REPÚDIO

Protestos nas ruas marcam entrega de título a Flávio Bolsonaro na Câmara de BH

Manifestação reúne centenas de manifestantes contrários ao título e denuncia uso político da homenagem

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Ato reúne centenas de manifestantes na porta da Câmara
Ato reúne centenas de manifestantes na porta da Câmara | Crédito: Crédito: Reprodução CMBH/ Hernrique F. Marques

Flávio Bolsonaro (PL) recebeu nesta terça-feira (2), na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o título de cidadão honorário da capital mineira, em uma sessão marcada por forte protesto do lado de fora do Legislativo municipal e clima de tensão política. A solenidade ocorreu mesmo diante de críticas de movimentos sociais, coletivos e parlamentares da oposição, que questionam a legitimidade da homenagem.

Desde a tarde, centenas de manifestantes ocuparam a porta da Câmara em um ato pacífico contra a concessão da honraria. Com faixas, cartazes e carro de som, o ato foi organizado por movimentos populares e torcidas organizadas, enquanto também houve registro de presença de apoiadores do senador, o que elevou a tensão no local e exigiu intervenção da Polícia Militar para evitar confrontos diretos.

“Flávio Bolsonaro não fez nada por Belo Horizonte que justifique receber o título de cidadão honorário. A Câmara Municipal não pode transformar uma honraria pública em palanque político”, afirmou o engenheiro ambiental Felipe Gomes, um dos organizadores do ato, em meio aos gritos de protesto que ecoavam frases como: “O que ele fez por BH? Nada!”.

Faixas com críticas à presença do senador e candidato à presidência em Belo Horizonte foram colocadas em vias de grande circulação, repercutindo nas redes sociais e na imprensa, ampliando o clima de rejeição em torno da homenagem.

A concessão do título foi proposta pelo vereador Vile Santos (PL) e se baseia na Resolução nº 1778/1992, que prevê a honraria a pessoas que tenham prestado “relevantes serviços à cidade” ou atos de “abnegação e heroísmo”. No entanto, críticos afirmam que não há evidências de contribuição do senador à capital mineira.

A cerimônia ocorreu em meio a um cenário de desgaste político envolvendo o pedido de dinheiro por parte de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, envolvido na maior fraude bancária da história do Brasil.  As conversas envolveram a negociação de repasses milionários destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ainda de acordo com os documentos e mensagens divulgados pelo Intercept Brasil, as transações teriam ocorrido entre fevereiro e novembro de 2025, período em que o Banco Master enfrentava instabilidade financeira, posteriormente culminando em intervenção do Banco Central e na liquidação da instituição. As conversas indicam que Flávio Bolsonaro acompanhava e cobrava, por mensagens, a liberação de recursos.

A entrega da honraria também gerou reação de vereadores da oposição. A vereadora Iza Lourença (PSOL) criticou a decisão. “A homenagem a Flávio Bolsonaro é mais um capítulo que evidencia o sequestro do debate no parlamento municipal pela extrema direita. Deixamos de votar projetos de interesse da cidade, deixamos de discutir questões relevantes para a vida da população. BH está sendo usada como cortina de fumaça. Triste, revoltante!”, afirmou.

Já a vereadora Luiza Dulci (PT) também criticou a decisão do Legislativo. “Completamente absurda a decisão da Câmara de Belo Horizonte de conceder o título de Cidadão Honorário para Flávio Bolsonaro! Nem eu, nem meus colegas da bancada de esquerda compactuamos com essa decisão que contou com a assinatura de pelo menos 12 vereadores desta casa. É inadmissível que um espaço democrático homenageie quem trama contra seu próprio país! Um golpista”, externou.

Editado por: Elis Almeida

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