Com muita criatividade, sample e um trabalho minucioso de pesquisa e edição, a multiartista Amanda Magalhães tem feito sucesso na internet com seus memixes virais, que misturam crônicas do cotidiano, crítica política, tendências da sociedade e comportamentos.
Mas a caminhada na música é bem anterior a isso e, no 29 de julho, ela lança seu terceiro álbum de estúdio “Era uma vez o amanhã”, anunciado pela faixa “Vida de rei, vida de cão”, que traz sonoridades e símbolos brasileiros.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, a cantora, compositora e produtora fala sobre como unir humor e crítica em seus trabalhos. “São crônicas sonoras a partir dessa pesquisa de sample que eu tenho feito nas redes sociais, mas também a linguagem do rap costurando tudo isso. Ele se chama ‘Era uma vez o amanhã’, porque basicamente o trabalho é dividido em três atos: passado, presente e futuro. E eu vou contando histórias que desembocam no terceiro ato, que é o do futuro, que é um futuro distópico, tentando imaginar para onde a gente vai enquanto Brasil, enquanto país, enquanto sociedade”, resume.
Para ela, ser brasileira é, em si, viver em uma eterna contradição. “É sobre viver essa tensão entre duas forças, essas dores, essas delícias, essa desigualdade, mas esse país que a gente olha e pensa: ‘Nossa, esse é o melhor lugar do mundo, olha essas pessoas, olha essa gente, olha esse clima, olha essa cultura’ e daí de entender o quão contraditório é capaz de ser esse território. É meio que desse lugar da contradição que nasceu a vontade de falar sobre e de escolher também como faixa-chefe”, diz. “Acho que a experiência de ser brasileiro é pura contradição“, explica.
Além disso, continua a artista, o momento de Copa foi avaliado como interessante para o lançamento. “É uma música que evoca elementos para trazer esse lugar do qual eu falo. Ela evoca elementos do futebol, do carnaval, eu achava que tinha muito a ver com o momento em que a gente está agora. Eu senti que ia ter uma janela para as pessoas refletirem sobre isso”, avalia.
Amanda Magalhães fala de suas inspirações e conta como começou a fazer “despretensiosamente”, segundo ela, os memixes que a tornaram bastante conhecida nas redes sociais. “É curioso porque eu voltei para um lugar artístico interessante que eu acho que eu havia perdido nos últimos anos de crítica mesmo, mas junto com isso, um lugar de não se levar tão a sério, que eu acho que fez as brincadeiras se tornarem, por vezes, mensagens potentes. E esse trabalho está todo assim, baseado em cima da ironia”, conta.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
