No marco dos cinco meses do sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e da deputada e primeira-dama, Cilia Flores, a ALBA Movimentos, junto à Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MS) fizeram uma ação de projeção para relembrar a data.
Os movimentos ocuparam prédios e monumentos da cidade com as projeções, simbolizando a unidade continental dos povos e de suas lutas. As frases “Fora Trump da América Latina”, “Venezuela se respeita” e “Liberdade para Maduro e Cilia já” foram iluminadas na cidade de São Paulo, com o objetivo de protestar contra a agressão militar promovida pelo Estados Unidoss, comandada por Donald Trump, em 3 de janeiro deste ano. A ação deixou mais de 100 mortos.
Acusados de crimes como conspiração para importar cocaína e posse de armas pesadas, Maduro e Flores estão presos nos Estados Unidos sem provas. Ambos já passaram por duas audiências desde o sequestro em Caracas.
Na primeira audiência, no dia 5 de janeiro, dois dias após a agressão militar à Venezuela e o sequestro do casal presidencial, ambos se declararam inocentes das acusações apresentadas pela justiça estadunidense e se autointitularam “prisioneiros de guerra”.
Conforme já apontado pelo Brasil de Fato, o juiz Alvin K. Hellerstein analisa um pedido da defesa para rejeitar as acusações contra Maduro e Flores. O advogado do presidente venezuelano, Barry Pollack, afirma que o governo estadunidense tem impedido o repasse de recursos à equipe de defesa do mandatário.
A legislação venezuelana obriga o Estado a cobrir as despesas legais de seu presidente. O próprio Maduro declarou sob juramento que lhe faltavam recursos próprios para sua defesa. Inicialmente, a justiça estadunidense havia autorizado os repasses. No entanto, a autorização foi revogada logo em seguida.
Está marcada para 30 de junho uma nova audiência judicial do casal. A sessão será realizada no Tribunal Distrital do Sul de Nova York às 12h no horário local. O magistrado atendeu a um pedido feito em conjunto pela promotoria e pelos advogados de defesa.
O ex-vice-presidente e ex-chanceler da Venezuela, o deputado nacional Jorge Arreaza, denunciou a ação estadunidense em entrevista ao Brasil de Fato.
“O presidente tem sua defesa e esperamos que possam fazer o máximo possível lá, mas esperamos que haja uma reflexão do povo estadunidense e da classe dirigente estadunidense. O mundo não pode se acostumar com forças militares de outros países sequestrando um presidente, bombardeando um país e levando-o. Isso é contrário ao direito internacional, sem dúvida, mas é contrário à civilidade, é a barbárie”, declarou Arreaza.
Por sua vez, o vice-ministro de Políticas Antibloqueio da Venezuela, William Castillo, afirmou que, para a institucionalidade venezuelana, Maduro segue sendo o presidente da República, e denunciou as irregularidades do processo jurídico.
“O presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela se chama Nicolás Maduro e está sequestrado nos Estados Unidos e submetido a um criminoso processo de lawfare jurídico”, afirmou.
