TRANSPARÊNCIA

Portal revela cachês pagos pelo poder público para shows de São João em Pernambuco

As prefeituras e o governo do estado têm até o dia três de julho para enviar ao MPPE as informações dos gastos da festa

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A Prefeitura de Caruaru estima que o São João de 2026 atraiu 4 milhões de turistas, com ocupação hoteleira acima de 95%
A Prefeitura de Caruaru estima que o São João de 2026 atraiu 4 milhões de turistas, com ocupação hoteleira acima de 95% | Crédito: Prefeitura de Caruaru

O forró é bom e o direito à cultura e ao lazer também estão entre as responsabilidades do poder público. Mas quanto custa o show de determinado artista? O preço que o seu município está pagando pela apresentação é equivalente ao pago por outras prefeituras? Para ampliar a transparência destes gastos e facilitar o acesso à população, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) lançou uma versão do Painel de Transparência com foco no São João, divulgando os cachês dos artistas apresentados em cada município e a fonte dos recursos.

Os shows mais custosos aos cofres públicos tiveram preço de R$1,5 milhão a apresentação, todos pagos pelos cofres municipais. Foram quatro shows por este valor: um de Gusttavo Lima (em Araripina) e três de Wesley Safadão (em Araripina, Arcoverde e Surubim). Não houve outros shows por valores superiores a R$ 1 milhão.

O município de Caruaru, principal polo junino de Pernambuco, contratou 17 shows por valores a partir de meio milhão de reais. A apresentação mais cara foi a do projeto À Vontade, que reúne Raí Saia Rodada, Luan Estilizado e Zezo Potiguar (por R$ 990 mil). A lista segue com Nattan (R$900 mil), DJ Alok (R$850 mil), Natanzinho Lima (R$ 850 mil), Xand Avião, Belo, Sorriso Maroto e Bell Marques (R$ 800 mil cada), Pablo (R$765 mil), Matheus e Kauan (R$ 700 mil), Léo Santana (R$ 650 mil), Zé Vaqueiro e Henry Freitas (R$ 600 mil cada), Joelma (R$ 550 mil) e Mari Fernandez (R$ 520 mil).

Na outra ponta da lista, quadrilhas e bandas de pífano receberam cachês de R$ 5,5 mil, os mais baixos do São João deste ano na cidade. A cidade gastou R$ 22,7 milhões em cachês para os festejos juninos deste ano, uma redução de 11% em relação aos R$ 25,5 milhões de 2025 e ainda de 22,3% em relação aos R$29,3 milhões do São João de 2024.

A segunda maior festa do estado costuma ser em Petrolina, cujos dados de cachês ainda não foram totalmente divulgados na plataforma. Mas pode-se dizer que a gestão não economizou. A festa deste ano teve shows de Wesley Safadão, Gusttavo Lima, Xand Avião, Calcinha Preta, Nattan, Natanzinho Lima, João Gomes, Zé Vaqueiro, Henry Freitas, Léo Foguete, Tarcísio do Acordeon, Jonas Esticado, Limão com Mel, Dorgival Dantas, Felipe Amorim, Joelma, Luan Santana, Simone Mendes, Henrique e Juliano, Matheus e Kauan, Mari Fernandez, Leonardo, Bruno e Marrone, Ivete Sangalo, Léo Santana, Thiaguinho, Menos é Mais, Marisa Monte e outros.

Em Arcoverde, outra grande festa do estado, três shows superaram o meio milhão: Xand Avião (R$ 800 mil), Zé Vaqueiro (R$ 600 mil), além do já mencionado Wesley Safadão (R$ 1,5 milhão). Destaques ainda para os cachês de Iguinho e Lulinha (R$450 mil); Flávio José e Banda Magníficos (R$ 350 mil cada), Alceu Valença (R$ 330 mil), que realizou na cidade o seu único show de São João em solo pernambucano; Vitor Fernandes e Eric Land (R$ 300 mil cada).

