SEGURANÇA ALIMENTAR

Mulheres quilombolas lançam empreendimento comunitário e Rede CSA Parahyba celebra seis anos em João Pessoa

Encontro neste sábado (13) reúne agricultura familiar, economia solidária, cultura popular e debates

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Evento reúne agricultura familiar, cultura, economia solidária e debate sobre soberania alimentar
Evento reúne agricultura familiar, cultura, economia solidária e debate sobre soberania alimentar | Crédito: Card | Divulgação

A força das mulheres quilombolas, a valorização da agricultura familiar e a construção de redes de consumo responsável estarão no centro do evento “Da Terra à Mesa: Mulher Raiz e Rede CSA Parahyba”, que será realizado neste sábado (13) das 9h30 às 15h30, no Armazém do Campo, no bairro Castelo Branco, em João Pessoa. A programação marca o lançamento do empreendimento comunitário Mulher Raiz, iniciativa formada por mulheres do Quilombo Senhor do Bonfim, em Areia, e celebra os seis anos de atuação da Rede CSA Parahyba, organização dedicada ao fortalecimento das Comunidades que Sustentam a Agricultura na Paraíba (CSA-PB).

Ao longo do dia, o público poderá participar de feiras de produtos da agricultura familiar e de artesanato, rodas de conversa, atividades voltadas para crianças, exposição fotográfica e apresentações culturais. Segundo os organizadores, a proposta é aproximar agricultores, consumidores e instituições parceiras em torno de temas como soberania alimentar, economia solidária e fortalecimento dos territórios rurais e quilombolas.

Protagonismo das mulheres do Quilombo do Bonfim

Um dos principais momentos do encontro será o lançamento do Mulher Raiz, empreendimento comunitário criado por mulheres do Quilombo Senhor do Bonfim. O grupo atua no beneficiamento de frutas produzidas no território, transformando matérias-primas locais em geleias, doces e licores.

A primeira roda de conversa do evento, programada para acontecer das 10h às 12h, será dedicada à apresentação da trajetória do grupo. O debate contará com a participação de integrantes do Mulher Raiz, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Armazém do Campo, da Rede CSA Parahyba, da Incubadora Universitária de Empreendimentos Econômicos Solidários da Universidade Federal da Paraíba (Incubes/UFPB) e da Associação Cultural de Apoio ao Desenvolvimento Econômico (Acade).

Evento reúne feira, cultura e atividades para crianças

A programação busca integrar diferentes dimensões da vida comunitária. Além da comercialização de alimentos produzidos por agricultores familiares e quilombolas, haverá uma feira de artesanato organizada em parceria com a Feira Paraibana.

O público também poderá visitar uma exposição fotográfica da fotógrafa Carol Marini, que apresenta registros do cotidiano e das atividades desenvolvidas no Quilombo Senhor do Bonfim.

Para as crianças, estão previstas atividades de contação de histórias, pintura e plantio de mudas, distribuídas entre os turnos da manhã e da tarde.

Já no horário do almoço, a programação cultural contará com apresentação do cantor, compositor e violonista paraibano Afrosonoro.Rede CSA Parahyba celebra trajetória iniciada em 2020

A comemoração dos seis anos da Rede CSA Parahyba também integra a programação do encontro. A iniciativa nasceu em abril de 2020, junto à criação da CSA Flor de Mel, considerada a primeira experiência de Comunidade que Sustenta a Agricultura no estado.

Segundo a Rede CSA Parahyba, a organização foi criada com o propósito de posicionar as Comunidades que Sustentam a Agricultura como pauta relevante para a agricultura familiar paraibana e contribuir para a consolidação e multiplicação desse modelo no estado.

Dados apresentados pela rede informam que a CSA Flor de Mel começou reunindo cerca de dez co-agricultores em João Pessoa juntamente com o agricultor quilombola Geraldo Gomes, do Quilombo Senhor do Bonfim, em Areia. Atualmente, a experiência conta com 21 co-agricultores.

As informações estão disponíveis na página oficial da Rede CSA Parahyba.

Fortalecimento dos territórios

Marine Vasselin, uma das cofundadoras da Rede, afirma que o evento busca reunir diferentes atores envolvidos na construção de alternativas de produção e consumo de alimentos.

