Jovens e lideranças da agricultura familiar da região centro-sul do Paraná reuniram-se no final de semana na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Mateus do Sul para a segunda etapa de uma formação política. A atividade propôs aos participantes uma análise crítica do papel da juventude na sociedade e nos processos de transformação social. Também foi debatida a realidade do campo e a trajetória do sindicalismo brasileiro.
A realização do evento é do Coletivo Entre Nós, formado por estudantes da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), e em parceria com a Assesoar (Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural), o APP-Sindicato (Sindicato dos(as) professores(as) e funcionários(as) de escola do Paraná) e a Fetraf (Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar),

Educador popular da Assesoar, Eder Borba acompanha a formação, contribui com os módulos de discussão e destaca que compreender a realidade exige observar as relações econômicas, sociais e políticas que interferem diretamente na vida das famílias. A análise do capitalismo no campo ganhou destaque, especialmente diante do avanço do agronegócio. “Buscamos compreender a realidade e refletir sobre as contradições e as perspectivas para a agricultura familiar”, sintetizou.
A programação também reservou um espaço para resgatar a trajetória do sindicalismo brasileiro, reafirmando a importância das organizações populares e dos sindicatos enquanto ferramentas essenciais para a defesa de direitos e a construção de respostas coletivas, sendo necessários frente aos desafios estruturais enfrentados pelo trabalhador rural.
Aprendizado junto à terra
Após as reflexões teóricas, o segundo dia da formação saiu da sala de aula. O grupo visitou a propriedade de dona Marli e do senhor Nelson, agricultores familiares e associados ao sindicato.
Durante o encontro, o casal compartilhou experiências construídas ao longo da vida no campo. As conversas abordaram o trabalho na agricultura, a relação com a terra, os vínculos comunitários e o cuidado com a natureza.

Ao receber os jovens, Marli e Nelson revelaram a alegria de pertencer ao meio rural e de construir nele uma história de vida. O contato entre gerações permitiu aproximar os debates políticos da realidade concreta das famílias agricultoras.


