525 homicídios

Justiça colombiana mantém condenação de Santiago Uribe por criação de grupo paramilitar

Irmão do ex-presidente Álvaro Uribe foi condenado por formar o grupo paramilitar 'Los doce apóstoles'

No audio source provided.
Santiago Uribe, irmão do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe
Santiago Uribe, irmão do ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe | Crédito: David Campuzano

A Câmara Criminal do Supremo Tribunal de Justiça da Colômbia confirmou, na quinta-feira (4), a sentença de 28 anos e três meses de prisão contra o latifundiário Santiago Uribe Vélez, irmão do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-2010), pela criação e financiamento do grupo paramilitar “Los Doce Apóstoles“.

Assim, o tribunal confirma a condenação proferida pelo Tribunal Superior de Antioquia em 25 de novembro de 2025. A sentença estipula ainda uma multa equivalente a 6.500 salários mínimos e a inabilitação para o exercício de cargos públicos por 20 anos.

A sentença do Tribunal confirmou que Santiago Uribe cometeu os crimes de conspiração para cometer crimes e homicídio, ambos agravados por participar na formação do grupo paramilitar “Los doce apóstoles”, uma organização originária do município de Yarumal, departamento de Antioquia (noroeste).

A sentença judicial de mais de 300 páginas detalha como o réu liderou a organização que realizou assassinatos seletivos utilizando listas negras. De acordo com a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), o grupo cometeu 525 homicídios nos distritos rurais da região, sendo Yarumal, Valdivia e Santa Rosa de Osos os municípios mais afetados.

Ele também foi condenado pelo assassinato de Camilo Barrientos, um motorista de ônibus morto em fevereiro de 1994 enquanto trabalhava na rota Yarumal-Campamento. Segundo a acusação, o crime fazia parte de uma “limpeza” orquestrada por “Los Doce Apóstoles“.

Para determinar a responsabilidade do réu, o tribunal avaliou 80 depoimentos de ex-policiais e trabalhadores rurais. Além disso, declarações dos ex-líderes paramilitares Salvatore Mancuso, Daniel Rendón Herrera e Diego Fernando Murillo Bejarano confirmaram que o irmão do ex-presidente Álvaro Uribe financiou diretamente o Bloco Metropolitano das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

O Ministério Público determinou que Santiago Uribe permitiu o treinamento de paramilitares e a realização de reuniões em sua propriedade, o condomínio “La Carolina”, para definir supostos assassinatos no âmbito de um plano de “limpeza social”.

O processo contra o latifundiário teve início em dezembro de 1995, foi temporariamente arquivado em 1999 e reaberto em 2010 após revelações da polícia. Essa ratificação judicial pela Suprema Corte estabelece um precedente histórico contra a impunidade do paramilitarismo na Colômbia, ao processar os vínculos entre as elites latifundiárias e as organizações criminosas.

A defesa do pecuarista Uribe foi conduzida pelo advogado Jaime Granados, que também representa o ex-presidente em seus processos judiciais e afirmou em diversas ocasiões que houve falsos testemunhos e até manipulação da mídia durante o processo.

“O Dr. Jaime Granados me informou que reportagens jornalísticas indicam que o Supremo Tribunal Federal confirmou a condenação do meu irmão Santiago. Isso é devastador para a minha família”, declarou o ex-presidente em mensagem publicada no X.

Álvaro Uribe foi acusado de supostos vínculos com grupos paramilitares durante seus anos como governador de Antioquia (1995-1997). Entre outros incidentes, ele está indiretamente ligado ao massacre de El Aro, no qual 17 agricultores foram mortos em outubro de 1997.

Editado por: Telesur
Conteúdo originalmente publicado em: Telesur

|

Newsletter