A 4ª Copa e Feira da Reforma Agrária acontece desde o início de junho no Ceará, reunindo assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em todo o estado, com uma programação repleta de futebol, cultura popular e valorização da agricultura familiar. A competição reúne 150 equipes, mais de 3 mil atletas de 36 municípios.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Gene Santos, membro da direção nacional do MST, conta que a Copa é resultado da luta da juventude cearense. “A juventude do MST sempre discutiu que precisava ter uma ação mais concreta, voltada à organização da juventude. Já aconteciam os torneios locais e os campeonatos regionais, mas, na dimensão estadual, ainda não tínhamos isso. Quando se realizou uma ocupação na capital, Fortaleza, em um órgão chamado Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, a juventude pautou junto ao governo do estado a possibilidade de obter apoio e recursos para incentivar essa prática que já existia nas comunidades. E aí a gente conseguiu. A primeira copa foi realizada ainda no ano de 2018”, conta.
Santos destaca que o ponto motivador é o futebol, mas o evento não se restringe à prática esportiva. “A gente aproveita esse momento para discutir a organização da juventude, a organização das mulheres, o empoderamento feminino, a questão racial e a questão LGBT+. Há muitos grupos e até times de futebol com uma grande participação de pessoas LGBT+, o que abre espaço para fazermos esse debate. Também discutimos a agroecologia e o projeto de reforma agrária defendido pelo MST. Portanto, a Copa nos proporciona um momento de integração das comunidades, mas também um momento de denúncia e de reafirmação das pautas de luta da reforma agrária”, afirma.
O militante conta que o evento deve durar por aproximadamente seis meses, com disputas locais, regionais e estaduais. “É um momento importante de celebração, mas também de fortalecimento da luta e da organicidade do nosso movimento”, explica.
Gene Santos conta que a Copa promovida pelo MST também acaba sendo uma oportunidade para reconhecer talentos dentro do movimento. “Nós temos meninas nossas que estão jogando no time de futebol feminino do Atlético Mineiro. Nós temos uma menina do Piauí, do assentamento Marex, que hoje está jogando no Internacional, já foi convocada pra seleção brasileira sub-17, da Copa do Mundo. Temos no Paraná, em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, outras meninas. Então nós estamos querendo investir muito também, principalmente no futebol feminino. E a parceria nossa com a a Ferroviária, de Araraquara, tem sido muito importante para promoção, para dar visibilidade, para ajudar a trazer mais técnica para essa nossa juventude”, afirma.
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O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