As apresentações de menor custo foram as da banda de rock Fetus (R$ 1,2 mil), da banda de pífano Nossa Senhora da Conceição (R$ 1,4 mil), do rapper Spice Bone (R$ 1,5 mil) e do artista de brega funk Mc Oh Brabo (R$ 1,5 mil). Com investimento de R$ 7,5 milhões em cachês, o município reduziu seus gastos em 25% comparado aos 10 milhões de 2025.

O cantor Gusttavo Lima recebeu o cachê mais caro do São João em Pernambuco em 2026: R$ 1,5 milhão por show
O cantor Gusttavo Lima recebeu o cachê mais caro do São João em Pernambuco em 2026: R$ 1,5 milhão por show | Crédito: Prefeitura de Caruaru

Em Surubim, seis shows superaram a marca de meio milhão de reais. Além de Wesley Safadão (R$ 1,5 milhão), foram contratados Leonardo (R$ 900 mil), Pablo (R$765 mil), João Gomes (R$ 750 mil), Calcinha Preta (R$ 646 mil) e Tarcísio do Acordeon (R$ 500 mil). Rey Vaqueiro (R$ 450 mil) e Priscila Senna (R$ 350 mil) são outros nomes contratados com cachês superiores aos R$ 300 mil. No total, o município gastou R$ 7 milhões em cachês no São João deste ano, uma redução de 28% em relação aos R$ 9,8 milhões de 2025.

Em Araripina, os cachês da festa deste ano somaram R$ 5,9 milhões, redução de 33% em relação aos R$ 8,8 milhões de 2025. Além dos citados shows de Wesley Safadão e Gusttavo Lima (R$ 1,5 milhão cada), a prefeitura contratou Natanzinho Lima (R$ 850 mil), Pablo (R$ 765 mil) e Léo Foguete (R$ 450 mil). Três quadrilhas juninas receberam cachês de R$ 4 mil por suas apresentações, os valores mais baixos pagos este ano.

Já no Recife, os cachês mais baixos foram de alguns DJs, que receberam R$ 1.680 por dia de apresentação. Os valores mais caros pagos pela prefeitura foram nos shows de Santanna (R$ 360 mil); Elba Ramalho (R$ 230 mil); Jorge de Altinho (R$ 220 mil); Geraldo Azevedo (R$ 180 mil); Forró do Muído (R$ 160 mil); Conde e Banda Só Brega (R$ 120 mil); Capim com Mel, Nando Cordel, Patusco e Luiz Fidelis receberam R$ 100 mil cada. A capital pernambucana investiu R$ 12,9 milhões em cachês no São João deste ano, um aumento de 4,9% em relação aos R$ 12,3 milhões de 2025.

Existem shows cujos cachês são pagos pelo Governo de Pernambuco (que não forneceu os dados à plataforma do MPPE) e outros pagos diretamente por patrocinadores, de modo que o recurso não sai diretamente dos cofres municipais.

O trabalho de acompanhamento e fiscalização dos cachês é realizado desde 2024 pelo Centro de Apoio Operacional em Defesa do Patrimônio Público do MPPE, mas a plataforma só é viável com o apoio e compromisso dos gestores municipais e estaduais com a transparência, já que o repasse de informações neste prazo é voluntário. A obrigatoriedade dos municípios é repassar as informações ao Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) até o fim do ano. A plataforma conta com apoios do TCE-PE, do Ministério Público de Contas (MPC) e da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe).

“Com o Painel dos Festejos Juninos, os gastos com esses eventos são informados previamente à população e servem também de parâmetro para os próprios gestores municipais que estão fechando a grade de programação”, afirma Hodir Melo, coordenador do CAO Patromônio Público do MPPE. O Procurador-Geral de Justiça, José Paulo Xavier, completa. “Garantir transparência ao uso de recursos públicos é possibilitar controle social. E ao permitir comparações ajudamos a dar eficiência no fomento à cultura e ao turismo”.

Em Pernambuco, a Amupe sugeriu o teto de R$350 mil para cachês neste São João, mas contratos acima do teto não geram consequências para as prefeituras. O MPPE orientou seus Promotores de Justiça a ficarem atentos a contratos superiores a R$ 600 mil ou que, comparados ao ano anterior, subiram mais que a inflação.

Editado por: Rostand Tiago

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