“Esse evento é uma oportunidade para celebrarmos os seis anos de existência da Rede CSA Paraíba, a rede das Comunidades que Sustentam a Agricultura, e também para fazermos o lançamento da Mulher Raiz, que é um empreendimento comunitário quilombola que nasce da força das mulheres do Quilombo do Bonfim. Elas estão produzindo geleias, doces e licores a partir das frutas locais.”

Ao comentar a programação, Marine destaca que o evento pretende aproximar consumidores e produtores, além de fortalecer a visibilidade dos territórios quilombolas.

“A programação do dia está muito bonita. Você vai encontrar a feira de produtos da agricultura familiar, com a participação dos agricultores assentados que já fazem parte da feira do Armazém do Campo, além dos produtores do Quilombo do Bonfim, que também estarão presentes. Vai ter feira de artesanato, em parceria com a Feira Paraibana, e também vamos prestigiar a exposição fotográfica de Carol Marini, com registros belíssimos do Quilombo do Bonfim.”

Ela também ressalta a presença de espaços dedicados à formação política e ao debate sobre desenvolvimento territorial.

“Teremos ainda espaço criança, pela manhã e à tarde, com atividades de contação de histórias, pintura e plantio de mudas. E teremos dois momentos de roda de conversa. O primeiro, pela manhã, será sobre o lançamento da Mulher Raiz, com a presença de parceiros importantes nessa construção, como a Incubes/UFPB, a Acade, o Armazém do Campo e a Rede CSA Paraíba.”

No segundo momento de debate, Marine afirma que a proposta é refletir sobre os desafios e avanços das Comunidades que Sustentam a Agricultura na Paraíba.

“À tarde, teremos outra roda de conversa sobre os seis anos da Rede CSA Paraíba, com a presença dos agricultores do Quilombo do Bonfim, das Embaúbas, no bairro de Jacarapé, em João Pessoa, e de outros produtores da rede.”

Segundo ela, a iniciativa está vinculada ao projeto “Raízes do Bonfim e Redes Sociais Paraíba: Cuidar da Soberania Alimentar”.

“E lembrando que este evento é realizado dentro do projeto Raízes do Bonfim e Redes Sociais Paraíba: Cuidar da Soberania Alimentar, com apoio da Rede da Sociobiodiversidade, uma iniciativa em parceria com o Fundo Socioambiental Caixa.”

O que são as Comunidades que Sustentam a Agricultura

As Comunidades que Sustentam a Agricultura são um modelo de organização baseado na corresponsabilidade entre agricultores e consumidores. Nesse sistema, as famílias consumidoras assumem compromisso de apoiar previamente a produção agrícola, compartilhando riscos e benefícios da atividade rural.

Segundo a Associação CSA Brasil, o movimento surgiu no Japão na década de 1970, espalhou-se para países da Europa e América do Norte e passou a ganhar força no Brasil nos anos 2010. O modelo busca reduzir a dependência de intermediários, estimular circuitos curtos de comercialização e fortalecer práticas agroecológicas.

Dados da CSA Brasil indicam que centenas de grupos já foram formados em diferentes estados brasileiros, promovendo relações mais próximas entre quem produz e quem consome alimentos.

Especialistas em desenvolvimento rural apontam que iniciativas desse tipo podem contribuir para a diversificação da renda agrícola, para a valorização da produção local e para a ampliação da segurança alimentar das comunidades participantes.

Contexto nacional: agricultura familiar e soberania alimentar

Dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a agricultura familiar responde pela maior parte dos estabelecimentos rurais brasileiros, desempenhando papel relevante na produção de alimentos consumidos internamente no país.

Pesquisas desenvolvidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura – FAO e por instituições acadêmicas brasileiras indicam que sistemas alimentares baseados em circuitos locais de comercialização podem contribuir para fortalecer a soberania alimentar, ampliar a renda dos agricultores e estimular práticas produtivas mais sustentáveis.

Nesse contexto, experiências como as Comunidades que Sustentam a Agricultura e iniciativas de empreendedorismo comunitário protagonizadas por mulheres rurais e quilombolas têm sido apontadas por pesquisadores como estratégias importantes para fortalecer economias locais, preservar conhecimentos tradicionais e ampliar oportunidades de geração de renda nos territórios.

Editado por: Cida Alves

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