LITERATURA

1ª Feira Literária de Ibicoara celebra literatura, oralidade e ancestralidade na Chapada Diamantina

Em três dias de programação gratuita houve apresentações artísticas, cinema estudantil e espaços infantis

No audio source provided.
Evento marcou a estreia de Ibicoara no circuito de feiras literárias do estado, valorizando saberes populares, ancestralidade e a produção artística regional
“O Poder da Oralidade na Literatura e Cultura Brasileira” foi o tema da 1ª Feira Literária de Ibicoara (FLIBIC) movimentou a cidade da Chapada Diamantina | Crédito: Barbara Lima

Com o tema “O Poder da Oralidade na Literatura e Cultura Brasileira”, a 1ª Feira Literária de Ibicoara (FLIBIC) movimentou a cidade da Chapada Diamantina entre os dias 21 e 23 de maio, reunindo milhares de visitantes nos três dias de programação cultural gratuita. Uma realização do Coletivo Baobá, o evento marcou a estreia de Ibicoara no circuito de feiras literárias do estado, valorizando saberes populares, ancestralidade e a produção artística regional.

A programação contou com apresentação das crianças do Cordel Renascer, mesas literárias, cortejo do Terno de Reis Estrela do Oriente, exposições e apresentações de estudantes das redes municipal e estadual; espaço Flibrincante, dedicado às crianças, com brincadeiras e contações de histórias; do projeto Leve e Leia da Fundação Pedro Calmon e da biblioteca móvel Carolina Maria de Jesus da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI). Além da exibição de produções audiovisuais de estudantes, contação musicada, shows e apresentações culturais ao final de cada dia. No último dia, a FLIBIC premiou os vencedores do concurso literário e promoveu ação solidária em parceria com o programa Bahia Sem Fome.

A coordenadora da FLIBIC, Lia Guanacé, compartilhou que houve retornos positivos das pessoas que compareceram à feira. “A FLIBIC foi realmente um marco e trouxe esse olhar para as pessoas de Ibicoara, de acreditar e ver que é possível fazer um evento literário, cultural, educativo de qualidade dentro do município”. Lia comentou ainda, que a organização da FLIBIC convidou as escolas municipais e estaduais de Ibicoara, Iramaia e Itaetê.

“Essas escolas apresentaram shows, peças de teatro e poesias que conversavam com o tema da feira. Tivemos uma apresentação em homenagem aos mestres da oralidade, algumas dessas escolas levaram os mestres para conhecer os alunos, e foi muito lindo ver esse engajamento de toda a comunidade escolar com a feira literária. Os jovens daqui de Ibicoara foram protagonistas durante a primeira feira literária”, ressaltou Lia.

A mesa “Narrar para Existir: Memória, Ancestralidade e Soberania Cultural”, com Maria Marighella, atriz e ex-presidenta da Funarte, ampliou o debate sobre arte, cultura, memória e identidade. Ela celebrou o ineditismo e a sensibilidade da FLIBIC ao escolher “O Poder da Oralidade” como tema central de sua primeira edição. “A cultura e a oralidade, as canções, as artes foram um recurso extremamente importante, uma tecnologia vigorosa para a formação de comunidade, de afetividade e de insurgência”, afirmou Maria Marighella .

O evento marcou a estreia de Ibicoara no circuito de feiras literárias do estado
Maria Marighella celebrou o ineditismo e a sensibilidade da FLIBIC ao escolher “O Poder da Oralidade” como tema central de sua primeira edição | Crédito: Barbara Lima

Ao abordar o cenário nacional, Marighella celebrou também a retomada da Política Nacional das Artes pelo Ministério da Cultura, que reconhece a arte como um bem coletivo e integra a literatura a outras linguagens, como teatro, música, dança e artes visuais. A ativista ressaltou o pioneirismo baiano na territorialização da cultura, compreendendo que cada região possui uma identidade própria. “O Brasil hoje tem mais de 300 festas literárias, e mais de 100 estão na Bahia. Isso não é qualquer coisa. A Bahia construiu instrumentos que hoje podem traduzir essa experiência em festas e feiras”, pontuou.

Ainda em sua fala, Marighella trouxe um dado interessante: dos 24 municípios que compõem a região, 11 já realizam feiras literárias. “É muita força de um território que tem uma identidade muito forte e um modo de ser muito vivo”, observou.

Jovens no protagonismo da FLIBIC

O autor independente Alléfi Pataxó escreveu seu primeiro livro chamado “Tapurumã e o Coração da Floresta”. Segundo ele, a ideia de fazer esse livro teve o objetivo de fazer com que o tema ocupe os espaços que os povos indígenas têm direito. “Principalmente em ambientes como a FLIBIC. A ideia é justamente trazer essa questão ancestral, esse conhecimento dos mais antigos, o que a gente chama de inteligência ancestral. A gente usa muito hoje a inteligência artificial, antes de pegar a inteligência ancestral, que é justamente o que esses ancestrais, esses mais velhos passam para a gente”, comentou.

Alléfi também trouxe a importância do respeito aos mais velhos que representam a memória viva e a questão ambiental. “Tapurumã é esse protagonista que é essa figura de vários indígenas que, pela primeira vez viram a devastação da natureza, só que com um final feliz, onde ele tem esse poder da palavra de conseguir mudar as pessoas e mexer com isso”, destacou.

Amanda Carvalho Ferreira, estudante do Colégio Estadual de Tempo Integral de Ibicoara (CETI), salienta que a feira foi muito importante para Ibicoara por permitir que os jovens que produzem poesia pudessem se apresentar. “Foi um um evento muito bom, porque a cultura de Ibicoara precisa ser preservada e precisa ser reconhecida em outros lugares da Bahia. Espero que tenha mais edições da FIBLIC. Foram três dias incríveis com muita arte, muita cultura, muita dança, muita música e eu espero que no ano que vem tenha mais pessoas de diversas regiões e que a feira fique conhecida”, concluiu.

Editado por: Jamile Araújo

|

Newsletter