Nesta terça-feira (2), o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões em Pernambuco (Cemit) anunciou que ainda no mês de junho será retomado o programa de microchipagem de tubarões no litoral pernambucano, visando prevenir novos incidentes. No último domingo (31), uma criança de 11 anos foi mordida por um tubarão na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. E na segunda-feira (1º), uma jovem de 19 anos foi atacada na praia de Boa Viagem, no Recife, a apenas 10 quilômetros de distância do ataque do dia anterior.
As duas vítimas estão internadas em estado grave na UTI do Hospital da Restauração, no Recife. O menino de nome Lucas Sales foi mordido por um animal da espécie cabeça-chata com comprimento estimado em 2,5 metros. Já a jovem Marcela Santos foi vítima de um tubarão tigre de tamanho estimado de três metros. A criança precisou ter sua perna esquerda amputada, enquanto a moça teve sua perna direita arrancada ainda no mar pela mordida do animal. Já são quatro ataques em Pernambuco em 2026, com uma morte.
Os casos levaram o Governo de Pernambuco a acelerar o repasse de verbas para o programa de monitoramento, cujo edital foi vencido por um grupo coordenado pelo professor Paulo Guilherme Oliveira, do departamento de engenharia de pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O programa terá duração de dois anos, com investimentos da ordem de R$ 1 milhão, através da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe).
Em 2023, quando três pessoas foram atacadas num intervalo de um mês, o Governo de Pernambuco também anunciou a retomada da parceria com a UFRPE, o que não se concretizou.

Os animais serão capturados em embarcações, terão uma pequena antena instalada nos seus corpos através de cirurgias, e em seguida serão devolvidos ao mar. Serão 60 animais monitorados. Com os aparelhos, os pesquisadores poderão observar os deslocamentos dos animais e compreender seus comportamentos em relação a horários, maré, fases da lua, além da distribuição das espécies ao longo da costa.
A pesquisa terá foco prioritário nas duas espécies de maior porte na costa pernambucana, que são também as com maior ocorrência de ataques a seres humanos nas praias do estado: o tubarão cabeça-chata, que pode chegar até 3,5 metros de comprimento; e o tubarão-tigre (até 5,5 metros). O litoral de Pernambuco tem ocorrência de seis espécies de tubarões. Além das duas mencionadas, ocorrem também os tubarões de bico-fino (até 1 metro de comprimento), flamengo (até 1,2 metro), galha-preta (até 1,5 metro) e limão (até 3 metros), segundo o Cemit e a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco (Semas).
Pernambuco é recordista de ataques de tubarões
Tanto a criança quanto a jovem atacados neste início de semana estavam em área permitida para banho e numa profundidade considerada “rasa”, com água até 1 metro de profundidade, e próximos a outros banhistas. Especialistas apontam como fatores de risco a maré alta, que permite aos animais cruzarem a barreira de recifes de corais, além da turbidez da água do mar nos períodos de chuvas, impedindo que os tubarões diferenciem o que é sua presa natural.

As praias de Boa Viagem (25 ataques registrados) e Piedade (24) são as duas com maior número de ocorrências do tipo no litoral pernambucano, segundo dados do Cemit. O grupo, que reúne pesquisadores e representantes do poder público, informa que a região metropolitana do Recife tem 70 ocorrências do tipo e as outras 14 se deram no arquipélago de Fernando de Noronha. O litoral de Pernambuco é a região com mais registros de ataques de tubarão na América Latina. Com 82 ocorrências registradas ao longo de 34 anos, o estado nordestino tem uma média anual de 2,5 ataques.
Os Estados Unidos lideram o ranking global deste tipo de incidente. No país, o Museu da Flórida contabiliza os registros de ataques em todo o planeta ao longo dos séculos, colocando o Brasil em 4º lugar, atrás da África do Sul (255 registros), Austrália (642) e EUA (1.441). O Brasil tem 107 ocorrências, sendo Pernambuco responsável por 76,6% delas. O primeiro registro em praias pernambucanas ocorreu em 1992.
O Governo de Pernambuco emitiu nota, através da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), afirmando ter investido, desde 2023, cerca de R$ 5,5 milhões em ações de prevenção a incidentes do tipo, o que resulta numa média de R$ 1,4 milhão por ano. A Semas destaca como principal ação a instalação de placas de sinalização e conscientização ao longo dos 33 quilômetros de orla com maior risco de ataques.
*Com informações do NETV2.
