TRADIÇÃO

Corpus Christi: cidades de MG preservam tradição secular dos tapetes religiosos

Ouro Preto, Sabará, Mariana e outras cidades transformam ruas em manifestações de fé e arte popular

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Corpus Crhirsti
A tradição, herdada dos colonizadores portugueses e fortalecida durante o período colonial, permanece viva | Crédito: Turismo MG

Em Minas Gerais, o feriado de Corpus Christi segue marcado por uma das mais tradicionais expressões da religiosidade popular brasileira: os tapetes confeccionados nas ruas para a passagem das procissões católicas. Feitos com serragem colorida, flores, areia, borra de café, sal e outros materiais, os desenhos transformam centros históricos e bairros inteiros em verdadeiras galerias de arte a céu aberto.

A tradição, herdada dos colonizadores portugueses e fortalecida durante o período colonial, permanece viva especialmente nas cidades históricas mineiras. Em muitos municípios, moradores passam a madrugada confeccionando os tapetes que simbolizam a fé na Eucaristia e celebram o Corpus Christi, data dedicada ao corpo e sangue de Cristo.

Fiéis seguem tradição e confeccionam tapetes durante a madrugada em Muriaé, na Zona da Mata mineira. Foto: Divulgação

Entre os principais destinos da celebração está Ouro Preto. A cidade é considerada uma das maiores referências do país na tradição dos tapetes religiosos. As ladeiras de pedra recebem quilômetros de ornamentações produzidas coletivamente por moradores, artistas, estudantes, fiéis e turistas. Em 2025, mais de 20 mil pessoas participaram das celebrações no município, de acordo com informações da prefeitura do município. 

Durante a Semana Santa, os tapetes multicoloridos chegam a ocupar até quatro quilômetros das ruas da cidade barroca. Foto: Douglas Aparecido/ Agência Minas

Outra cidade onde a prática se mantém forte é Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). No centro histórico, ruas próximas às igrejas da cidade são tomadas pelos tapetes coloridos, confeccionados por irmandades religiosas, paróquias e moradores. A tradição é reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município.

Em Mariana, primeira capital de Minas Gerais, as celebrações também mobilizam a população. Os tapetes ocupam ruas históricas próximas às igrejas coloniais e reforçam a ligação entre patrimônio cultural e religiosidade popular.

60 dias após o domingo de Páscoa é quando se celebra a data de Corpus Christi, ou na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade, que remete à quinta-feira santa quando Jesus instituiu o sacramento da eucaristia. Foto: Felipe Cunha Prefeitura de Mariana

A tradição ainda permanece em cidades como Diamantina, Coronel Fabriciano, Uberaba e também em diversas cidades do Sul de Minas e do interior do estado, onde a produção dos tapetes envolve famílias inteiras e comunidades religiosas.

Em São Lourenço, no sul de Minas, essa tradição secular também é cultivada e, a cada ano, os artífices locais exercitam sua capacidade de criar novas versões do tapete de Corpus Christi. Foto: Divulgação

Em Belo Horizonte, embora em menor escala que nas cidades históricas, a tradição também segue presente. Igrejas da capital realizam a confecção dos tapetes em escadarias e vias próximas às paróquias, reunindo fiéis e visitantes.

Em BH, um dos momentos mais esperados é a procissão com um grande tapete de serragem confeccionado pelas ruas do Centro da cidade, unindo as igrejas Nossa Senhora da Boa Viagem e a igreja São José. Foto: PBH

Além do aspecto religioso, os tapetes de Corpus Christi também se consolidaram como patrimônio cultural e turístico de Minas Gerais. A prática reúne elementos da arte popular, da memória coletiva e da ocupação simbólica dos espaços urbanos, fortalecendo a identidade cultural mineira e atraindo visitantes de várias partes do país.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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