O Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) lançou, durante o Encontro Estadual, que aconteceu dias 23 e 24 de maio, em João Pessoa, a Rede de Cozinhas Populares da Paraíba e também a Rede de Mulheres Artesãs Populares. Essa configuração propõe conectar as diversas cozinhas populares e solidárias e grupos de Mulheres Artesãs, que já existem pelo estado, para troca de saberes, fortalecimento das iniciativas e intercâmbio.

Para Gleyson Melo, dirigente estadual do MTD, a rede de cozinhas e mulheres artesãs vai tentar conectar-se com a própria dinâmica da cozinha. “As experiências que acontecem na cozinha elas vão se conectando também desde as cozinhas que já fazem isso atualmente, como a cozinha do Colinas (João Pessoa), que consegue ter um aporte maior de comida e faz essa realocação, distribuição para outras cozinhas, como também essa questão de algumas coisas concretas, como é o caso do sabão, que é feita a partir do óleo, que também pode conectar todas as cozinhas num processo de coleta, de iniciar um processo de coleta de sabão. E apontando para julho, mês de julho, faremos o primeiro encontro das cozinhas populares solidárias do MTD da Paraíba”, disse Melo.

O encontro foi aberto pela mística, feita pelo grupo de cozinhas populares e solidárias do MTD, que apresentou a importância desse instrumento para a resistência do povo em momentos de crise, como foi na pandemia, e durante as enchentes provocadas pelas mudanças climáticas.
Também marcou presença durante o evento, a realização da Feira de Economia Popular e Solidária, com peças de artesanato, sabão caseiro, comidas e outros itens que foram comercializados pelas mulheres, nos dois dias de evento. O enconto reuniu cerca de 100 militantes do MTD de toda a Paraíba, vindos dos municípios de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Juarez Távora, Santa Rita e Lucena.

Vera Lúcia, artesã e dirigente do MTD na cidade de Juarez Távora, estava empolgada com a realização da feira, durante o encontro. “Isso aqui é a realização concreta de nossas práticas, do que já estamos fazendo diariamente, do que as mulheres estão fazendo. Vamos agora concretizar a Rede de Mulheres Artesãs e fortalecer as iniciativas na Paraíba toda para que as mulheres fiquem mais fortes e comecem a trabalhar conectadas”, explicou Lucinha.
Parcerias presentes no Encontro

Participaram da abertura do Encontro, Fernanda Peres, Coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Paraíba, Natasha Batusich, da Comissão Estadual de Combate à Violência no Campo e na Cidade (COECV), Alessandra Asfora, professora do Centro de Ciências Jurídicas da UFPB e do Observatório Terra e Moradia, José Roberto, da Casa Pequeno Davi e do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Estela, da Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado da Paraíba e o juiz Max Nunes de França, auxiliar da vice-presidência do TJPB.

Durante esse momento, os presentes parabenizaram o MTD e lembraram que tudo que foi conquistado é consequência da luta por direitos que o povo brasileiro vem traçando ao longo de anos. Além disso, frisaram que o direito à moradia é a porta de entrada para todos os outros direitos.
Um grupo de mães de crianças atípicas também marcou presença lembrando as dificuldades de exercer a maternidade em condições neurodivergentes e afirmaram que a educação é uma área a ser priorizada em qualquer luta popular para que outros direitos sejam estabelecidos.

“As doenças neurológicas sempre existiram mas hoje em dia as crianças podem ter tratamento adequado e levar uma vida normal, mas para isso precisam ser protegidos mediante a lei e para que a lei possa ser cumprida, precisamos disso, nos reunirmos, nos organizarmos para que possamos exigir os direitos deles e eles fiquem acobertados”, declarou a Andréia, da cidade de Cabedelo, e uma das mães atípicas responsáveis pelo debate deste tema no MTD.

Também foi realizado um momento de análise conjuntura com a participação de Dilei Schiochet, da direção do MST da Paraíba, Felipe Baunilha, coordenador geral do Sintep-PB e do Movimento Brasil Popular, e Gleyson Ricardo, coordenador estadual do MTD na Paraíba. A análise apontou para algumas tarefas que os lutadores do povo precisam fazer este ano: eleger lula e o time de lula, garantir a unidade da classe trabalhadora, alimentar a esperança na organização popular e fortalecer as iniciativas de organização populares já existentes.
Troca de experiências

O MTD também trabalhou as experiências existentes no movimento, adotando uma metodologia de carrossel, para trocar experiências e informações relacionadas às temáticas sobre o grupo de mães atípicas, as cozinhas populares, o artesanato, a regularização fundiária, as associações e a escola de formação. Cada temática teve uma dupla responsável por trabalhar o assunto para grupos, previamente divididos na plenária, numa média de tempo de 15 minutos cada. Assim, cada agrupamento ouviu sobre todas as temáticas durante o rodízio de apresentação (carrossel). Também houve a avaliação dos territórios do MTD através da metodologia FOFA, sistematizando os pontos fortes, oportunidades, pontos fracos e potencialidades de cada local.

O palhaço Aperreio e a ciranda infantil fizeram a diferença na presença das crianças durante o Encontro, evidenciando que a formação política pode começar desde à infância e que, mães, pais e responsáveis não precisam escolher entre participar politicamente de um momento de organização política e cuidar dos filhos/as.


O encontro também contou com a participação de Adarlam Silva, do Programa do Governo Federal, Paul Singer, que falou sobre fortalecer a economia popular e solidária dando formação para os empreendimentos solidários.

Por fim, como resultado do encontro foi encaminhado a necessidade de formar redes estaduais de intercâmbio nas áreas das cozinhas populares e solidárias e de Mulheres Artesãs.

“Dos 223 municípios da Paraíba, existem 28 cozinhas comunitárias habilitadas pelo Governo Federal, sendo 11 dessas cozinhas do MTD. É um número bem significativo. Nós temos cozinhas em Juarez Távora, Remígio, Areia, João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, por isso decidimos criar a Rede de Cozinhas Solidárias do MTD, onde essas cozinhas vão estar compartilhando e dividindo com a direção do MTD tudo o que for necessário, o que precisar, as dificuldades, e o MTD vai dividir o trabalho, o esforço, a sabedoria e vamos fazer a partilha e em julho vamos ter o primeiro encontro oficial da Rede de Cozinhas Solidárias do MTD aqui em João Pessoa”, anunciou Roberta Torres, da direção estadual do MTD.
Já o lançamento da Rede de mulheres artesãs do MTD marcou um processo interno de organização das mulheres que atuam de forma coletiva e também individual. “Como os parâmetros para a construção da economia solidária apontam para a perspectiva coletiva, essas mulheres que fazem esse trabalho da economia popular, além da economia solidária, de forma individual ficariam de fora se não se articulassem em rede, sejam em editais mas também na perspectiva de feiras que já acontecem e que o movimento fica pleiteando essas feiras. A rede vai possibilitar que isso seja feito em uma escala maior, com mais organização. São dois grandes ganhos nesse encontro: a criação da Rede de Cozinhas Populares e Solidárias e a Rede de Mulheres Artesãs Populares”, declarou Gleyson Melo.

Para Vera Lúcia, artesã e a responsável pela coordenação da Rede de Mulheres Artesãs do MTD, “a criação da rede de mulheres artesãs do MTD é uma forma muito importante que garante a autonomia financeira, preservarem a identidade cultural de cada mulher que promove o empoderamento feminino. as mulheres transformam saberes tradicionais em ferramentas de desenvolvimento sustentável, com uma essência para reduzir a desigualdade e a vulnerabilidade social a cada mulher. Isso é excelente para nós mulheres”, concluiu.
