O presidente chinês Xi Jinping fará uma visita de Estado à República Popular Democrática da Coreia (RPDC) nos dias 8 e 9 de junho, a convite de Kim Jong Un, anunciou nesta quinta-feira (5) um porta-voz do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCCh).
Kim Jong Un é presidente da Comissão de Assuntos de Estado da RPDC e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia. Já o Departamento Internacional é o órgão do PCCh responsável pelas relações com partidos políticos estrangeiros.
A viagem será a primeira saída internacional do presidente chinês em 2026 e a segunda de Xi ao país como presidente. A anterior ocorreu em junho de 2019, quando Xi visitou Pyongyang e os dois líderes reafirmaram os laços bilaterais e discutiram a conjuntura na península coreana, segundo a agência de notícias Xinhua.
A China é o principal parceiro econômico e aliado diplomático da RPDC. Os países compartilham uma fronteira terrestre de cerca de 1.400 quilômetros e possuem um tipo singular de relação bilateral, o Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua sino-coreano, assinado em 1961. É a única parceria que a China possui que prevê obrigação jurídica de defesa mútua automática: em caso de guerra, cada país deve fornecer ao outro assistência militar total. O acordo foi firmado em Pequim pelo então primeiro-ministro Zhou Enlai e o líder norte-coreano Kim Il-sung. Este ano marca o 65º aniversário do tratado.
Em abril, durante visita a Pyongyang, o ministro das Relações Exteriores Wang Yi descreveu a amizade entre os dois povos como “forjada em laços de sangue e inabalável e inquebrantável”, segundo a Xinhua.
Intensificação dos contatos bilaterais
A visita de Xi é o ponto mais alto de uma série de aproximações. Em setembro de 2025, Kim Jong-un viajou a Pequim para as comemorações dos 80 anos da vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa e da Guerra Mundial Antifascista e se reuniu com Xi no Grande Salão do Povo. Em outubro, o primeiro-ministro Li Qiang visitou Pyongyang, primeira visita de um alto funcionário chinês ao país desde a pandemia.
Em março deste ano, os países retomaram os serviços ferroviário e aéreo entre as duas capitais, suspensos em 2020. O serviço ferroviário, reativado em 12 de março, cobre a rota Pequim-Pyongyang com paradas em Dandong, na fronteira sino-coreana. A Air China retomou os voos em 30 de março.
Em 10 de abril, Wang Yi foi o primeiro ministro das Relações Exteriores da China a visitar Pyongyang em mais de seis anos. Na ocasião, os dois chanceleres concordaram em fortalecer a cooperação estratégica e implementar o consenso alcançado no encontro entre Xi e Kim em setembro.
Pequim defende a solução negociada para a questão nuclear na península e tem criticado as sanções unilaterais estadunidenses como obstáculo ao diálogo. O Ministério das Relações Exteriores da China tem classificado os exercícios militares regulares entre Washington e Seul como provocadores e defendido a retomada das negociações multilaterais sobre a desnuclearização.
