O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu nesta sexta-feira (19), em Porto Alegre, que o governo Lula avance em uma estratégia de presença direta nos territórios, com serviços públicos, programas sociais e diálogo com a população fora dos gabinetes oficiais. A declaração foi dada durante coletiva à imprensa, antes do ato de abertura do Governo do Brasil na Rua, realizado na Praça da Alfândega, no Centro Histórico.
“Nós estamos tirando o governo só do gabinete, do palácio, e levando o governo para a praça pública”, afirmou Boulos. Para o ministro, a iniciativa busca enfrentar uma das principais barreiras entre a população e o acesso a direitos: a burocracia. “Quem vem aqui não precisa agendar, não precisa se inscrever, não precisa cadastrar no gov.br. É chegar aqui e ser atendido pelas políticas do presidente Lula.”
Coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República, o Governo do Brasil na Rua reúne órgãos federais, ministérios, bancos públicos e parceiros locais. Em Porto Alegre, a ação ao longo desta sexta-feira oferece atendimentos ligados ao INSS, renegociação de dívidas, vacinação, saúde, educação, habitação e programas sociais.
O ministro citou como exemplo o atendimento do INSS, com perícia móvel e orientação social para casos de aposentadoria, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e acidente de trabalho. Também destacou programas como Novo Desenrola, Reforma Casa Brasil, Pé-de-Meia, Brasil Sorridente e vacinação.
“Aqui está até o Zé Gotinha hoje, trazendo vacinação para as crianças, para os adultos. Então, é o governo do presidente Lula presente no território e trazendo as políticas e os programas para o povo gaúcho”, afirmou.
A intenção, segundo Boulos, é consolidar o programa como uma forma permanente de aproximar o governo federal da população. Segundo ele, a ação já passou por capitais brasileiras e deve ser ampliada para outras regiões do país após o período eleitoral.

‘Abandono vira dignidade’
Boulos também comentou a transformação em moradia popular do prédio onde hoje está a ocupação Maria da Conceição Tavares, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), no Centro Histórico. O imóvel pertence ao INSS e deve ser destinado a famílias por meio do Minha Casa, Minha Vida – Entidades.
“Eu fico muito feliz de ver o abandono se transformar em dignidade para as famílias”, afirmou.
Segundo o ministro, muitos prédios do INSS em áreas centrais de grandes cidades foram incorporados ao patrimônio do órgão por dívidas previdenciárias, mas permaneceram abandonados. Para ele, esses imóveis sem uso agravam problemas urbanos.
“Como os prédios ficam abandonados, eles geram insegurança, criminalidade e problemas urbanísticos para as regiões centrais”, disse.
A política do governo, segundo Boulos, é reformar imóveis públicos ociosos e destiná-los à habitação popular. “Nós estamos pegando esses imóveis abandonados, muitos do INSS, outros não, reformando, é o famoso retrofit, e transformando em moradia popular. Aquilo que era abandono vira realização de sonho para as famílias.”
Governo prepara ações para eventos climáticos
Questionado sobre a possibilidade de novos eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul, Boulos afirmou que o governo federal organiza um grupo interministerial para preparar ações de prevenção, mitigação e resposta. Lembrtou que o governo federal não deixou de apoiar o estado durante as enchentes de 2024 e que pretende agir novamente em caso de necessidade.
“Da mesma forma que o presidente Lula não faltou ao povo gaúcho no momento das enchentes, ao contrário, trouxe um pacote extraordinário de mais de R$ 100 bilhões para poder apoiar e ajudar o povo gaúcho no momento de dificuldade, não faltará novamente”, disse.
Segundo Boulos, há preocupação com a possibilidade de eventos climáticos a partir de agosto. Ele afirmou que o governo está reunindo informações para orientar a população e atuar em parceria com autoridades locais.
“O governo do presidente Lula está atento e todas as medidas que puderem ser tomadas pelo governo, do ponto de vista de prevenção e orientação da população, não só gaúcha, serão tomadas”, declarou.
Banco Master e oposição
Boulos também falou sobre as suspeitas envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master. O ministro disse que é preciso separar acusações e suspeitas de casos em que, segundo ele, existem provas.
“O senador Jaques Wagner vai ter oportunidade de apresentar defesa. Isso é parte do processo legal, do amplo direito de defesa e sem condenação prévia. Outro caso é quando existem provas”, afirmou.
Em seguida, Boulos criticou nomes ligados ao bolsonarismo e à oposição. “Alguém viu algum áudio do Jaques Wagner pedindo R$ 134 milhões para o Vorcaro? Eu não ouvi. Eu ouvi o do Flávio Bolsonaro, que é candidato da oposição à Presidência da República”, disse.
O ministro também citou Nikolas Ferreira (PL-MG), Cláudio Castro (PL) e Ibaneis Rocha (MDB). “O Jaques Wagner deu R$ 2 bilhões da Previdência da Bahia, quando era governador, para o Banco Master? Não. Quem deu foi o Cláudio Castro, governador bolsonarista. O Jaques Wagner tentou salvar o Master usando um banco estadual? Não. Quem fez isso foi o Ibaneis, governador bolsonarista”, afirmou.
Para Boulos, todos os casos devem ser apurados, mas não devem ser tratados da mesma forma. “Existem casos em que há suspeitas e elas têm que ser respondidas. Existem casos em que há provas. E aí as pessoas têm que responder por isso”, concluiu.
