Eleições 2026

Extrema direita enfrenta vácuo de liderança em Alagoas após saída de JHC do PL

Com Renan Filho liderando pesquisas, conservadores disputam influência no estado mais bolsonarista do Nordeste

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JHC se licenciou do cargo de prefeito de Maceió para disputar o governo de Alagoas
JHC se licenciou do cargo de prefeito de Maceió para disputar o governo de Alagoas | Crédito: Prefeitura de Maceió

A saída de João Henrique Caldas, o JHC, do PL em abril deste ano reconfigurou o tabuleiro eleitoral de Alagoas. Ex-prefeito de Maceió, JHC migrou para o PSDB em busca de viabilidade eleitoral para disputar o governo do estado, o que implicou um distanciamento explícito da família Bolsonaro e da extrema direita.

“A saída do JHC não era aguardada, foi uma surpresa até mesmo para a sua base eleitoral. A base em Maceió é muito conservadora, tanto que é a única capital do Nordeste em que Bolsonaro venceu nas duas eleições. Isso mexeu com o tabuleiro eleitoral alagoano”, afima Luciana Santana, professora de ciência política da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.

A movimentação tem raízes duplas. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em 94 dos 102 municípios do estado — presença que tornou insustentável para JHC manter a postura de extrema direita sem alienar o eleitorado do interior. Ao mesmo tempo, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, entregou o comando do partido em Alagoas ao deputado federal Alfredo Gaspar, pré-candidato ao Senado. A ascensão de Gaspar inviabilizou os planos de JHC de montar chapa própria dentro da legenda.

Com Renan Filho (MDB) à frente das pesquisas eleitorais e com o respaldo de Lula, JHC sinaliza reaproximação com lideranças conservadoras e ensaia aliança com Gaspar e Arthur Lira (PP). O caminho, porém, tem condicionantes. “Alfredo já declarou que só apoiará JHC se ele afirmar ter alinhamento com Jair Bolsonaro. Não vejo isso acontecendo. No final de 2025, inclusive, JHC estava se aproximando de Lula”, disse Santana.

O cenário deixa a extrema direita sem candidato consolidado no estado. “Até o momento, Bolsonaro não tem um palanque forte em Alagoas, mesmo investindo muito nos estados do Nordeste. O fato de JHC querer disputar o governo do estado o obrigou a fazer esse movimento. O interior de Alagoas é muito lulista, e para dialogar com esse eleitorado é preciso ter alguma ligação com Lula. Ele, inclusive, pode não declarar apoio a ninguém para não se comprometer com o interior”, concluiu Santana.

Editado por: Thaís Ferraz

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