Exclusivo

508 infrações trabalhistas e R$ 51 milhões em multas ambientais: quem é Ferinha, o empresário que mais aparece na lista do trabalho escravo

Carvoaria Mata Fria, no Maranhão, consta cinco vezes na relação, e é só uma parte dos negócios de Sirlei Martins Amaral

No audio source provided.
Foto aérea de carvoaria na Fazenda São Paulo, em Grajaú (MA), de responsabilidade de Sirlei. Segundo o MPT, a produção de carvão vegetal integra o ciclo de avanço sobre áreas de vegetação nativa: a madeira retirada para abrir espaço à agropecuária é transformada em insumo para a siderurgia.
Foto aérea de carvoaria na Fazenda São Paulo, em Grajaú (MA), de responsabilidade de Sirlei. Segundo o MPT, a produção de carvão vegetal integra o ciclo de avanço sobre áreas de vegetação nativa: a madeira retirada para abrir espaço à agropecuária é transformada em insumo para a siderurgia. | Crédito: Reprodução/MTE

Na atualização mais recente do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo, uma carvoaria é o nome que aparece mais vezes. A Mata Fria, de Grajaú, no sudeste do Maranhão, consta cinco vezes na relação, mas essa é apenas uma parte da complexa relação de negócios do empresário Sirlei Martins Amaral, conhecido como Ferinha.

O mapeamento do Brasil de Fato mostra que empresas do Ferinha acumulam dívidas trabalhistas que beiram os R$ 19 milhões e multas ambientais que ultrapassam R$ 51 milhões, e algumas delas aparecem ao menos dez vezes na atual versão da Lista Suja.

Operações conduzidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgataram ao menos 16 trabalhadores em condições análogas à escravidão das propriedades de Ferinha e no sistema do ministério constam ao menos 508 autos de infração às leis trabalhistas.

O Brasil de Fato investigou os artifícios utilizados por Ferinha para operar uma máquina com ao menos 12 CNPJs, representantes laranjas e fornecimento de carvão para a Viena Siderúrgica S/A, empresa de Açailândia (MA), que figura entre as maiores produtoras de ferro-gusa do país e tem receita líquida anual superior a R$ 1 bilhão.

Baterias de fornos destinadas à carbonização de madeira nativa em fazenda explorada pelo grupo Mata Fria | Crédito: Reprodução/MTE

“A produção de carvão vegetal já vem, ao longo da série histórica, desde 1995, com mais de 4 mil trabalhadores resgatados. Está entre as atividades com mais resgates no país”, afirma Luciano Aragão, procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Maranhão e coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas. 

Para Aragão, o carvão vegetal também deve ser lido dentro da lógica de expansão do agronegócio sobre o Cerrado. “Esse carvão está associado à expansão da fronteira agrícola sobre o Cerrado maranhense para o plantio da soja”, diz.

No chão das fazendas, as violações atribuídas a Ferinha incluem manter pessoas trabalhando por mais de um mês sem folga, trabalhadores que não podem dormir e o desmatamento ilegal de floresta nativa para alimentar as carvoarias.

O carbonizador não dorme

O trabalho nas carvoarias ligadas a Sirlei Martins Amaral era organizado em ciclos longos, de 30 a 45 dias, nos quais os trabalhadores permaneciam nas fazendas até a chamada “baixada”, período curto de folga em que recebiam o pagamento e podiam voltar para casa. Até lá, segundo fiscalizações do MTE, a rotina avançava sobre domingos, feriados, noites e madrugadas.

A função mais marcada por esse desgaste é a do carbonizador, responsável por acompanhar a queima da madeira nos fornos. “O carbonizador é responsável por um processo que tem que ser monitorado por 24 horas”, afirma o auditor-fiscal do trabalho Ivano Rodrigues Sampaio, que participou de fiscalizações em carvoarias ligadas a Ferinha no Maranhão.

Na prática, segundo ele, a estrutura encontrada pelas equipes não permitia descanso regular. “Tinha que ter no mínimo quatro carbonizadores para fazer turnos de 12 por 36 [horas], mas lá só tinha um carbonizador em cada UPC”, afirma, em referência às unidades de produção de carvão. Esses trabalhadores eram responsáveis por monitorar baterias que podiam reunir dezenas de fornos, em rondas sucessivas ao longo do dia e da noite.

