Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã nesta terça-feira (9), com uma série de bombardeios, em retaliação à derrubada mais cedo de um helicóptero Apache na região do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o país persa pela queda da aeronave. O Irã não confirmou a ação.
A agência de notícias iraniana Fars relatou explosões em áreas do leste da província de Hormozgan, incluindo Kuhestak, Sirik e Minab. Também foram registrados ataques na ilha de Qeshm, em Ormuz, e nas cidades de Bandar Abbas, Sirik, Kohstak e Minab, no sul do país, segundo a Al Jazeera.
“As forças do Comando Central dos EUA (Centcom) começaram a lançar ataques de autodefesa contra o Irã, por ordem do Comandante-Chefe [o presidente dos EUA, Donald Trump], em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército dos EUA ontem”, informou o Centcom, pelas redes sociais.
O Irã ativou sua defesa antiaérea e ameaça retaliar com bombardeios contra alvos estadunidenses no Oriente Médio. “Saiam da nossa região se quiserem estar seguros”, postou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. “Apesar das derrotas no campo de batalha, os EUA optaram por testar nossa determinação. Nossas poderosas Forças Armadas não deixarão nenhum ataque ou ameaça sem resposta”, complementou.
O bombardeio ocorre horas depois de Trump acusar o Irã de ter derrubado o helicóptero e ter prometido uma resposta. “Esta é uma resposta ao que eles fizeram com nosso helicóptero ontem à noite, e acredito que a resposta deve ser muito forte, muito poderosa. E é isso que ela é”, disse Trump à emissora ABC.
A retomada do conflito se dá em meio a mais uma tentativa de acordo para cessar o conflito entre EUA e Irã, iniciado por um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro. Os países atualmente estão com um acordo de cessar-fogo em vigor, mas o conflito pode escalar novamente.
Irã e Israel
Após 100 dias de guerra e da entrada em vigor de um frágil cessar-fogo, em 8 de abril, Irã e Israel voltaram a se atacar no domingo e na segunda-feira. A nova ofensiva deixou três mortos, entre eles dois militares, e 15 feridos no Irã, segundo um novo balanço da TV estatal, divulgado nesta terça-feira.
Trump, que busca uma saída para este conflito impopular nos Estados Unidos com a proximidade das eleições de meio de mandato, tinha instado os dois países a cessarem as hostilidades “de imediato”.
O Irã anunciou o fim de sua operação na segunda-feira (8) e Israel fez o mesmo logo depois.
Em menos de 24 horas, o Irã lançou cerca de 30 mísseis contra Israel, segundo um comandante militar israelense, em resposta a um ataque no domingo contra os subúrbios do sul de Beirute, reduto do movimento islamista libanês pró-iraniano Hezbollah. Duas pessoas morreram e 20 ficaram feridas.
Embora o Irã tenha anunciado “o fim da operação” na segunda-feira, também advertiu que, em caso de “continuação da agressão e das hostilidades, inclusive no sul do Líbano, seriam empreendidas ações muito mais severas e repressivas do que antes”.
Teerã exige que um acordo para encerrar o conflito inclua o fim dos combates no Líbano, arrastado para a guerra quando o Hezbollah atacou Israel, em 2 de março, em represália pela morte do anterior líder iraniano, Ali Khamenei. Washington, ao contrário, deseja abordar o conflito no Líbano separadamente.
