MAS SERÁ?

Apesar de ataques de Israel no Líbano, Trump diz que acordo com Irã está próximo

Irã tenta estender ao Líbano sua trégua com os Estados Unidos, apesar de repetidos ataques de ambas as partes

No audio source provided.
Ataques aéreos israelenses na área de Burj al-Chamali, perto da cidade de Tiro, no sul do país, em 2 de junho de 2026
Ataques aéreos israelenses na área de Burj al-Chamali, perto da cidade de Tiro, no sul do Líbano, em 2 de junho de 2026 | Crédito: Kawnat HAJU / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (9) que a diplomacia estadunidense está na “fase final” da negociação de um acordo com o Irã, um dia após a suspensão das hostilidades entre a República Islâmica e Israel.

“Estamos na fase final do que será um acordo muito, muito bom“, declarou Trump a jornalistas. Ele acrescentou que o acordo pode ser concluído em “dois ou três dias”.

Na segunda-feira, Israel e Irã anunciaram o fim das hostilidades após uma onda de ataques mútuos que colocou em perigo a frágil trégua na guerra do Oriente Médio, em vigor desde abril.

Trump, que busca uma solução para o impopular conflito à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato, fez um apelo para que Irã e Israel encerrem a guerra. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que “o fogo nesse front está sob controle”, horas depois de Teerã declarar que havia encerrado sua ação militar.

Nesta terça, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, alertou que a resposta de Teerã continuará a menos que medidas genuínas de fomento da confiança sejam tomadas.

“Quebramos a equação de um cessar-fogo que existe no papel, mas que é repetidamente violado no terreno. Enquanto não houver uma vontade genuína de construir confiança, a resposta do Irã continuará a mesma”, disse ele em publicação em sua conta no Google+.

Questão libanesa

A República Islâmica lançou mísseis no domingo em resposta aos ataques que Israel realiza no Líbano, alegadamente contra seu grupo aliado, o Hezbollah. A represália desencadeou uma nova onda de mísseis iranianos, antes de Teerã anunciar que suspenderia as hostilidades.

O Irã tenta estender ao Líbano sua trégua com os Estados Unidos, apesar de repetidos ataques de ambas as partes.

Porém, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, insiste que a campanha no Líbano continuará de qualquer maneira. Ele afirmou que o país atingirá os subúrbios do sul de Beirute, dominados pelo Hezbollah, em retaliação a cada bombardeio do grupo contra o norte de Israel.

Na manhã de terça-feira, o Exército israelense ordenou aos habitantes da cidade de Tiro e de suas imediações, no sul do Líbano, que abandonassem a região em previsão de ataques. Oito pessoas foram mortas após a ofensiva das forças militares de Israel.

Trump, que, segundo a imprensa, mostra-se cada vez mais exasperado com Netanyahu, havia pedido às partes para cessar os “disparos” e chegou a dizer que as “negociações finais” rumo à paz continuarão, “a menos que a ignorância ou a estupidez atrapalhem o caminho”.

O presidente declarou ao site de notícias Axios que disse a Netanyahu: “Bibi, você deveria tomar cuidado ou muito em breve ficará sozinho”. O primeiro-ministro israelense, no entanto, ressaltou ter dito a Trump que “Israel tem o pleno direito à autodefesa”.

Diplomacia

Na segunda-feira (8), em Teerã, havia poucos indícios de um possível retorno à guerra, com terraços de cafés lotados. O trânsito parecia mais tranquilo do que o habitual para um dia útil, e também havia muito mais gente nas filas dos postos de gasolina, conforme relatado pela agência de notícias AFP.

Maryam, 41 anos, que trabalha na área de contabilidade na capital iraniana, descreveu “uma sensação de incerteza e confusão”. “Você não sabe se vai haver uma guerra, nem sabe se o acordo de paz vai durar. Nada está claro”, disse à AFP.

Em outro sinal de tranquilidade, agências de notícias iranianas informaram na manhã desta terça-feira a reabertura do aeroporto internacional da capital, que havia sido fechado devido a lançamentos de mísseis.

A troca de disparos entre Irã e Israel ocorreu em um momento crítico para os esforços diplomáticos, dos quais o Paquistão participa como mediador.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, afirmou na segunda-feira que a diplomacia continuava fazendo seu trabalho, embora pudesse ser afetada pelos combates.

O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, visitou Teerã para entregar o que descreveu como uma “carta especial” ao líder supremo, Mojtaba Khamenei, segundo a televisão estatal.

Editado por: Geisa Marques

|

Newsletter