“O carbonizador não dorme para controlar a qualidade do carvão”, afirmam Mariana de la Fuente, secretária-executiva do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán (CDVDH/CB), organização que atua na região e ajuda a organizar as denúncias de violações dos direitos dos trabalhadores. Segundo ela, o trabalho precisa ser constante para impedir que a produção seja perdida e, ao mesmo tempo, cumprir padrões de qualidade exigidos pela cadeia compradora.

Luciano Aragão, procurador do MTE, descreve a privação de sono como um dos elementos centrais dos resgates em carvoarias. “O carbonizador tem que ficar atento o tempo todo, visitando os fornos de hora em hora. Esses trabalhadores ficavam 15 a 20 dias numa sequência sem dormir, sendo responsáveis pela queima”, descreve.

Carbonizador da Fazenda São Paulo, em Grajaú (MA), resgatado de condições análogas às de escravo. O trabalhador, embora não fumante, apresentou ‘idade pulmonar’ de 65 anos em exames médicos, reflexo da inalação contínua de fumaça densa e da exaustão física provocada por um esquema de trabalho sem descansos | Crédito: Reprodução/MTE

Além dos carbonizadores, as operações de fiscalização resgataram as cozinheiras dos empreendimentos de Ferinha. No caso da Fazenda Mirador, Lindalva de Araújo Rocha, pessoa com deficiência auditiva, era a única responsável pela cozinha e pela higienização do espaço usado por dezenas de trabalhadores. Sua jornada de trabalho se estendia das 4h às 19h, com um intervalo após o almoço.

“Resgatamos cozinheiras por jornada exaustiva porque havia uma única mulher para fazer café, almoço e janta para 50 ou 60 trabalhadores, além de lavar louça e limpar o alojamento e os banheiros”, afirma Aragão.

As condições encontradas nas carvoarias revelam uma mudança na forma como o trabalho escravo aparece nas fiscalizações. Nem sempre o alojamento é o primeiro sinal da violação. “Hoje o trabalho escravo está maquiado. Você chega e vê uma hospedagem, tem ar-condicionado, internet, sim, mas são os trabalhadores que pagam e estão numa jornada de 45 dias sem folga, com mais de 18 horas diárias”, afirma Fuente.

Segundo medições realizadas pelo MPT em carvoarias do grupo, os trabalhadores também estavam submetidos a respirar fumaça e fuligem muito acima dos índices saudáveis. Os níveis de material particulado fino atingiram 999,9 microgramas por metro cúbico, valor 66 vezes acima do limite diário de 15 microgramas por metro cúbico recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Trabalhador agredido e amarrado pelos pulsos e pernas em uma coluna de alojamento na Carvoaria Mirador. Segundo o relatório de fiscalização, a imagem foi registrada por um encarregado e exibida por ele em outras unidades de produção do grupo como forma de intimidação, acompanhada da frase: ‘assim que eu faço com quem não quer trabalhar’. A história foi contada pela Repórter Brasil, em reportagem publicada em 2025 | Crédito: Reprodução/MTE

Um grupo, vários CNPJs

A estrutura operada por Sirlei Martins Amaral não se resume a uma carvoaria. Segundo investigações da Polícia Federal (PF), relatórios trabalhistas e apurações do Ministério Público do Trabalho (MPT), empresas formalmente separadas atuavam como partes de uma mesma engrenagem produtiva. Em representação enviada à Justiça Federal para pedir a prisão de Ferinha, a PF foi direta ao afirmar que, embora aparecesse como 12 pessoas jurídicas distintas, “trata-se de uma empresa só”.

Isso é possível conferir nas relações societárias, no compartilhamento de trabalhadores, na concentração administrativa em Grajaú (MA) e no destino da produção. “Todo mundo falava: ‘A carvoaria aqui é do Sirlei’. Quem é o patrão? ‘É o Sirlei’. Quem vende o carvão? ‘É o Sirlei’”, relata Ivano Rodrigues Sampaio. 

