RECADO AOS LÍDERES

No G7, Lula pretende criticar governança mundial do pós-guerra e defender mais espaço para o Sul Global

Presidente deverá criticar protecionismo e chamar atenção para como disputas comerciais afetam os países emergentes

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras (SE).
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante anúncio de Investimentos da Petrobras em Pedra Branca, Laranjeiras (SE). | Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá aproveitar a cúpula do G7, em Évian, na França, para reforçar pautas que vêm orientando a atuação internacional do Brasil desde o retorno do petista ao Palácio do Planalto. A expectativa do governo é que o encontro sirva para ampliar a defesa de uma agenda voltada aos interesses dos países em desenvolvimento, com críticas ao unilateralismo, ao protecionismo e às desigualdades na governança econômica global.

Segundo integrantes da equipe responsável pela preparação da viagem, o discurso brasileiro deve dialogar diretamente com posições já apresentadas pelo país nas cúpulas do G20 e do Brics. A avaliação da administração petista é que os principais desequilíbrios econômicos internacionais não podem ser analisados apenas pela ótica das grandes potências, uma vez que seus efeitos recaem de forma mais intensa sobre os países do Sul Global.

Nas coxias, diplomatas brasileiros observam que o debate no G7 ocorre em um contexto de crescente disputa comercial entre Estados Unidos, União Europeia e China. A leitura do governo é que essas divergências têm impactos diretos sobre o restante do mundo, especialmente sobre economias emergentes, que acabam absorvendo os custos de decisões tomadas pelos principais centros econômicos globais.

A posição brasileira deverá enfatizar que problemas como endividamento, restrições ao financiamento do desenvolvimento, barreiras comerciais e dificuldades de acesso a recursos para a transição climática afetam de maneira desproporcional os países em desenvolvimento. Por isso, Lula deve defender maior participação dessas nações nos organismos multilaterais e reformas em instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Interlocutores do governo afirmam que um dos argumentos centrais da delegação brasileira será a necessidade de atualizar estruturas de governança criadas no pós-guerra, consideradas cada vez mais distantes da realidade econômica contemporânea. A avaliação é que países emergentes, como China, Índia, Brasil e outras economias do Sul Global, possuem peso crescente na economia mundial sem que isso seja refletido adequadamente nos espaços de decisão internacional.

Outro eixo da intervenção brasileira deverá ser a crítica ao avanço de medidas unilaterais e protecionistas. Integrantes do governo avaliam que o aumento de tarifas comerciais e a adoção de restrições por grandes economias têm contribuído para ampliar incertezas globais e dificultar o crescimento dos países em desenvolvimento.

A pauta climática também deve ocupar espaço relevante na participação brasileira. O governo pretende cobrar dos países desenvolvidos o cumprimento de compromissos relacionados ao financiamento da transição energética e da adaptação às mudanças climáticas, defendendo que as nações historicamente responsáveis pela maior parte das emissões assumam responsabilidades proporcionais no enfrentamento da crise ambiental.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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