COLAPSO

Hospital no Distrito Federal suspende atendimentos e expõe agravamento da crise na saúde da capital

Comunicado na emergência do Hospital de Taguatinga e relatos em outras unidades reforçam o cenário de superlotação

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Emergência do Hospital Regional restringiu novos atendimentos após atingir o limite da capacidade de funcionamento.
Emergência do Hospital Regional restringiu novos atendimentos após atingir o limite da capacidade de funcionamento. | Crédito: Breno Esaki/Agência Saúde DF

A rede pública de saúde do Distrito Federal voltou a ser alvo de denúncias após um comunicado sonoro anunciar a suspensão de novos atendimentos na emergência do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), na noite deste domingo (28). O aviso, registrado por pacientes que aguardavam atendimento, informava que, devido à superlotação da unidade, não seriam realizados atendimentos nas especialidades de Pediatria, Clínica Médica, Ortopedia e Cirurgia.

O anúncio gerou apreensão entre pacientes e acompanhantes que aguardavam atendimento havia horas e não receberam informações sobre alternativas imediatas para assistência. O episódio ocorre em meio a uma sequência de relatos sobre superlotação, déficit de profissionais e falta de insumos em hospitais da rede pública do Distrito Federal.

Entre os relatos está o de Fabiano Trompetista, que publicou um vídeo nas redes sociais após acompanhar a internação do filho no Hospital Regional do Guará. No registro, ele descreve a situação enfrentada por pacientes e profissionais da unidade.

“Nos últimos dias minha família viveu momentos de muita angústia com meu filho internado com pneumonia. Vimos a dificuldade de médicos e enfermeiros em atender tanta gente no hospital superlotado. Gente, o cenário é absurdo, corredores lotados de maca com paciente sem nenhum conforto”, afirmou.

Na sequência, ele questiona a destinação dos recursos públicos destinados à saúde do Distrito Federal. “Onde é que estão sendo investidos mais de R$ 13 bilhões destinados à saúde? Nesses dias de agonia eu não vi”, declarou.

Outras unidades

As denúncias não se restringem ao Hospital Regional de Taguatinga. Nos últimos dias, o Hospital Regional de Ceilândia (HRC) também foi alvo de críticas após relatos de interrupção do atendimento ortopédico por falta de insumos básicos, como ataduras gessadas e algodão. Segundo apuração divulgada pelo Diário de Ceilândia, pacientes chegam a realizar consulta e exames de imagem, mas deixam a unidade sem a imobilização necessária por falta de material.

Para a deputada distrital Dayse Amarilio (PSB-DF), enfermeira e integrante da Comissão de Saúde da Câmara Legislativa, parte do problema decorre da falta de integração entre as unidades.

“Enquanto falta informação e comunicação entre as unidades, pacientes esperam, profissionais ficam sem resposta e o caos toma conta das portas. Quem procura atendimento precisa de solução, não de um sistema que empurra o problema de um lado para o outro. O paciente é da rede e fazer essa rede funcionar é dever do Estado”, criticou a parlamentar.

Na última sexta-feira (26), uma fiscalização da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) identificou superlotação no Hospital Regional de Santa Maria. O deputado distrital Fábio Felix (Psol-DF), presidente da comissão, afirmou que pacientes internados ocupavam corredores e áreas improvisadas da unidade.

“Corredores que viraram alas de internação improvisada. Essa é a realidade do Hospital Regional de Santa Maria. Fiscalizamos a unidade e o que vimos foi superlotação e falta de estrutura adequada para suporte aos pacientes. Encontramos trabalhadores dando o seu máximo para atender uma demanda muito grande por atendimento. Esse é o retrato do abandono do governo Ibaneis/Celina à saúde pública”, analisou.

Segundo o parlamentar, a ocupação da unidade ultrapassava em muito sua capacidade. “Era para ter 26 pessoas internadas na área adulta de observação e encontramos 82 pacientes. Na pediatria existem 18 leitos oficiais e havia 31 crianças e adolescentes internados. A superlotação prejudica todo o atendimento hospitalar, aumenta o tempo de espera e faz com que muita gente chegue à porta do hospital e seja mandada para outras unidades já bandeiradas”, denunciou.

Ausência

Além da superlotação, organizações denunciam a insuficiência de profissionais na rede pública. Na última quinta-feira (25), o Sindicato das Enfermeiras e dos Enfermeiros do Distrito Federal (SindEnf-DF) realizou visita ao Hospital Regional de Sobradinho e afirmou que a unidade apresenta déficit de 208 enfermeiros.

“São 208 profissionais a menos apenas no Hospital Regional de Sobradinho, uma unidade que tem impacto muito importante para a assistência da população do Distrito Federal e também do Entorno. Saímos daqui cobrando do GDF que a saúde pública seja, de fato, prioridade para este governo e que sejam adotadas medidas rápidas e eficientes”, cobrou a organização.

O outro lado

O Brasil de Fato DF procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para esclarecer o comunicado de suspensão de atendimentos no Hospital Regional de Taguatinga, a situação da superlotação nas unidades da rede, os relatos de falta de insumos e o déficit de profissionais. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.


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Editado por: Flavia Quirino

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