Guerra da Ucrânia

Rússia realiza grande ataque na Ucrânia deixando 17 mortos; Kremlin fala em ‘novo paradigma’ do conflito

Moscou afirma que ataques fazem parte da campanha de retaliação após Ucrânia bombardear dormitório estudantil

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Fumaça cobre o céu da capital ucraniana de Kiev durante ataque russo com mísseis na madrugada de 2 de junho de 2026
Fumaça cobre o céu da capital ucraniana de Kiev durante ataque russo | Crédito: Sergei Supinsky/AFP

A Rússia realizou um ataque massivo com mísseis e drones contra diversas regiões ucranianas na madrugada desta terça-feira (2), atingindo a capital Kiev e as regiões de Dnipro e Kharkov. De acordo com as últimas informações, pelo menos 17 pessoas morreram e mais de 60 ficaram feridas. Moscou diz que bombardeios são “retaliação” por ataques ucranianos em Starobelsk.

Na capital ucraniana, prédios residenciais de vários andares foram danificados e, segundo os relatos, seis pessoas morreram e ao menos 79 ficaram feridas. Já na cidade de Dnipro, a mais atingida nos bombardeios da madrugada, 12 pessoas morreram, incluindo duas crianças, e outras 37 ficaram feridas.

De acordo com as declarações do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, as forças russas lançaram 73 mísseis e 656 drones durante a noite. Além de Kiev e Dnipro, ataques também foram relatados em Kharkov, Mykolaiv, Zaporozhye, Poltava, Sumy, Chernihiv e Khmelnytskyi.

Em comunicado divulgado pela manhã, o Ministério da Defesa russo confirmou o ataque da madrugada, classificando as ações militares como uma retaliação. A pasta não mencionou as vítimas civis e afirmou que os bombardeios foram realizados contra instalações do complexo militar-industrial ucraniano.

“O ataque foi realizado utilizando armas aéreas, terrestres e marítimas de longo alcance e guiadas com precisão, incluindo mísseis aerobalísticos hipersônicos e veículos aéreos não tripulados, visando instalações da indústria de defesa em Kiev, Zaporozhye, Kharkov e Dnipropetrovsk, bem como nas regiões de Poltava, Khmelnytsky e Sumy”, afirmou.

Kremlin fala em ‘novo paradigma’ do conflito

O porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, durante um briefing à imprensa nesta terça-feira (2), comentou a fala do presidente russo, Vladimir Putin, na segunda-feira (1º), de que o conflito ucraniano alcançou um “novo paradigma”.

De acordo com o líder russo, as autoridades ucranianas haviam adicionado uma “nova dimensão” à guerra com a Rússia com os ataques realizados em Starobelsk em 22 de maio, atingindo um dormitório estudantil e matando 21 jovens.

Ao comentar a fala, Peskov afirmou que a Ucrânia está “cometendo ataques terroristas desumanos” contra civis, incluindo crianças, criando um “paradigma completamente diferente” de conflito militar.

“Se o regime de Kiev comete deliberadamente atos terroristas tão desumanos contra civis, contra crianças, que ultrapassam todos os limites da humanidade, então estamos diante de um paradigma completamente diferente”, disse o porta-voz presidencial.

Após o ataque aéreo em Starobelsk na noite de 21 de maio, Putin ordenou ao Ministério da Defesa que “apresentasse suas propostas” para medidas retaliatórias. Na sequência, Kiev e outras cidades ucranianas foram alvo de ataques massivos, envolvendo mais de 600 drones em 24 de maio.

Ao mesmo tempo, o porta-voz da presidência russa afirmou que o país está preparado para resolver o conflito ucraniano pacificamente, mas destacou que, se a Ucrânia continuar a atrasar o processo e se recusar a tomar decisões sérias para alcançar uma solução pacífica, a operação militar especial continuará.

Zelensky faz apelo por mísseis Patriot dos EUA

Ao falar sobre o ataque da madrugada, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o país “precisa absolutamente” da ajuda militar dos Estados Unidos no fornecimento de mísseis Patriot.

“Um ataque massivo e uma declaração absolutamente transparente da Rússia: se a Ucrânia não for protegida de ataques com mísseis balísticos e outros mísseis, esses ataques continuarão”, escreveu Zelenskyy no Telegram.

O presidente acrescentou que a Europa precisa de seus próprios sistemas antimísseis balísticos “para que esta guerra possa finalmente terminar”. “E precisamos absolutamente da ajuda dos Estados Unidos no fornecimento de mísseis Patriot”, acrescentou.

Segundo ele, mais de 500 funcionários do Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia estão envolvidos nas consequências dos ataques noturnos.

Editado por: Rafaella Coury

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