ORGANIZAÇÃO POPULAR

Mulheres quilombolas se reúnem em Brasília para discutir sobre territórios, clima e direitos

Mais de 500 lideranças participam do encontro nacional que também marca 30 anos da Conaq

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2° Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas aconteceu em 2023
2° Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas aconteceu em 2023 | Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil

As mudanças climáticas, a defesa dos territórios e a proteção de lideranças comunitárias estarão no centro dos debates do 3º Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas, que reúne mais de 500 participantes em Brasília nesta semana.

Entre esta quarta-feira (10) e domingo (14), mais de 500 lideranças participam do encontro, realizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq). O evento marca os 30 anos da entidade e reúne representantes dos 24 estados brasileiros, além de delegações de outros países, para debater os desafios enfrentados pelas comunidades quilombolas diante da crise climática, da violência e da disputa por territórios.

O encontro acontece em um momento em que mulheres quilombolas seguem enfrentando desafios que vão da violência nos territórios aos impactos das mudanças climáticas, sem deixar de sustentar as atividades produtivas, os cuidados comunitários e a preservação dos saberes ancestrais.

“É essencial levarmos aos territórios a mensagem de que a gente continua em marcha, na luta pela defesa dos nossos direitos, dos direitos territoriais, ancestrais e, sobretudo, dos direitos da mulher”, afirma Sandra Braga, coordenadora executiva da Conaq.

Território, corpo e resistência

A programação mistura debate político, troca de experiências e celebração da cultura quilombola. Mas o encontro também surge em um momento de preocupação crescente com os impactos das mudanças climáticas nas comunidades tradicionais, que convivem com secas prolongadas, alterações nos ciclos produtivos e ameaças aos seus modos de vida.

Um dos principais momentos do encontro será o lançamento do Plano Emergencial para Mulheres Ameaçadas em seus Territórios. Construída a partir da escuta de lideranças quilombolas de várias regiões do país, a iniciativa busca oferecer caminhos para proteção, acolhimento e fortalecimento de mulheres que vivem sob ameaça por atuarem na defesa de seus territórios.

Para Selma Dealdina Mbaye, articuladora política da Conaq, a luta pelo reconhecimento dos territórios quilombolas está diretamente ligada à proteção da vida e da memória dessas comunidades. “Lutamos pela titulação dos nossos territórios porque precisamos proteger nossos corpos e nossa história”, afirma.

Mulheres quilombolas e a luta climática

As discussões sobre clima ganham destaque no segundo dia do encontro, com o lançamento da publicação Vozes Quilombolas: mulheres em defesa do clima. O material reúne reflexões e experiências de mulheres que acompanham, em seus próprios territórios, os efeitos das transformações ambientais e os desafios para preservar os biomas onde vivem.

Além de debates, o encontro abre espaço para a valorização dos saberes tradicionais. Agricultoras, artesãs, raizeiras, benzedeiras e parteiras participam da Feira de Saberes Tradicionais, que apresenta a diversidade da produção quilombola em diferentes regiões do país. A programação inclui ainda exposições fotográficas, exibições de filmes, apresentações culturais e um desfile de moda afro-quilombola.

Para Rosalina dos Santos, coordenadora nacional da Conaq pelo Piauí, o encontro também representa um momento de celebração da trajetória construída pelas mulheres dentro do movimento quilombola.

“A gente tem muito o que celebrar nesses 30 anos como mulheres quilombolas. Será um grande intercâmbio entre mulheres de todos os biomas brasileiros e também de outros países, compartilhando experiências, desafios e formas de resistência”, afirma.

Segundo a liderança, o encontro reforça um processo que vem sendo construído ao longo dos anos. “Quero acreditar que o 3º Encontro de Mulheres Quilombolas será não um ponto de partida, mas a continuidade dessa luta, passando de geração em geração”.

Trinta anos após a sua criação, a Conaq reúne em Brasília mulheres que seguem ocupando espaços de articulação política sem deixar de lado as pautas históricas do movimento. Em comum, elas carregam a defesa dos territórios, da memória de seus ancestrais e do direito de continuar existindo e produzindo vida em seus quilombos.

Serviço

3º Encontro Nacional de Mulheres da Conaq – Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia: somos o começo, o meio e o começo!

Data: dias 10 a 14 de junho

Local: Divino Paraíso (Via Tamanduá-Sentido Brasília/Goiânia)

Entrada para Embrapa (Hortaliça MD 01 06 – Gama – Brasília, DF)

Mais informações no Instagram @conaquilombos


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Editado por: Clivia Mesquita

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