A 9ª fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que apura o envolvimento de autoridades públicas nas fraudes cometidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, teve com um dos alvos o líder do governo no Senado, senador Jacques Wagner (PT-BA), e seus familiares. Segundo a PF, a BK Financeira, empresa pertencente à nora de Wagner, teria recebido ao menos R$ 11 milhões do Banco Master. O senador afirmou que nunca participou de negociações ou intermediações em favor da empresa.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Benedito Tadeu César avalia que é preciso ter cautela, não fazer qualquer julgamento prévio e aguardar o rumo das investigações.
“É como uma caixa de Pandora; quanto mais mexe, mais maldade sai de dentro. Isso está impactando fortemente a classe política. Já teve o presidente da Câmara, o presidente do Senado e hoje surgiram essas informações com relação ao Jacques Wagner”, aponta. “A gente não pode condenar a priori ninguém.”
César define, por enquanto, como rumores o suposto envolvimento de Jacques Wagner e ressalta as informações das trocas de favores entre políticos de direita e Vorcaro. “Até o momento não há dúvida do envolvimento do presidente da Câmara e do Senado, além de ministros do STF que tiveram despesas pagas por Vorcaro. Isso tudo mostra uma relação promíscua de autoridades dos três Poderes. Essas notícias nos mostram o quão contaminada está a nossa República”, aponta, ao lembrar que os pedidos de CPI do Banco Master emperraram no Congresso.
“Há informações robustas sobre integrantes da direita. Agora rumores não podem ser colocados no mesmo patamar. A gente precisa esperar os desdobramentos das investigações da Polícia Federal”, declara ao comentar a revelação da relação de intimidade entre o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Vorcaro.
Para o cientista político, é bastante possível que essa nova fase da operação tenha algum tipo de desdobramento político. No entanto, qual será esse impacto, apenas o tempo poderá mostrar. “A direita tentará jogar isso no colo do governo e do STF e inocentar seus parceiros. Agora, o que tem de mais escabroso são as manobras feitas pelos dois presidentes do legislativo, que foi tentar aprovar a medida que beneficiaria o banco Master, que é o aumento do fundo garantidor de crédito”, reitera César.
Além disso, Benedito Tadeu César critica a postura da imprensa comercial. “A grande mídia tem sempre o desejo de amplificar o escândalo e muitas vezes nem checa os fatos”, afirma.
E fala em vazamentos seletivos de informações por parte dos órgãos envolvidos nas investigações. “Sabemos que existem divergências dentro das instituições envolvidas nessas investigações e muitos vazamentos são seletivos. A gente precisa esperar a poeira baixar. O envolvimento da família Bolsonaro [com o Banco Master] é evidente, e todo o esforço do Flávio e do Eduardo é de tentar encontrar alguma forma de jogar no colo do PT e do governo algum tipo de envolvimento”, alerta.
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