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López Obrador diz que Trump usa ‘tática hitleriana de repetir mentiras’ contra o México e pede volta do ‘outro Trump’

Ex-presidente mexicano sai em defesa de Claudia Sheinbaum e acusa setores dos EUA de tentarem enfraquecer o governo

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Donald Trump e Andrés Manuel López Obrador durante encontro na Casa Branca, em Washington (EUA), em julho de 2020
Donald Trump e Andrés Manuel López Obrador durante encontro na Casa Branca, em Washington (EUA), em julho de 2020 | Crédito: Jim Watson/AFP

O ex-presidente do México Andrés Manuel López Obrador publicou, na quarta-feira (3), uma carta em que faz duras críticas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e denuncia o que classificou como uma investida política contra o governo mexicano. No texto, o líder político manifesta “apoio sem condições” à presidenta Claudia Sheinbaum e acusa autoridades estadunidenses de tentarem interferir na política interna do país.

Segundo López Obrador, parte do governo dos EUA busca enfraquecer o partido governista Morena e fortalecer a oposição de direita mexicana. Para ele, o objetivo seria restaurar um governo “entreguista, corrupto, mafioso e cruel”, subordinado aos interesses estadunidenses.

A crítica mais contundente foi dirigida à forma como setores políticos dos Estados Unidos tratam o México no debate público. O ex-presidente afirmou que os EUA procuram responsabilizar o país pelos próprios problemas internos e utilizam uma “tática propagandística hitleriana de repetir e repetir mentiras” com vistas às eleições legislativas previstas para novembro.

Nos últimos meses, integrantes do governo mexicano denunciaram episódios que consideram ingerência dos EUA em assuntos internos, incluindo pressões relacionadas ao combate ao narcotráfico e à segurança.

Embora tenha criticado duramente a atual postura da Casa Branca, López Obrador fez uma distinção entre o Trump de seu primeiro mandato e o presidente que hoje ocupa o cargo.

“Que regresse o outro Trump”

Ao recordar sua convivência com o republicano entre 2018 e 2024, López Obrador afirmou que a relação bilateral foi marcada por diálogo e acordos. Segundo ele, divergências existiram, mas foram resolvidas sem confrontação.

O ex-presidente citou como exemplos a decisão de Trump de não classificar cartéis mexicanos como organizações terroristas após conversas entre ambos, a exclusão do petróleo mexicano do acordo comercial firmado entre os países e a cooperação durante a pandemia de covid-19.

López Obrador também lembrou que Trump chegou a reconhecer publicamente, durante um evento na Casa Branca, a contribuição dos migrantes mexicanos para a economia dos Estados Unidos.

Por isso, disse considerar “surpreendente” a mudança de postura do republicano. Em sua avaliação, o atual presidente estaria cercado por “falsos amigos e conselheiros internos e externos” que o conduzem a “aventuras vis e sinistras”.

Na parte final da carta, o ex-presidente mexicano afirmou esperar que Trump reveja suas posições e retome a forma de governar que, segundo ele, marcou o primeiro mandato. “Pelo bem de todos, que regresse o outro Trump”, concluiu.

Sheinbaum agradece apoio e reforça críticas aos EUA

Nesta quinta-feira (4), a presidenta Claudia Sheinbaum endossou o conteúdo da carta e agradeceu publicamente o apoio de López Obrador.

Durante entrevista coletiva, ela afirmou que adversários políticos tentam provocar divisões entre os dois líderes e voltou a denunciar uma campanha articulada por setores da ultradireita estadunidense e pela oposição mexicana para desgastar a relação bilateral.

A presidenta sustentou que existe uma tentativa de associar seu governo e o Morena ao crime organizado, narrativa que, segundo ela, busca enfraquecer a soberania mexicana e influenciar o debate político nos Estados Unidos antes das eleições legislativas.

Sheinbaum também relacionou as denúncias de López Obrador a episódios recentes que provocaram atritos diplomáticos, como a atuação de agentes da CIA em operações antidrogas no México e pedidos de extradição formulados pelo Departamento de Justiça dos EUA contra autoridades mexicanas.

Apesar das críticas, a mandatária afirmou que há setores do governo estadunidense que mantêm uma postura respeitosa em relação ao México e citou declarações recentes do secretário de Segurança, Markwayne Mullin, em defesa da soberania do país vizinho.

Editado por: Geisa Marques

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