DENTRO DO CAMPO

Copa da Reforma Agrária entra em campo no Ceará com 150 times e mais de 2.500 atletas

Em meio às dúvidas da Seleção, os assentamentos demonstram confiança e protagonismo dentro de campo

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Jogadores em campo
Entre um jogo e outro, a Copa da Reforma Agrária transforma o esporte em espaço de encontro e construção coletiva | Crédito: Beatriz Almeida

A cada quatro anos, o futebol brasileiro entra em campo carregando uma mistura de esperança e desconfiança. Afinal, o histórico recente da Seleção Brasileira tem deixado o torcedor com um pé atrás. Mas, quando o assunto é a Copa da Reforma Agrária, o clima é outro. Nos assentamentos e acampamentos do Ceará, a expectativa é de casa cheia, bola rolando e muita organização popular.

A 4ª edição da Copa e Feira Estadual da Reforma Agrária começa oficialmente no próximo dia 4 de junho, às 14h, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. A abertura contará com apresentações culturais, feira da Reforma Agrária, partida festiva entre MST e Amigos e o jogo inaugural da competição feminina.

O torneio reunirá 150 equipes e mais de 2.500 atletas das categorias masculina e feminina, vindos de assentamentos e acampamentos distribuídos em mais de 40 municípios cearenses. Ao longo de seis meses, a competição percorrerá todas as regiões do estado até a grande final, prevista para agosto.

Mais do que uma disputa por troféus, a Copa da Reforma Agrária é considerada um dos maiores eventos de futebol amador do Brasil e se consolidou como um espaço de encontro, lazer, saúde e fortalecimento da vida comunitária.

Além da bola na rede

Quem pensa que a competição se resume aos gramados está olhando apenas para o placar. A Copa mobiliza milhares de famílias, promove intercâmbios entre comunidades e fortalece a organização dos territórios da Reforma Agrária. Em cada fase, o futebol se transforma em ferramenta de convivência, participação e construção coletiva.

“A Copa é um espaço importante para potencializar o nosso trabalho com a juventude do campo por meio do esporte. Ela contribui para o processo de organização, mobilização e formação, além de ampliar o acesso a estruturas e à participação em uma copa que envolve todo o estado. O MST tem consolidado o esporte e lazer como instrumentos importantes na construção da Reforma Agrária Popular nos territórios”, afirma Joel Gomes, da coordenação nacional do MST e coordenador da 4ª edição da Copa e Feira da Reforma Agrária.

Jogadores em campo e a sigla MST no gramado
Nos assentamentos, o futebol ajuda a manter viva uma cultura de participação e organização popular | Crédito: Beatriz Almeida

A competição será disputada em etapas sucessivas. Primeiro, acontecem os confrontos municipais. Os campeões avançam para as fases regionais e, posteriormente, para as quartas de final, semifinais e decisão estadual.

Futebol também se planta

Se o futebol é paixão nacional, no campo ele ganha significados adicionais. Os campinhos são espaços de convivência, diversão e formação de novas lideranças. Para Genivando Santos, da Direção Nacional do MST, a presença do futebol na cultura camponesa é histórica. “O futebol faz parte da vida do camponês há gerações. É uma das principais formas de lazer, de encontro entre famílias e de integração entre assentamentos. No MST, o esporte também cumpre um papel organizativo muito importante, a gente se organiza para ter uma campo, uma quadra, uma Areninha.”

A avaliação é compartilhada por quem acompanha a trajetória da Copa desde as primeiras edições. O torneio ajuda a romper estereótipos frequentemente associados ao movimento e apresenta ao público a diversidade da vida nos assentamentos. “Hoje temos várias Areninhas sendo construídas nos Assentamentos, conquistadas junto com o governo do estado. A bola aproxima a juventude e ajuda a construir uma imagem positiva dos assentamentos, mostrando que a Reforma Agrária produz alimento, cultura e qualidade de vida”, destaca Genivando.

Campeões entram em campo para defender a taça

Na última edição, quem levantou a taça no masculino foi a equipe do Assentamento Massapê, de Mombaça. No feminino, o título ficou com o Assentamento Transval, de Canindé. Agora, as duas equipes entram novamente em campo sabendo que defender o título é tão difícil quanto conquistá-lo. Afinal, em uma competição que reúne 150 times, ninguém chega à final apenas na base da retranca.

Entre dribles, gols e confraternizações, a Copa da Reforma Agrária mostra que o futebol pode ser muito mais do que uma disputa esportiva. Nos assentamentos cearenses, a bola também serve para organizar comunidades, fortalecer a juventude e construir novos horizontes.

E se a camisa amarela ainda busca reencontrar seus melhores dias, nos gramados da Reforma Agrária o campeonato já começou com a torcida acreditando que o jogo coletivo continua sendo a melhor estratégia para vencer

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Editado por: Camila Garcia

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