A Polícia Federal (PF) indiciou 17 pessoas suspeitas de integrar um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Belo Horizonte (MG). Entre os investigados está o diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa.
O inquérito da Operação Parcours aponta que empresários, servidores públicos, consultores e profissionais da área ambiental teriam usado instrumentos de recuperação da área degradada como fachada para manter a exploração de minério de ferro na Mina Granja Corumi, administrada pela mineradora Empabra, localizada no bairro Jardim Taquaril.
Segundo a PF, o grupo teria utilizado o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM) para justificar intervenções que, na prática, tinham como objetivo a continuidade da lavra. A investigação estima que o esquema poderia gerar até R$ 2,3 bilhões em faturamento.
A apuração também aponta impactos ambientais em área protegida por tombamento na Serra do Curral. Entre os danos identificados estão a destruição da nascente do Córrego Taquaril, abertura de cavas fora dos limites autorizados, ausência de recuperação da vegetação e possíveis prejuízos ao lençol freático.
Investigação aponta atuação organizada
De acordo com o relatório da PF, a organização criminosa teria funcionado com divisão de tarefas entre empresários, técnicos, consultores e agentes públicos. Geólogos e engenheiros são apontados como responsáveis por elaborar documentos técnicos que teriam ocultado a extração irregular.
A investigação também cita a atuação de servidores da ANM e de órgãos ambientais que, segundo a PF, teriam favorecido a mineradora por meio da aprovação de pareceres e omissões em processos de fiscalização.
Outra empresa citada no inquérito é a Fleurs Global Mineração, apontada como responsável pelo beneficiamento e pelo escoamento do minério retirado da Mina Granja Corumi.
Os indiciados poderão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais e usurpação de bens da União.
Danos estimados em R$ 832 milhões
A Operação Parcours foi deflagrada em março de 2025 pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF). Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, além do bloqueio de bens e suspensão das atividades da mineradora.
Segundo a PF, o grupo atuava desde 2014 e teria causado prejuízo estimado em R$ 832 milhões à União, além de danos ambientais na Serra do Curral.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que vai avaliar se apresenta denúncia à Justiça.
Outro lado
A Agência Nacional de Mineração informou que acompanha os desdobramentos do caso, colabora com as autoridades e adota as medidas cabíveis dentro de suas competências legais.
