O número de mortos por causa dos dois terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira passada (24) chega a 1.943 e mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas. Os trabalhos de buscas continuam e diversos países, incluindo o Brasil, têm enviado ajuda humanitária e até estruturas de hospitais de campanha para atendimento de feridos.
Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Carmen Navas, pesquisadora no Instituto Tricontinental, explica que o governo venezuelano está priorizando o resgate de pessoas que ainda podem estar vivas. “Esse é um protocolo que a Venezuela adota sempre. A primeira coisa é resgatar todas as vidas possíveis e depois iniciar todo o processo de dar moradia. O governo já está organizando refúgios temporários para famílias que estão desabrigadas”, afirma.
Esse protocolo, segundo Navas, passou a ser adotado depois de fortes chuvas que deixaram milhares de mortos na Venezuela em 1999.
A pesquisadora relata o drama de quem perdeu entes queridos e a necessidade de manter a unidade familiar, dentro das possibilidades. “O Estado venezuelano tem se dedicado a dar atenção às famílias sobreviventes, dar refúgio e manter a unidade familiar, atender aqueles que ficaram sem famílias. Há crianças que ficaram sem família. Enfim, o objetivo é olhar para quem é mais vulnerável”, destaca.
Carmen Navas também avaliou os acontecimentos recentes na Venezuela, que foi atacada no início do ano pelos Estados Unidos, teve seu presidente Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, sequestrados, gerando instabilidade no país. “A nossa constituição fala que o povo venezuelano é soberano e, como soberano, delega a sua responsabilidade da vida desse povo a instituições. Ainda que a soberania do povo venezuelano tenha sido violentada desde aquele 3 de janeiro, a institucionalidade venezuelana continua funcionando. E agora, com os terremotos, é o Estado venezuelano quem está respondendo. É a presidenta encarregada que está organizando essa ajuda internacional”, afirma.
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