Para o auditor, a pulverização empresarial funcionava como forma de diluir responsabilidades. “Em uma carvoaria, tinha empregado de oito empresas diferentes. Ele poderia ter uma empresa para transportar e outra para refeição, mas ele tinha o carbonizador de uma e o forneiro de outra para pulverizar a responsabilidade.”

Segundo os documentos analisados pela reportagem, diferentes empresas funcionavam a partir de um mesmo endereço em Grajaú (MA), e gerentes vinculados à Mata Fria administravam trabalhadores de outras unidades produtoras. Em alguns resgates, mesmo quando a carvoaria estava formalmente registrada em outro nome, o pagamento de verbas rescisórias saiu de uma conta bancária da Mata Fria.

Mariana de la Fuente afirma que a criação de CNPJs em nome de terceiros faz parte do modo de operação atribuído a Ferinha. “Ele estimula chefes de grupos de trabalhadores a abrirem CNPJs novos em seus nomes para que fiquem no controle dele”, dizem.

É o caso de Itamar Ribeiro da Costa, um ex-funcionário de Amaral. De acordo com dados da Receita Federal, Costa passou a constar, a partir de 31 de julho de 2024, como único sócio da Mata Fria, empresa que colocou Ferinha cinco vezes na Lista Suja do Trabalho Escravo. Durante uma fiscalização ocorrida em 2025 em uma das carvoarias da Mata Fria, a encarregada pelo local afirmou que Ferinha era o verdadeiro dono do negócio e que havia conhecido Costa em outra fazenda, onde atuava como carbonizador.

De acordo com apuração do Brasil de Fato, nesse período, a Mata Fria e ao menos outras duas empresas de Amaral passaram para o nome de Costa. No final de 2025, todas voltaram a pertencer juridicamente a Ferinha.

Prisão e volta às mesmas condutas

Em 2022, a Polícia Federal pediu a prisão preventiva de Sirlei Martins Amaral e a suspensão das atividades de empresas ligadas a ele no âmbito da Operação Sem Descanso. O pedido apontava reiteração das práticas de submissão de trabalhadores a condições análogas à escravidão, mesmo após fiscalizações e autuações anteriores.

Ferinha foi preso preventivamente em 10 de novembro de 2022. No dia 22 do mesmo mês, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) substituiu a prisão preventiva pela domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com outros investigados e fiança de R$ 100 mil. 

Em 2 de março de 2023, o juiz federal Cláudio Cezar Cavalcantes revogou a prisão domiciliar e a monitoração eletrônica. A decisão manteve, no entanto, a obrigação de acompanhar os atos processuais, manter endereço atualizado e não manter contato com os demais indiciados da Operação Sem Descanso, salvo familiares também investigados. 

Nos autos, a PF aponta que a rede atribuída a Ferinha se apoiava em uma estrutura familiar, na qual parentes próximos apareciam como sócios, administradores ou representantes formais de empresas do grupo.

No período a partir de 2023, empresas ligadas a Amaral receberam 240 autos de infração do Ministério do Trabalho e Emprego, segundo levantamento do Brasil de Fato.

Interior e exterior da moradia improvisada onde vivia o casal resgatado de trabalho escravo em unidade do grupo Mata Fria. Sem ventilação e sob sol forte, os trabalhadores utilizavam garrafas PET com água (detalhe à direita) para molhar o corpo durante a noite e tentar amenizar o calor sufocante dentro do barraco | Crédito: Reprodução/MTE

O carvão do desmatamento

A produção de carvão vegetal nas unidades ligadas a Sirlei Martins Amaral ainda aparece associada ao avanço sobre áreas de vegetação nativa. A lógica descrita por fiscais e procuradores é simples: a carvoaria transforma em produto comercial a madeira retirada de áreas que serão abertas para outras atividades econômicas, especialmente soja e pecuária.

Principalmente a partir dos anos 2000, o Maranhão passa a figurar como uma das frentes mais intensas de conversão de vegetação nativa para o agronegócio. Dados do MapBiomas mostram que 7,1 milhões de hectares foram desmatados até 2024. No mesmo período, a soja, que praticamente inexistia no estado, passou a ser plantada em 1,3 milhão de hectares. A pastagem para criação de gado mais que dobrou no período, alcançando uma área de 9,5 milhões de hectares em 2023.

