Levantou críticas

Tarcísio entregará Linha Laranja do Metrô de SP pela metade às vésperas de campanha eleitoral

De olho na reeleição, Tarcísio antecipa entrega parcial com seis estações da Linha Laranja para antes de prazo legal

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) | Crédito: Paulo Guereta/Governo do Estado de SP

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), inaugura, na semana que vem, parte da Linha Laranja do Metrô. Serão abertas seis das 15 estações de toda a linha, no trecho entre a João Paulo I e a Perdizes. Até o final deste ano de 2026, a operação chegará à Brasilândia. O restante, até a São Joaquim, no centro, será somente inaugurado em 2027. As obras foram anunciadas ainda em 2010.

Neste primeiro momento, a operação será assistida pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), e funcionará de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 15h. Dois trens farão o percurso com intervalo médio de 19 minutos e condução manual. Cada estação terá apenas um acesso em funcionamento durante a fase inicial.

A entrega adianta o tom de campanha eleitoral do governador, que concorrerá à reeleição em outubro deste ano. Pela legislação, os candidatos não podem comparecer a inaugurações de obras públicas nos três meses anteriores à eleição. Neste ano, o primeiro turno será no dia 4 de outubro. Logo, a partir do dia 4 de julho, Tarcísio não poderá participar da entrega das estações.

Para o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, a entrega antecipada das estações teve motivação eleitoreira. Ele também questiona o aumento dos custos da obra, a falta de informações sobre os gastos, o modelo de parceria com a iniciativa privada e o planejamento da operação da linha.

“Eu não tenho dúvida que a obra foi acelerada para ser entregue antes da campanha eleitoral. A intenção é justamente entregar parte dela para a conta da campanha eleitoral. A previsão dessa obra era uma e, para corrigir esse erro, você gastou algo em torno de 16,5% a mais do valor da obra. Como é que você justifica isso? E a população não sabe onde eles estão gastando esse dinheiro. Se você quiser saber, você não consegue. Mesmo no Portal da Transparência você não consegue ter essa informação”, afirma o sindicalista.

A Linha 6-Laranja inaugura um modelo contratual inédito no metrô paulista: uma PPP integral, em que a concessionária é responsável tanto pela implantação quanto pela operação. Isso significa que a PPP integral alinha, no mesmo contrato, a responsabilidade pela implantação e pela operação da linha. O contrato é de R$ 19 bilhões e tem duração de 30 anos.

O dirigente sindical afirma que o modelo de parceria adotado pelo governo transfere recursos públicos para empresas privadas sem que elas assumam riscos. “A gente sabe qual é a intenção do privado nessa história de abocanhar a prestação de serviço. Serviço é serviço. Não tem que privatizar serviço. Eu sou radicalmente contra a privatização, principalmente em transporte, educação e saúde. Isso é um dever do Estado”, afirma Pereira.

“Tudo que tiver de problema você aumenta no preço e a empresa não tem prejuízo nenhum. Ela não corre risco nenhum. É investimento que a gente sabe que vai dar retorno e é o nosso dinheiro que está lá.” Como exemplo, Pereira cita a Linha 4 Amarela. “Na Linha 4 que já teve, se eu não me engano, 13 aditivos de contrato. É esse o exemplo que a gente tem em São Paulo”, diz.

O presidente do sindicato também questiona se a antecipação da entrega pode comprometer a qualidade da obra. No fim do ano passado, o governo do estado aprovou um aditivo de quase R$ 3,7 bilhões ao contrato para acelerar a construção. Logo depois, determinou o sigilo dos documentos relacionados ao aditivo. Como justificativa para negar a divulgação, a gestão de Tarcísio de Freitas informou que a gerência da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo), responsável pela análise desses documentos, conta com apenas um servidor, que não teria disponibilidade para avaliar os pedidos de acesso. A alegação ocorre apesar de a Artesp possuir cerca de 500 funcionários em seu quadro.

“Me estranha muito que você fale que vai ter um atraso e, se você me pagar a mais, eu consigo ter um atraso menor. Como é isso? Será que vai ter qualidade nisso? São perguntas que têm que ser respondidas. Eu acho muito estranho que o dinheiro compra tudo, mas um atraso de dois anos é no mínimo duvidoso.”

Pereira também critica o planejamento da operação inicial da Linha 6. Segundo o dirigente, o trecho que será inaugurado na próxima semana não possui integração com outras linhas do sistema, o que reduz o benefício para os passageiros.

“Geralmente você parte da integração para o bairro e vai avançando. Foi assim na Linha 15 Prata. Foi assim na Linha Vermelha. Agora sair de um lugar para ir para lugar nenhum não faz muito sentido. O pessoal vai ter que pegar ônibus, metrô e ônibus. O ideal seria partir de um ponto onde já tivesse integração para seguir para outras regiões até chegar ao ponto final. É outra coisa muito estranha. São alguns absurdos que não dá para entender como esse planejamento foi feito.”

O Brasil de Fato solicitou informações sobre a Linha Laranja para a Secretaria de Transportes de São Paulo, mas não houve retorno. O espaço está aberto para pronunciamentos.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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