Troca de farpas

Flávio pede desculpas a Michelle após vídeo que expôs racha na família Bolsonaro

A ex-primeira-dama disse que o conflito começou após ela criticar a aproximação do PL com Ciro Gomes, no Ceará

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro | Crédito: Reprodução/Instagram/@michellebolsonaro

O pré-candidato à presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro após ela afirmar, em vídeos publicados nas redes sociais, que foi desrespeitada, maltratada e humilhada em meio a divergências dentro da família Bolsonaro sobre as alianças do PL no Ceará.

Michelle apoia o senador Eduardo Girão (Novo-CE) para o governo estadual e a deputada federal Priscila Costa (PL-CE) para o Senado. Já integrantes do partido defendem outros arranjos políticos para o estado. O embate acabou expondo publicamente um racha entre Michelle e Flávio, que não se falam desde o fim de 2025, segundo a ex-primeira-dama.

Em nota divulgada nas redes sociais, Flávio negou ter ofendido Michelle e afirmou que nunca teve a intenção de magoá-la. “Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”, afirmou.

“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu em seu perfil no X, antigo Twitter.

Flávio afirmou ainda que a família vive um momento difícil e disse compreender os sentimentos da ex-primeira-dama. “Toda nossa família está passando por um momento muito difícil. E entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”, disse. 

O senador também relatou que tentou reaproximação antes da divulgação dos vídeos e que a convidou para um encontro com lideranças femininas conservadoras. Flávio acrescentou que a reunião será mantida e reforçou o convite. “De coração aberto, fiz o convite à Michelle, justamente porque acredito que o diálogo, o respeito e a união sempre serão o melhor caminho. O convite segue de pé e o coração segue aberto.”

Antes da nota, o senador participou de uma transmissão ao vivo e evitou comentar diretamente as acusações. “Hoje, dia de jogo, nada nem ninguém me aborrece. Vamos tratar de coisa boa, tratar de futebol, porque o nosso Brasil a gente vai conseguir resgatar junto.”

Pouco antes, Michelle publicou dois vídeos em seu perfil no Instagram nos quais afirma que o conflito começou após ela criticar a aproximação do PL com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará. Segundo ela, procurou Flávio por telefone após o episódio e recebeu uma resposta que classificou como uma humilhação. “Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone, e eu não tinha feito nada contra ele.”

Ela relatou que o senador pediu que ela se afastasse das decisões partidárias. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, relatou a ex-primeira-dama. 

Michelle afirmou ainda que se sentiu alvo de uma ação articulada após se posicionar sobre a disputa política no Ceará. “Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras, tom agressivo defendendo o André Fernandes [deputado federal pelo PL do Ceará] e, em consequência, apoiando o homem que chamou a ele, a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistoides.”

Michelle afirmou que, após o episódio, decidiu se afastar das discussões partidárias. Segundo a ex-primeira-dama, Flávio Bolsonaro disse que ela não deveria participar das decisões do partido e questionou seu conhecimento sobre política. Ela declarou que, desde então, não voltou a procurá-lo e também não foi procurada pelo senador, afirmando que optou por respeitar a posição manifestada por ele durante a conversa.

“Eles me tratam como se eu fosse idiota, como se eu fosse alguém que chegou ontem, mas eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, disse.

Editado por: Geisa Marques

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