Linha de frente do chamado Matopiba, o estado ocupa o primeiro lugar no ranking dos estados que mais desmatam no Brasil há três anos consecutivos, desde 2023. Este é o cenário em que o negócio da carvoaria figura. “Os custos do desmatamento de área nativa, em vez de serem suportados pelo proprietário, são custeados pela própria atividade econômica da carvoaria que limpa a área para a soja”, afirma Luciano Aragão.

Nos documentos de fiscalização analisados pelo Brasil de Fato, há contratos para supressão vegetal em áreas extensas, como os 990 hectares na Fazenda Brejo do Meio e os 1.851 hectares na Fazenda Ferreira e Godoy. Para o MPT, esse modelo ajuda a explicar por que a carvoaria segue sendo economicamente viável mesmo em contextos de forte irregularidade trabalhista e ambiental: a madeira retirada da terra vira carvão, e o carvão alimenta a siderurgia.

A tentativa de dar aparência legal à extração também aparece nos relatos de fiscalização. “As carvoarias exibiam licenças para exploração de ‘floresta plantada’, como de eucalipto, mas, quando chegávamos no local, eram todas florestas nativas”, diz Aragão.

O auditor-fiscal Ivano Rodrigues Sampaio aponta ainda um mecanismo de circulação do carvão que dificulta o rastreamento da origem do produto. “O carvão sai da carvoaria clandestina e chega na siderúrgica com nota fiscal de outra. Lava o carvão e empurra para a siderúrgica”, explica.

Por trás dos mais de R$ 50 milhões devidos em autos de infração aplicados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), há autuações por vender carvão sem origem legal com documentos falsos, lançar transações fictícias no sistema de controle e até exploração de carvoaria dentro de terra indígena. Este último ocorreu em 2007, dentro da TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra — a mais desmatada do Brasil nos últimos anos.

As primeiras infrações ambientais no nome de Amaral são de 1999 e 2001, por transporte ilegal de carvão vegetal.

Alojamento de carvoaria de Ferinha em São Raimundo das Mangabeiras (MA). A fiscalização constatou que o empregador não fornecia camas, redes ou roupas de cama, obrigando os trabalhadores a custearem o próprio equipamento de repouso. O ambiente operava em desacordo com as normas de segurança e saúde, sem armários individuais e com instalações sanitárias precárias, marcadas pela falta de higiene, bacias sem tampo e ausência total de material para limpeza das mãos | Crédito: Reprodução/MTE

O elo bilionário da cadeia

O carvão produzido nas carvoarias ligadas a Sirlei Martins Amaral alimenta a indústria de ferro-gusa. Segundo documentos de fiscalização, depoimentos colhidos pela Polícia Federal e relatos de auditores, a maior parte da produção abastecia a Viena Siderúrgica S/A.

A relação, segundo os documentos analisados, não era apenas de compra. Depoimentos registrados na investigação apontam que funcionários da Viena visitavam as unidades produtivas mensalmente, verificavam estoque de carvão, condições de alojamento, uso de equipamentos de proteção individual (EPIs), folhas de ponto, organização e limpeza. A PF também registrou relatos de que toda a produção era vendida à siderúrgica.

Para Luciano Aragão, esse tipo de relação impõe responsabilidade às empresas compradoras. “As siderúrgicas se beneficiam do baixo custo do insumo e exercem controle. Algumas financiavam a montagem de fornos e realizavam fiscalizações técnicas constantes nas carvoarias do grupo”, afirma.

O auditor-fiscal Ivano Rodrigues Sampaio descreve a relação entre carvoarias e siderúrgicas como uma cadeia marcada por dependência econômica. “Os donos de carvoaria reclamam que não têm poder de negociação com a siderúrgica. A empresa diz: ‘Eu pago tanto’. O preço do carvão é ditado de cima para baixo e eles dizem que não cobre os custos”, afirma.

