novo prazo

Acordo com Irã depende de resolução de contradições internas dos EUA, diz analista internacional

Ana Prestes destaca a postura do governo de Israel como um empecilho a qualquer negociação para o fim do conflito

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In this picture obtained from Iran's ISNA news agency on May 4, 2026, the Iran-flagged tugboat Basim sails near a ship anchored in the Strait of Hormuz off Bandar Abbas in southern Iran. Iran's Revolutionary Guards on May 4 denied that any commercial ships had crossed the Strait of Hormuz, after the US military earlier said two US-flagged merchant vessels had transited through the vital waterway.
Embarcação de bandeira iraniana navega no Estreito de Ormuz | Crédito: Amirhossein Khorgooei/Isna/AFP

Um novo prazo de 60 dias foi firmado para o acordo que prevê o fim da guerra entre Irã e Estados Unidos. Na semana passada, houve um avanço significativo nas negociações, depois da assinatura de um memorando de entendimento, na quarta-feira (17), com 14 pontos para um acordo de paz. A assinatura oficial deveria ter acontecido na sexta-feira (19), em um encontro na Suíça mediado pelos governos do Paquistão e do Catar, mas o vice-presidente estadunidense JD Vance cancelou a viagem, que acabou remarcada para domingo (21).

Em paralelo, Israel, aliado dos EUA nesse conflito, seguiu com seus ataques contra o Líbano, desrespeitando um dos pontos de exigência do governo persa para a concordância de um acordo. No sábado (20), o Irã chegou a anunciar novamente o fechamento do Estreito de Ormuz por causa dessa situação.

A analista internacional Ana Prestes destaca a imprevisibilidade do presidente dos EUA, Donald Trump, durante todo o processo do conflito e a reiterada tentativa de dominar a narrativa, mesmo diante de um claro fracasso dos objetivos com relação ao Irã. “Se você analisar os objetivos que foram anunciados lá no dia 28 [de fevereiro, quando a guerra começou], eu diria que sim [o acordo é uma carta de rendição]. O Estreito de Ormuz estava aberto, existia uma mesa de negociação. Inclusive, no dia 27, um dia antes, eles estavam em uma mesa de negociação. Naquela época, o Trump fez discurso de que teria mudança de regime. O outro objetivo era terminar com o programa nuclear iraniano, o que não aconteceu também”, destaca em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Prestes afirma que, mesmo com esses pontos de fragilidades, negociações devem continuar. Contudo, Israel segue se apresentando como um obstáculo. “O próprio JD Vance fez uma fala muito dura com relação a Netanyahu durante o fim de semana, de que Israel precisa dos EUA e o que eles estão fazendo é muito inconsequente”, aponta.

Ana Prestes considera que o sucesso do acordo dependerá de um conjunto de fatores. “Tem variáveis importantes no jogo que são as próprias contradições internas dos EUA. Você veja o tom do presidente Trump, pró-guerra, e do vice-presidente, que é uma pessoa muito mais aberta à negociação. Trump aceitou o memorando apenas pela reabertura do Estreito de Ormuz, apenas para a economia. Você percebe uma fala de quem está pressionado. E depende de Netanyahu e Israel, no sentido de até que ponto eles vão se alinhar aos EUA, porque isso significa abrir mão dos ataques ao Líbano. Vai depender desses fatores. Ao contrário dos EUA e Israel, o Irã está coeso internamente, tanto do ponto de vista do governo como com relação à sociedade”, pondera.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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