisamos adaptar os planos à realidade do interior”, disse.
O que diz o governo estadual
Em resposta aos questionamentos do Brasil de Fato RS, o governo do estado afirmou que a política de reconstrução habitacional pós-enchentes é financiada por meio do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), que já aprovou cerca de R$ 1,022 bilhão para iniciativas ligadas à habitação.
Segundo o Executivo estadual, a estratégia de reconstrução já totaliza mais de 16 mil unidades habitacionais, entre moradias temporárias, apoio provisório e acesso à moradia definitiva, com estimativa de beneficiar cerca de 42 mil pessoas atingidas pelas enchentes.
O governo informou ainda que estruturou um plano de investimento de R$ 647 milhões para a construção de 2.723 moradias definitivas em 56 municípios, por meio do programa A Casa é Sua – Calamidade. Até o momento, 196 unidades foram entregues e outras seguem em diferentes etapas de contratação, preparação de terrenos e construção.
De acordo com o governo estadual, as moradias são construídas por meio de dois métodos construtivos. As unidades em painel de concreto possuem custo médio de R$ 139,2 mil e prazo estimado de entrega de 120 dias. Já as casas em steel frame têm custo médio de R$ 154 mil e previsão de entrega em até 90 dias. As casas possuem entre 44 e 55 metros quadrados, com dois dormitórios, sala e cozinha conjugadas, banheiro, varanda e área de serviço externa. O terreno e a infraestrutura das áreas onde as moradias serão instaladas são de responsabilidade das prefeituras.
Dos municípios acompanhados pela reportagem, o estado informou que Estrela já recebeu 20 moradias definitivas e deverá receber outras 82 unidades, atualmente em fase de preparação dos terrenos. Arroio do Meio ainda não teve entrega de casas permanentes, mas deve receber 75 moradias definitivas e já conta com 40 unidades temporárias instaladas.
Em Canoas, estão previstas 51 casas definitivas, embora, segundo o governo estadual, a prefeitura ainda não tenha apresentado terreno para a construção. O município recebeu 58 moradias temporárias. Em Eldorado do Sul, estão previstas 464 moradias definitivas, com obras já iniciadas, além de 105 estruturas temporárias instaladas. Já Porto Alegre deverá receber 80 casas definitivas, mas também depende da apresentação de área por parte da prefeitura. A capital recebeu 80 moradias temporárias.
Sobre as famílias que relatam não constar nos cadastros habitacionais definitivos, mesmo vivendo em moradias provisórias, o governo estadual afirmou que a gestão das listas e dos cadastros é responsabilidade dos municípios. Segundo a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária (Sehab), o estado não realiza diretamente o cadastramento das famílias, atuando a partir das demandas encaminhadas pelas prefeituras.
O Executivo estadual afirmou ainda que a desativação das moradias temporárias ocorrerá gradualmente, conforme as famílias forem transferidas para residências permanentes estaduais ou federais. Atualmente, 492 famílias seguem vivendo em estruturas temporárias no Rio Grande do Sul. Segundo o governo, 133 famílias já deixaram essas unidades.
A previsão é entregar cerca de mil moradias definitivas até o final de 2026. Parte das construções, no entanto, deverá seguir em execução nos próximos anos.
A reportagem procurou também as prefeituras de Arroio do Meio e Estrela para esclarecimentos, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Essa matéria faz parte de um especial sobre os dois anos da enchente realizada pelo Brasil de Fato RS e Movimento Atingidos por Barragens (MAB).
