Tragédia

Sequestrado pelos EUA, Maduro envia mensagem de solidariedade à Venezuela após terremoto e diz que país passa por ‘provações’

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram o desabamento de prédios em Caracas e em outras cidades

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada nacional Cilia Flores | Crédito: Juan Barreto/AFP

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado pelos Estados Unidos, enviou uma mensagem de solidariedade à população afetada pelos terremotos que atingiram o país na quarta-feira (24). Em texto divulgado nas redes sociais em nome dele e da esposa, Cilia Flores, que também está presa em Nova York desde janeiro, Maduro afirmou que reza pelas famílias atingidas e pediu união diante da tragédia.

“Povo amado da Venezuela, diante do poderoso terremoto que atingiu a nossa pátria, Cilia e eu elevamos as nossas orações por cada família afetada, pelos feridos, por quem está sofrendo e por todo o nosso povo. Hoje, a palavra é uma só: máxima união, máxima solidariedade e máxima ação”, diz a mensagem publicada nas redes sociais do líder venezuelano. 

“Que ninguém fique sozinho, que cada comunidade cuide de suas crianças, de seus avós, de seus enfermos, e que todos nós acompanhemos o trabalho dos corpos de resgate, PNB, FANB, defesa civil, médicos, bombeiros, trabalhadores e voluntários”, acrescentou.

“Nesta hora difícil, apelamos à união nacional, à serenidade e ao amor concreto: ajudar, proteger, compartilhar, levantar e reconstruir. A Venezuela já enfrentou grandes provações e desta também sairemos fortes, com fé, disciplina e solidariedade. Nosso coração e nossas orações estão com vocês. Que Deus abençoe e proteja a Venezuela!”, concluiu o presidente. 

Pior terremoto desde 1967

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 provocaram o desabamento de prédios em Caracas e em outras cidades. O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que os epicentros estavam separados por cerca de cinco quilômetros e que os dois eventos ocorreram com intervalo de aproximadamente 40 segundos.

Os terremotos são considerados dois dos mais graves da história recente da Venezuela. O último grande sismo que atingiu Caracas ocorreu em 1967, quando um tremor de magnitude 6,6 deixou centenas de mortos e mais de 1,5 mil feridos. Agora, até o momento, dados oficiais apontam 164 mortos e 971 feridos.

Em pronunciamento na televisão estatal, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o estado de La Guaira foi o mais atingido.

“Dezenas de prédios desabaram, e estamos realizando esforços de resgate muito intensos para salvar o maior número de vidas que Deus nos permitir salvar”, disse. “Quero dizer também que esta é uma verdadeira tragédia. Daqui, enviamos nossa mensagem de solidariedade e, às famílias que perderam entes queridos, reafirmamos nossas condolências e nosso apoio nestas horas difíceis.”

Rodríguez decretou estado de emergência e anunciou a mobilização de equipes de resgate, segurança e assistência civil para atender as áreas afetadas. As aulas e os serviços não essenciais foram suspensos. Redes de gás e eletricidade também foram desligadas em regiões atingidas.

Maduro e Cilia Flores estão presos nos Estados Unidos desde janeiro, após serem sequestrados em uma operação militar estadunidense em Caracas. Os dois respondem a um processo criminal e negam as acusações apresentadas pelas autoridades americanas.

Brasil oferece ajuda

Em nota divulgada na noite de quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade ao povo venezuelano e colocou o Brasil à disposição para colaborar com os esforços de recuperação. “Recebi com profunda consternação a notícia dos terremotos que atingiram a Venezuela. Expresso minha solidariedade ao povo venezuelano e às famílias das vítimas”, afirmou.

Lula também declarou apoio ao governo de Delcy Rodríguez e disse que o Brasil está pronto para contribuir com a reconstrução das áreas afetadas.

O Ministério das Relações Exteriores também divulgou comunicado expressando pesar pelas mortes e solidariedade ao povo venezuelano. A pasta informou que acompanha a situação por meio da Embaixada do Brasil em Caracas e mantém contato com as autoridades locais para avaliar possíveis necessidades de assistência e cooperação humanitária.

Os tremores também foram sentidos em cidades do Norte do Brasil, incluindo Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá. Em alguns locais, moradores deixaram prédios por precaução.

Editado por: Geisa Marques

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