PAÍS SOBERANO

‘Traidores da pátria’: governo atribui ameaça de tarifas dos EUA à família Bolsonaro e promete aplicar lei da reciprocidade

Lula atribui ameaça dos EUA a família Bolsonaro e fala em reciprocidade tarifária

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O senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Crédito: Reprodução/X

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com dureza e tom de soberania à conclusão preliminar da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301, que pode resultar na imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta terça-feira (2), o Palácio do Planalto atribuiu a ofensiva norte-americana à atuação da família Bolsonaro junto a administração de Donald Trump e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade para responder a eventuais sanções.

Na nota, a gestão Lula diz que a investigação aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) teve início em julho de 2025 “por provocação da família Bolsonaro” e está ligada a uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil. A nota cita diretamente a viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington e acusa aliados do ex-presidente de conspirarem contra os interesses nacionais.

“Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”, afirma o texto.

O Planalto também lamentou que as negociações conduzidas pelo governo brasileiro com Washington estejam sendo prejudicadas por interesses políticos ligados ao campo bolsonarista. “É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares”, diz a nota.

Entre os alvos da investigação norte-americana está o PIX, sistema público de pagamentos instantâneos operado pelo Banco Central. O governo sustenta que não há qualquer fundamento para as acusações de práticas comerciais desleais e destaca que os Estados Unidos acumulam superávit comercial nas relações com o Brasil há mais de uma década.

“Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX”, afirma o documento.

A nota também ressalta que a maioria dos produtos importados dos Estados Unidos entra no Brasil sem cobrança de imposto de importação e que a tarifa média efetivamente aplicada aos produtos norte-americanos é de apenas 3,1%.

Para o governo, as medidas anunciadas pela administração Trump têm caráter político e representam uma ameaça à economia brasileira. O texto afirma que as tarifas têm sido um meio de “impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda”, além de reduzir a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro.

No posicionamento, a gestão volta a responsabilizar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro pela crise comercial e fez um apelo em defesa da soberania nacional. “É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro”.

Alckmin defende Pix e fala em ‘indignação’

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo Lula recebeu com “indignação” a recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para ampliar tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo ele, a medida é “extremamente injusta” e se baseia em argumentos que não correspondem à realidade da relação comercial entre os dois países.

À imprensa, Alckmin saiu em defesa do Pix, um dos alvos das críticas americanas. “O Pix é um patrimônio nacional, é uma conquista do povo brasileiro”, declarou. O vice-presidente também reforçou que o sistema de pagamentos instantâneos “não tem a menor lógica entrar nisso porque ele não prejudica ninguém e é altamente benéfico à população brasileira”.

Sem citar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, Alckmin atribuiu as pressões contra o Brasil à atuação de setores que estariam colocando interesses políticos acima dos nacionais. “Sempre que o diálogo avança, infelizmente, falsos patriotas, sabotadores, prejudicam, colocam seus interesses pessoais e eleitorais acima do interesse do país”, afirmou.

Na mesma linha, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, relacionou as investidas dos EUA à atuação da família Bolsonaro. “Mais uma vez a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao Pix”, disse. Durigan afirmou ainda que o sistema de pagamentos “é o maior símbolo da nossa soberania financeira” e garantiu que o governo Lula “não vai permitir jamais” que o tema seja colocado na mesa de negociações com Washington.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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