PÚBLICO E GRATUITO

‘Tela Brasil pode ampliar circulação do cinema paraibano’, diz produtor do Cine Paraíso

João Paulo Lima, do festival audiovisual de Juripiranga (PB), avalia a recém-lançada plataforma brasileira de streaming

No audio source provided.
Lançamento da primeira plataforma pública federal de streaming do audiovisual brasileiro, Tela Brasil.
Lançamento da primeira plataforma pública federal de streaming do audiovisual brasileiro, Tela Brasil. | Crédito: Filipe Araújo / Minc

O Governo Federal lançou no último sábado (30) o Tela Brasil, plataforma de streaming nacional com catálogo de mais de 500 produções brasileiras, reunindo filmes, curtas-metragens, animações e seriados com a finalidade de democratizar o cinema do Brasil.

O catálogo inclui 19 filmes indicados ao Oscar e demais produções de prestígio. O projeto surgiu com o objetivo de criar um serviço público voltado exclusivamente ao audiovisual brasileiro, utilizado como uma ferramenta de soberania cultural para que os brasileiros tenham mais contato com suas próprias histórias e produções. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou: “Estamos garantindo que a população tenha acesso gratuito à nossa produção cultural, valorizando a diversidade, a memória e a potência criativa do país”.

Entre as centenas de obras disponíveis no catálogo, também há espaço para produções que carregam o nome da Paraíba e reforçam a contribuição do estado para o cinema nacional. Um dos destaques da plataforma é justamente um clássico protagonizado por uma artista paraibana que alcançou reconhecimento dentro e fora do país. “A Hora da Estrela”, filme baseado na obra de Clarice Lispector e dirigido por Suzana Amaral, é o longa-metragem mais reproduzido da plataforma e protagonizado pela paraibana Marcélia Cartaxo, atriz e diretora cajazeirense.

Além dos títulos já consagrados presentes na plataforma, o lançamento também reacende discussões sobre a circulação do audiovisual brasileiro.

Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2021, cerca de 50% dos filmes lançados no circuito nacional foram independentes. Os dados mostram que o fomento ao audiovisual independente no país seguia ativo mesmo durante um período de grandes desafios para o setor.

Nesse contexto, é importante se questionar para onde estão indo os filmes nacionais independentes e se há um aumento no investimento do audiovisual nesses anos,principalmente no contexto paraibano. O lançamento do Tela Brasil ocorre em um cenário em que realizadores e produtores buscam ampliar os espaços de circulação para obras brasileiras, especialmente as independentes. O Panorama do Mercado de Vídeo por Demanda (VOD) 2025 aponta baixa circulação de obras nacionais e reforça a necessidade de marco regulatório para ampliar visibilidade, diversidade e competitividade do audiovisual brasileiro.

O que a Tela Brasil significa para o cinema paraibano?

Mais do que uma plataforma de streaming, o Tela Brasil representa uma nova possibilidade de circulação nacional para o cinema paraibano. Para entender mais sobre a cena audiovisual do estado, o Brasil de Fato Paraíba conversou com João Paulo Lima, produtor cultural e idealizador do Cine Paraíso, festival audiovisual da cidade de Juripiranga (PB).

João Paulo Lima, produtor cultural e idealizador do festival audiovisual da cidade de Juripiranga (PB), Cine Paraíso / Rodrigo Barbosa (@rodrigobarbosa.fotografias).

“A Paraíba é um estado que produz muito cinema, tem uma grande quantidade de produção paraibana, principalmente depois de editais públicos de fomento e investimento na cultura.A grande maioria dos investimentos são federais, então é um estado que tem tido muitas obras produzidas, é um dos estados que mais apresentam janelas de exibição através de mostras e festivais.”, disse Lima.

Nesse cenário, plataformas como o Tela Brasil podem ampliar as possibilidades de circulação dessas obras para além dos festivais e mostras presenciais, permitindo que produções paraibanas alcancem públicos de diferentes regiões do país.

Para João Paulo, as maiores dificuldades de realizar um festival na Paraíba nascem a partir dos recursos. “A maior dificuldade de realizar (mostras e festivais) é poder conseguir recursos, porque a aprovação nesses editais depende de um projeto bem escrito, bem elaborado, contato com empresas privadas. Quem é do interior, de cidades pequenas, gera uma dificuldade maior em realizar seus eventos com esses recursos.”, explicou o idealizador do Cine Paraíso.

A proposta do Tela Brasil surge justamente em um contexto em que produtores e realizadores buscam novas formas de exibição para suas obras, ampliando o alcance de produções que muitas vezes circulam apenas em festivais e mostras.

Festivais e mostras como Cine Paraíso, Fest Aruanda, Cinecongo, Mostra Sumé de Cinema, entre outros, são as principais formas de circulação de obras produzidas no estado, como janela de acesso para a população e incentivo à produção de cinema na Paraíba. No edital Vladmir Carvalho de fomento a Mostras e Festivais de Cinema na Paraíba, serão mais de 18 mostras incentivadas pela política pública, com investimento público que totaliza R$ 1, 210 milhão para realizarem suas atividades ao longo de 2026.

Embora os festivais continuem sendo as principais janelas de exibição para o audiovisual paraibano, a chegada do Tela Brasil pode representar uma nova alternativa de acesso para o público e de visibilidade para os realizadores do estado.

Sobre esse crescimento, João Paulo afirma: “No último levantamento que eu participei, foram mais de 30 mostras e festivais distribuídas em todas as regiões do estado. Esse número vem crescendo a cada novo edital e a cada nova lei do estado.”

Exibição e circulação do cinema paraibano

Além dos festivais e mostras presenciais, e de iniciativas nacionais como o Tela Brasil, a Paraíba também conta com uma plataforma própria desenvolvida como iniciativa do festival Fest Aruanda: o Aruanda Play. A proposta funciona como uma vitrine para curtas, longas e obras que muitas vezes não chegam aos streamings. A distribuição independente dos filmes preserva a memória do audiovisual regional e incentiva a circulação das produções após as mostras de cinema.

Você pode conferir a iniciativa no site Aruanda Play

Como acessar o Tela Brasil

Com o recente lançamento, já é possível acessar a plataforma através do endereço do Tela Brasil. O serviço funciona sem anúncios ou mensalidades e pode ser acessado por qualquer cidadão com conta no Gov.br.

A chegada do Tela Brasil amplia as possibilidades de acesso ao audiovisual brasileiro e pode representar uma nova janela de exibição para produções paraibanas. Em um estado marcado pelo crescimento de mostras, festivais e iniciativas de circulação cultural, a plataforma surge como mais um espaço para aproximar o público das obras produzidas na Paraíba e fortalecer a presença do cinema regional no cenário nacional.

*Andrei Oliveira é estagiário de Jornalismo sob supervisão de Heloisa de Sousa

Editado por: Heloisa De Sousa

|

Newsletter