Aproximadamente 50 famílias foram despejadas na madrugada de terça-feira (30) da Ocupação Francisco Bernardo, no edifício da Rua Dr. Faivre, no centro de Curitiba. A reintegração de posse foi conduzida por cerca de 100 policiais federais com armamento ostensivo, deixando todos na rua, incluindo cerca de 30 crianças e bebês recém-nascidos.

O imóvel pertence à União e, segundo a Prefeitura de Curitiba, foi oficialmente devolvido ao governo federal em outubro de 2019, não cabendo ao município qualquer responsabilidade sobre a área. A ocupação havia sido feita em 28 de janeiro de 2026, neste imóvel que, segundo o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), estava abandonado pela Prefeitura de Curitiba há anos. O edifício, que pertence à União, já foi sede da Superintendência Regional da Polícia Federal.
O MLB é um movimento nacional com mais de 30 anos de atuação, organiza ocupações urbanas para denunciar o descaso com imóveis abandonados que podem ser destinados como moradia digna para milhares de pessoas que vivem nas ruas.

Tayna Miessa, da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e do Movimento de Mulheres Olga Benario, afirmou que os policiais apontaram armas “inclusive para a cara das crianças que moram na ocupação”. Ela também disse que não houve caminhão adequado para a retirada dos pertences e que um morador que chegou após o fechamento da rua foi impedido de entrar para buscar seus bens.
Após o despejo, parte das famílias e apoiadores foram se manifestar e cobrar acordos não cumpridos. Miessa relatou: “Fizemos um ato pacífico, viemos caminhando da ocupação Francisco até a frente da Superintendência do Patrimônio da União, a SPU [Secretaria do Patrimônio da União].” Ela mencionou também que a Casa Enedina Marques, centro de referência para atender mulheres em situação de violência, está fornecendo apoio para parte das mulheres e crianças afetadas pelo despejo.

Felipe, coordenador estadual do MLB, afirmou que o governo federal e a SPU haviam se comprometido a realocar as famílias: “A nossa principal demanda agora é que a SPU e o Governo Federal cumpram os acordos de realocação das famílias, prometida na última reunião que a gente teve com a Secretaria-Geral da União, junto da SPU Nacional e da Secretaria de Periferias. Seriam realocadas as famílias, garantindo o auxílio-aluguel e a disponibilidade do terreno onde a gente estava ocupando para garantir a construção dos habitacionais.”

Segundo o coordenador do MLB, até o momento nenhuma parte do acordo foi cumprida. “Não tivemos nenhuma parte desse cumprimento do acordo. Então, as nossas reivindicações são a realocação das famílias e a garantia do direito à moradia, que o governo federal, nem a prefeitura, nem o governo de estado vêm garantindo até agora”.
Outro lado
Em nota, a Fundação de Ação Social (FAS) informou que a desocupação decorre de determinação da Justiça Federal, que também determinou a atuação da prefeitura no atendimento às famílias. A FAS afirma que equipes estão no local realizando o Cadastro Único e oferecendo serviços de assistência social, incluindo acolhimento para quem necessitar.
Até o fechamento desta matéria, o Brasil de Fato PR não recebeu por e-mail as respostas da Polícia Federal e SPU. O espaço segue aberto e o texto será atualizado caso haja manifestação.

