Na quinta-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou como organizações terroristas o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), levantando novas preocupações em torno da soberania nacional brasileira. A medida foi tomada após um rápido encontro entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em Washington, quando o filho de Jair e pré-candidato à presidência pediu a inclusão das facções na lista estadunidense. O tema é sensível e pode ser usado na corrida presencial, já que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou reação incisiva à decisão.
Para o jornalista Rodrigo Mac Niven, mestre em Relações Internacionais e pesquisador em Segurança Internacional pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), existe um risco real de Trump usar essa mudança de status para justificar ações militares secretas ou mesmo operações de inteligência não autorizadas no Brasil.
“De fato, isso é bastante grave. Mas eu queria trazer talvez aqui uma perspectiva mais internacionalista, digamos assim, histórica: isso em si não é uma novidade. Essas intervenções já aconteceram historicamente, esse discurso da guerra às drogas já foi utilizado inúmeras vezes para intervenções na América Latina. A novidade que o Trump está trazendo para esse segundo mandato dele é que ele está sendo mais claro e mais direto do que outras governanças estadunidenses”, diz.
Niven enumera episódios do final da década 1980 até 2026, quando os Estados Unidos invadiram a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro. “Em 1989, o Manuel Noriega já era acusado de ser um chefe do tráfico, foi preso e foi julgado nos Estados Unidos. Você pode relembrar o Plano Colômbia, em que foi empregada uma quantidade imensa de dinheiro para intervenções militares contra as FARCs, que eram chamadas de narcoterroristas. Você pode pensar agora no Plano Mérida, também, contra o México, e recentemente, já em 2025, em que os ataques aconteceram contra barcos ali nas águas em torno da Venezuela. Então, ainda que seja alarmante, e é alarmante, eu diria que está em consonância com um histórico de política internacional de decisões dos governantes estadunidenses e em consonância com o que o Trump traz”, analisa.
Rodrigo Mac Niven diz que o recente ato de Trump representa a “sem vergonhice” do republicanos. “Ele está sendo claro nas intenções. Está dizendo: ‘Eu faço mesmo e eu quero ver quem é que vai me impedir.” Então eu acho que é grave, de fato liga um alerta, inclusive para as forças armadas brasileiras”, afirma.
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