Essa posição econômica, segundo os entrevistados, ajuda a explicar por que a simples consulta à Lista Suja não é suficiente para interromper violações. “Simplesmente deixar de comprar de quem está na lista não previne violações. Isso acaba fomentando a mudança de fornecedores ou a criação de laranjas para comercializar aquele carvão”, afirma Aragão.

Mariana de la Fuente, do CDVDH/CB, diz que a Viena buscou apresentar uma imagem de regularização, mas seguiu vinculada a carvão produzido em cadeias denunciadas por trabalho escravo. “A Viena fez uma ‘lavadinha de cara’. Eles fazem parte do pacto das empresas contra o trabalho escravo, mas continuam comprando carvão que vem dele”, afirmam.

Segundo ela, o carvão produzido no Maranhão alimenta uma cadeia de exportação que leva ferro-gusa a mercados internacionais. “Toda a produção é para exportação aos Estados Unidos, Ásia e Europa. O produto é altamente vinculado ao trabalho escravo, ao desmatamento vegetal e ainda tem todos os impactos na saúde da população com a poluição”, afirma.

Outro lado

A Viena Siderúrgica enviou uma nota ao Brasil de Fato, que está divulgada na íntegra abaixo:

“Esclarecemos que toda a relação comercial de compra e venda de produtos advindos do fornecedor eram provenientes de unidades (carvoarias) e de empresas devidamente licenciadas e autorizadas pelos órgãos públicos competentes, incluindo a licença municipal de uso e ocupação de solo da atividade industrial na respectiva unidade de produção e licença ambiental respectiva, cujo sócio era o Sr. Sirlei Martins Amaral, desconhecendo a Viena o rol de outras empresas e/ou unidades produtivas que seriam de propriedade do referido senhor, uma vez que a relação comercial ocorrida era em relação a determinada e específica unidade produtiva, sempre pagando o preço de mercado, com Notas Fiscais emitidas a partir desse local contratado, em função de seu licenciamento e não com todas unidades do mesmo, estando as demais livres para comercializar com quem quer que seja.

É de conhecimento, que o mesmo comercializava o seu produto com outras empresas adquirentes, inclusive para outros estados da federação, não havendo nenhum vínculo de fidelidade, ingerência e sequer conhecimento em relação as outras empresas do seu relacionamento. Justifica-se, ainda, que, quando a empresa tomou conhecimento das fiscalizações e de seus teores, somente após cópia fornecida pelo MPT, a mesma descredenciou imediatamente a relação comercial existente advinda da sociedade do Sr. Sirlei M. Amaral, independentemente de quais unidades ou empresas envolvidas na fiscalização, anteriormente às datas de inclusões de empresas do mesmo no Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores em condições análogas a de escravo, haja vista ainda que, a teor dos relatórios acessados, implícita e objetivamente houve a permissão das referidas empresas e unidades fiscalizadas, a continuarem produzindo e vendendo os seus produtos, não tendo ocorrido, em nenhum momento, nenhum impedimento da continuidade ou determinação de paralização/embargo das atividades por parte das autoridades públicas que se fizeram presentes ao local. Mesmo assim, o fornecedor foi descredenciado.

Como medidas de controles, a Viena realiza auditorias nas unidades com as quais tem vínculo contratual com as empresas, para apurar o cumprimento do contrato entre as partes e da legislação vigente, assumida pelas mesmas, cuja obrigação prevista na legislação é do empregador da referida unidade, que se compromete ao cumprimento das normas trabalhistas, ambientais e da legislação vigente, na forma de cláusula contratual estabelecida. Assim, a mesma nunca faz ingerência nas relações empregatícias existentes, cuja limitação legal, não lhe permite tudo conhecer, principalmente quando recebe da empresa, formalmente e não se limitando, o compromisso do cumprimento da jornada laboral e da não exposição de seus trabalhadores a condições análogas a de escravo.

Como um dos elementos de “due diligence”, efetuado pela empresa, é feita a verificação e acompanhamento da inserção do nome de empresas no Cadastro de Empregadores do Ministério do Trabalho, conhecida como “Lista Suja”, que tenham submetido trabalhadores às condições análogas a de escravo.

Editado por: Rafaella Coury

|

Newsletter