Esquerda X direita

‘Existe uma crise institucional no Peru e sociedade está desacreditada’, diz internacionalista

Bárbara Nevez comenta eleições presidenciais no Peru, que estão sendo disputadas voto a voto

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A candidata conservadora Keiko Fujimori e o candidato da esquerda Roberto Sánchez
A candidata conservadora Keiko Fujimori e o candidato da esquerda Roberto Sánchez | Crédito: Ernesto Benavides / AFP

Com mais de 90% das urnas apuradas, o cenário da eleição presidencial no Peru segue indefinido. Os candidatos Keiko Sofia Fujimori Higuchi e Roberto Herlbert Sanchez Palomino disputam voto a voto, com pequena vantagem para a filha do ex-ditador Alberto Fujimori.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Bárbara Neves, doutora em Relações Internacionais e coordenadora adjunta de Relações Internacionais da Universidade Positivo, pondera que a disputa presidencial no Peru é uma das mais complexas da América Latina por conta da história recente do país, que, em dez anos, teve oito presidentes. “Existe uma crise institucional crônica e a sociedade está muito desacreditada, não só pelas questões de corrupção, mas pelo sentimento de que, independentemente do governo que entra e que sai, as coisas não mudam no país. E aí o efeito econômico, social, acaba não chegando a essa sociedade. É um cenário de muita insatisfação popular sobre o que está acontecendo no país”, avalia.

“É a primeira eleição em muitos anos que a sociedade voltou a eleger os senadores. Isso era feito de maneira indireta. Em termos de buscar solução, seria uma maior participação da sociedade no fazer política, um maior entendimento de como funciona isso e uma maior fiscalização. É um problema estrutural e histórico que vem piorando cada vez mais. Falta de reformas, de fiscalização, muita corrupção no país, por isso é difícil pensar numa solução no curto prazo”, argumenta.

Segundo Neves, os dois projetos de país que estão em disputa não trazem propostas concretas de participação popular. “O projeto da Keiko está focado na questão econômica, é mais liberal e conservador, e o projeto de Sanchez tem questões mais ligadas ao movimento de esquerda, mas não tem nada claro sobre participação popular. Ambos os candidatos estão preocupados com a economia e com a questão da segurança pública e da luta contra a criminalidade dentro do país, que tem sofrido com o crescimento do narcotráfico. Ambos os projetos são limitados para pensar na questão institucional do país”, explica.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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