AGROECOLOGIA

Livre de transgênico e agrotóxico, milho produzido pelo MST em Pernambuco resiste aos desafios climáticos e passa por crescimento na produção

Área plantada de milho em assentamento do MST saltou de 80 para 200 hectares em um ano

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Principal foco da plantação é a produção do Flocão Normandia
Principal foco da plantação é a produção do Flocão Normandia | Crédito: Filipe Augusto Peres/MST

Resistindo às intempéries climáticas e compartilhando os desafios vividos pelos solos da reforma agrária, o milho crioulo, produzido pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), vive um ano de crescimento em sua produção, enquanto um dos raros livres de agrotóxicos e transgênicos em Pernambuco. Sua área de plantio no Assentamento Normandia, em Caruaru, saltou de 80 para 200 hectares entre 2025 e 2026. A colheita também deverá ser mais cedo, começando agora no mês de julho, com o regime de chuvas permitindo adiantar o que no ano passado só pôde ser feito em meados de setembro. 

O milho plantado pelo MST, concentrado em Caruaru, mas também com contribuições do Sertão, é destinado majoritariamente para a produção do Flocão Normandia, que estampa orgulhosamente em sua embalagem sua condição livre de agrotóxicos e transgênicos. O produto, por sua vez, abastece o Programa de Aquisição de Alimentos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), sendo levado para cozinhas comunitárias e outras iniciativas, com o excedente sendo comercializado país afora ou distribuído entre assentados da reforma agrária. 

Para Adjailson Silva Chagas, integrante da administração da Cooperativa Normandia e responsável pelo setor de grãos, a produção de 2026 contou com duas grandes forças impulsionadoras. A primeira foi a conquista de maquinários, como tratores, roçadeiras, arados e plantadeira, que possibilitou a plantação de 200 hectares, conseguidos por meio de emendas parlamentares de nomes como o senador Humberto Costa (PT) e a deputada estadual Rosa Amorim (PT). A segunda foi as chuvas do começo do ano, que possibilitaram um plantio mais cedo. 

“O milho só se planta com terra molhada e aqui não temos água suficiente para fazer uma boa irrigação. A última plantação tivemos que colher tarde, esperávamos pelo menos em agosto, mas só aconteceu em outubro e novembro”, relembra Adjailson. Neste ano, com os maquinários, o assentamento conseguiu deixar a terra preparada com antecipação, começando o plantio em março, distribuído entre os agricultores familiares do assentamento. 

Parte importante da produção é destinada também para a coleta das sementes selecionadas, fundamentais para a manutenção das características orgânicas do milho plantado. “Se tiver um milho transgênico em um raio de 10 km, um pólen levado pelo vento pode contaminar o nosso”, explica Adjailson. Uma análise constante dos milhos precisa ser feita regularmente, somando-se aos desafios de combater pragas e plantas invasoras sem o uso de agrotóxicos.

Adjailson vê esta safra, que começará sua colheita em julho. como fruto de um bom ano. Para o futuro, vislumbrando um possível aumento na produção, um dos principais desafios é a questão hídrica, que se acentua em um momento de mudanças climáticas e irregularidade no regime de chuvas. “Nosso principal desafio mesmo é a água. Se pararem as chuvas, perdemos, porque não temos água para colocar as famílias para irrigar. Também temos um desafio de assistência técnica para lidarmos com plantas invasoras sem usarmos venenos”, conclui o administrador.

Editado por: Vinícius Sobreira

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