Modelo arcaico

Ato contra instalação de incinerador de lixo em Perus denuncia impactos ambientais e à saúde

Participantes criticam falta de consulta às populações e defendem práticas sustentáveis nos territórios

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Mobilização reuniu moradores, indígenas, catadores e movimentos populares para denunciar riscos ambientais e à saúde associados ao projeto
Mobilização reuniu moradores, indígenas, catadores e movimentos populares para denunciar riscos ambientais e à saúde associados ao projeto | Crédito: Marcos Morcego

Movimentos populares, organizações socioambientais, indígenas e moradores da região de Perus, na zona noroeste de São Paulo, realizaram um ato neste sábado (6) contra a instalação de um incinerador de lixo na região e denunciaram seus potenciais impactos socioambientais. Apesar das críticas em contexto mundial, quatro incineradores de lixo estão previstos para serem instalados na capital paulista. 

Além de caminhada, música, falas públicas, bandeiras e cartazes, a atividade contou com o plantio simbólico de mudas na Praça Inácia Dias, em frente à estação Perus da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O gesto marcou a defesa da vida, da recuperação ambiental e de práticas mais sustentáveis no tratamento dos resíduos sólidos na cidade de São Paulo. 

A mobilização integra a Jornada da Natureza e Seus Povos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Participaram ainda a Marcha pelo Clima, o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), além do movimento local Incinerador de Lixo em Perus, Não!.

O ato denunciou os possíveis impactos com a proposta da instalação de incineradores de lixo em diferentes regiões da cidade, incluindo a região noroeste (onde está Perus), além de Leste, Norte e Sul. As críticas alertam para as questões ambientais, com riscos relacionados à emissão de poluentes atmosféricos, agravamento da crise climática e efeitos sobre a saúde das populações vizinhas.

Segundo os movimentos, a proposta avança sem o devido diálogo com as comunidades afetadas. “Perus é território de luta! Território de resistência! Tem sabedoria para se unir aos movimentos populares, aos indígenas, catadores. Povo reunido para caminhar pela vida, defender a natureza e enfrentar aqueles que querem colocar o lucro acima da vida com a instalação desse incinerador”, afirmou José Carlos Miranda, membro do movimento Incinerador em Perus, Não!.

Militante do MST, Luciano Carvalho relacionou a luta contra o incinerador às críticas ao modelo do agronegócio, ao listar que o setor “se disfarça como motor da sociedade, mas é o principal causador do desmatamento, expulsão dos povos indígenas, quilombolas e camponeses de seus territórios e poluidor com o uso de venenos”. Ele também questionou a ausência de estudos mais aprofundados sobre os impactos da atividade. “Na Europa não pode incinerador. Por que colocar aqui?”, indagou.

Jornada da Natureza leva protesto contra incinerador de lixo à zona noroeste de São Paulo
Jornada da Natureza leva protesto contra incinerador de lixo à zona noroeste de São Paulo. Foto: Marcos Morcego

Representando a Terra Indígena Jaraguá, Txai Suruí denunciou a proximidade do empreendimento com o território originário e a falta de consulta prévia às comunidades. “Estamos aqui para dizer não ao incinerador. Nós, que sempre cuidamos das florestas, das nascentes e da vida, não aceitamos esse projeto de morte. Essa fumaça contamina o solo, a água e ameaça nossas crianças e idosos”, declarou.

Segundo ela, o empreendimento está localizado a menos de quatro quilômetros da terra indígena. “Jamais fomos consultados sobre esse projeto. Estamos aqui para dizer que não aceitamos empreendimentos que coloquem a vida em risco”, completou.

A mobilização também reforçou a necessidade de unidade entre organizações populares, ambientais e comunitárias. Os participantes destacaram a importância da construção coletiva de uma agenda em defesa da natureza e da saúde pública, em defesa de práticas que priorizem a reciclagem, a participação popular e a proteção dos territórios.

Editado por: Rodrigo Gomes

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