A possibilidade de um encontro bilateral durante a cúpula do G7 entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump não está é discutida neste momento pelo governo brasileiro. O chefe do Executivo brasileiro viaja neste domingo (14) para Évian, na França, onde deve iniciar reuniões já na segunda-feira (15).
A avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty é de que os principais temas que hoje permeiam a relação entre os dois países já possuem canais próprios de negociação e não demandam, por ora, uma reunião formal entre os chefes de Estado.
Membros da administração petista pontuam que não há pedido brasileiro para uma bilateral com Trump, nem tratativas em andamento para organizar um encontro reservado entre os dois presidentes durante a cúpula.
A leitura de auxiliares é de que questões sensíveis, como as disputas comerciais e as medidas anunciadas recentemente por Washington contra setores da economia brasileira, já estão sendo tratadas por grupos técnicos e por interlocutores diplomáticos dos dois países. Nesse contexto, uma reunião presidencial não produziria resultados concretos imediatos.
A avaliação também leva em conta o cenário internacional. Interlocutores do presidente observam que o governo norte-americano ainda conduz processos internos relacionados às tarifas e investigações comerciais em curso, o que limita a margem para eventuais decisões políticas de curto prazo.
Ainda assim, integrantes do governo evitam descartar completamente uma interação entre Lula e Trump durante o encontro internacional. Como ambos participarão das mesmas atividades da cúpula, é considerada natural a possibilidade de cumprimentos ou conversas rápidas nos corredores ou durante as sessões de trabalho.
Nos bastidores, a percepção é que um contato protocolar entre os dois líderes não representaria novidade, uma vez que encontros informais costumam ocorrer em fóruns multilaterais. A diferença, segundo interlocutores do governo, é que não existe expectativa de uma reunião estruturada, com pauta definida e participação de delegações dos dois países.
A participação de Lula no G7 deve estar concentrada nas discussões sobre desenvolvimento, combate às desigualdades globais, financiamento climático e governança econômica internacional. O presidente também deverá defender o fortalecimento do multilateralismo e criticar medidas unilaterais que, na avaliação do governo, contribuem para aumentar as tensões comerciais e os desequilíbrios da economia global.
