Arte, educação, memória, ancestralidade e resistência afro-brasileira estarão no centro de um encontro gratuito promovido pelo Espaço O Poste, no Recife, nesta quarta-feira (17), às 18h30. O convidado é Vitor da Trindade, artista multifacetado e neto do poeta recifense Solano Trindade, que retorna à capital pernambucana para compartilhar a trajetória do Teatro Popular Solano Trindade (TPST), além de refletir sobre as pedagogias negras construídas por sua família ao longo de gerações. A atividade integra a programação do projeto “Luz Negra: o negro em estado de representação” e acontece na sede do grupo O Poste Soluções Luminosas, na Boa Vista.
Com mais de cinco décadas de atuação artística e cultural, Vitor da Trindade traz ao público a palestra “O Teatro Popular Solano Trindade e as Outras Etmologias na Pedagogia da Família Solano Trindade – Cultura, Memória e Resistência Afro-brasileira”. A proposta aborda a história do TPST, fundado em Embu das Artes, em São Paulo, e destaca as contribuições da família Trindade para a valorização da cultura negra, da memória ancestral e da educação popular.
Natural de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e radicado em Embu das Artes desde 1979, Vitor reúne uma trajetória marcada pela arte, pela pesquisa e pela formação cultural. Mestre em Etnomusicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e graduado em Música Popular pela Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (Fito), ele atua como músico, compositor, escritor, educador social, pesquisador e produtor cultural.
“O Teatro Popular Solano Trindade é reconhecido por valorizar a cultura negra e popular e pelo desenvolvimento de projetos que articulam arte, educação, memória e ancestralidade. Nessas conexões, aproveitamos o encontro para compartilhar histórias do Teatro Popular Solano Trindade e suas pedagogias negras, valorizando a arte como formação”, declara Vitor da Trindade, diretor artístico do Teatro Popular Solano Trindade.
A programação faz parte do projeto “Luz Negra: o negro em estado de representação”, desenvolvido pelo grupo O Poste Soluções Luminosas. A iniciativa integra uma rede nacional de ações artísticas fomentadas pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, executado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura.
Para Samuel Santos, diretor do grupo e do Espaço O Poste, a presença de Vitor representa uma oportunidade de diálogo com uma importante referência da cultura afro-brasileira. “Ele é um guardião da memória e da cultura negra brasileira que nasceu em 1956. Vitor também atua com a preservação e o compartilhamento de saberes das religiões afro-brasileiras”, afirma.
O encontro também resgata a trajetória de uma das famílias mais importantes da cultura negra no Brasil. Vitor é neto de Solano Trindade (1908-1974), poeta, ator, folclorista e ativista da cultura negra nascido no bairro de São José, no Recife. É ainda filho de Raquel Trindade, artista plástica, coreógrafa, escritora e fundadora do Teatro Popular Solano Trindade.
“Existe uma estátua de Solano Trindade no Pátio de São Pedro, justamente no bairro onde ele nasceu. Solano é uma referência afrodiaspórica tanto local como nacional”, destaca Samuel Santos.
A ancestralidade também atravessa a produção artística e intelectual de Vitor. Há mais de 35 anos, ele atua como ogan do Ilê Axé Jagun, experiência que inspira parte de sua obra literária. Entre seus livros estão Oganilu – O Caminho do Alabê (2015), A Vela Branca de Oxalá (2021) e Ogan Alabê, Músico e Sacerdote (2023).
Além da literatura, o artista desenvolve trabalhos musicais autorais, como o álbum Osé (2018), que reúne 14 composições próprias e parcerias com nomes como Maria Trindade e Zinho Trindade. Ao longo da carreira, levou a música afro-brasileira para festivais, universidades, centros culturais e espaços públicos em países da África, das Américas, da Ásia e da Europa.
A última passagem de Vitor da Trindade pelo Espaço O Poste ocorreu em julho de 2025, quando apresentou o espetáculo musical “A Vela Branca de Oxalá”, ao lado da dançarina Elis Trindade, e participou de uma roda de conversa sobre os ritmos dos orixás e suas influências na música brasileira.
