O segundo dia da Copa do Mundo 2026 será marcado pela estreia da seleção que compõe a sede dos jogos. Os Estados Unidos enfrentam o Paraguai às 22h desta sexta-feira (12). Além de toda a questão do esporte e da rivalidade futebolística, tempos de Copa do Mundo também acabam sendo uma oportunidade para conhecer melhor os países. Alguns estão até pertinho, mas guardam curiosidades.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Aurélio Araújo, jornalista e um dos criadores do podcast Copa Além da Copa, conta, por exemplo, que os jogadores do Paraguai utilizam o Guarani, junto com sua língua materna, o espanhol, para se comunicar dentro de campo e confundir o adversário.
“Praticamente toda a população paraguaia fala guarani. O guarani é ensinado nas escolas e é um traço muito forte, característico da República do Paraguai de manter uma língua indígena, talvez também ali pela sua posição interiorana no continente, onde a influência espanhola não conseguiu apagar um dos idiomas dos povos originários. E no caso do Paraguai, eles utilizam mesmo isso com uma vantagem, principalmente quando vão jogar aqui entre os vizinhos Argentina, Uruguai, Chile, porque eles têm essa capacidade bilíngue e aí podem se comunicar em guarani, não em espanhol, e não serem compreendidos pelos seus adversários”, conta.
Sobre o jogo Canadá e Bósnia Herzegovina, Araújo destaca que é interessante observar que os canadenses não têm tradição no futebol, contudo, as poucas vezes que participaram da Copa, como neste ano, tiveram bom desempenho.
“O Canadá esse ano é um dos países-sede, então ele tem vaga automática garantida. Mas antes ele só tinha participado de duas Copas do Mundo, uma em 1986 e outra em 2022, justamente a última. Nessa última Copa, o Canadá participou, se classificando em primeiro lugar nas Américas Central e do Norte, e mais a região caribenha, por ter uma seleção com muitos imigrantes. O Canadá é o mais aberto à imigração entre os países do norte global, ainda mais em comparação com os Estados Unidos. E se você olhar a seleção canadense, ela é bastante diversa etnicamente. Tem jogadores de origem latino-americana, europeia, africana”, conta.
Com relação à estreia do Brasil na Copa do Mundo, que enfrenta a seleção do Marrocos, Araújo acredita que a expectativa será alta, até pela qualidade e história do time.
“Marrocos é uma seleção bastante forte, foi o primeiro país africano a chegar às semifinais da Copa do Mundo, isso aconteceu no Qatar em 2022. E não é uma coincidência que Marrocos venha se tornando uma seleção de destaque, que também é uma seleção formada por muitos dos chamados filhos da diáspora, imigrantes marroquinos que vão buscar uma nova vida em países como Espanha, França, Países Baixos. E aí Marrocos acaba se beneficiando do sistema europeu de futebol nesse sentido, porque filhos de imigrantes podem representar o país dos pais”, explica.
“Claro que nós, brasileiros, acreditamos e torcemos, mas, para mim, Marrocos chega mais bem preparado que o Brasil, complementa.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
