De olho na eleição

Denúncia de compra de voto no RJ motiva pedido no TSE para câmeras corporais em mesários

Grupo de advogados populares acionou órgãos de Justiça com proposta de protocolo experimental de segurança audiovisual

No audio source provided.
Cabine de votação em seção eleitoral simulada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro
Cabine de votação em seção eleitoral simulada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A articulação de advogados populares “Congresso Novo pro Povo” protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma proposta inédita sobre o uso de câmeras corporais pelos mesários nas eleições deste ano. A iniciativa é motivada por uma denúncia que chamou a atenção do grupo pelo uso do celular na cabine com mecanismos envolvidos na compra de votos no Rio de Janeiro. 

Ao Brasil de Fato, a advogada popular Lorena Martins detalhou que o esquema promete transportar o eleitor até o local de votação e, em seguida, para outro endereço onde ele deve comprovar em vídeo que votou no candidato indicado. Depois desse processo, a fraude se completa com o pagamento de valores que variam de R$ 100 a R$ 300, segundo o relato.  

“A denúncia que recebemos aponta para uma estrutura organizada de compra de votos que envolve políticos associados a policiais e grupos armados que exercem controle sobre territórios marcados pela vulnerabilidade social e pela violência”, afirma.  

O aparelho celular não é permitido na cabine para garantir o sigilo. A própria Lei das Eleições e uma resolução do TSE proíbem o uso na hora do voto. Para Martins, o uso de câmera seria um reforço para a segurança dos próprios mesários que fiscalizam a regra. 

“Esse mecanismo só funciona porque há intimidação e coação sobre os mesários responsáveis por fiscalizar o cumprimento das regras eleitorais. Nesse sentido, as câmeras corporais podem funcionar como um instrumento de proteção aos mesários, dando condições para que eles exijam que os celulares fiquem recolhidos enquanto o eleitor está na cabine de votação”, afirma. 

:: Quer receber notícias do Brasil de Fato RJ no seu WhatsApp? ::

O equipamento filmaria o espaço público da sala e a mesa onde os celulares devem ser depositados. Pela proposta, as imagens registradas seriam criptografadas e ficariam sob custódia do TSE e do CNJ para impedir violação de intimidade ou vazamento. O acesso se daria apenas a partir de procedimentos oficiais da Justiça Eleitoral.  

O objetivo da medida também seria barrar a presença de políticos e cabos eleitorais que circulam pelas zonas eleitorais com práticas ilegais de coação. “A campanha Congresso Novo pro Povo nasce da necessidade de enfrentar problemas reais que corroem a democracia brasileira”, completa a advogada. Além da proposta, a articulação abriu um canal para envio de denúncias de compra de votos no WhatsApp (21) 97341-7268.  

A Justiça Eleitoral tem o aplicativo Pardal, para Android e iOS, no qual é possível registrar práticas indevidas ou ilegais no período de propaganda eleitoral até o dia do voto. A ferramenta também recebe denúncias de irregularidades cometidas no ambiente digital.  

Em 2024, o estado do Rio teve 5.780 denúncias nos dois turnos das eleições municipais. A maioria dos casos se concentrou na capital (610), mas também houve registros espalhados na região metropolitana como Niterói (202) e São Gonçalo (157); na Baixada Fluminense, especialmente em Duque de Caxias (312), Nova Iguaçu (163); e também na Região Serrana com destaque para Petrópolis (236).

O Brasil de Fato solicitou à assessoria de imprensa do TSE um posicionamento sobre o uso de câmeras pelos mesários, ações de garantia do voto secreto, e o protocolo adotado em situações nas quais o eleitor se recusa a deixar o celular fora da cabine. Não houve retorno até o fechamento dessa matéria.

Editado por: Vivian Virissimo

|

Newsletter