Autoridades iranianas estão em Doha para conversas indiretas com mediadores do Catar, um dia depois de os negociadores estadunidenses Steve Witkoff e Jared Kushner se reunirem com o primeiro-ministro do Catar.
Fontes informaram à emissora catari Al Jazeera que as negociações em nível técnico entre o Irã e os EUA já começaram em Doha. No entanto, não estão previstos encontros presenciais entre altos funcionários de ambos os lados, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari.
Segundo fontes, existem pelo menos três grupos de trabalho em Doha tratando das discussões técnicas: a questão nuclear, a diplomacia e o financiamento e a devolução de fundos congelados.
Por sua vez, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, observou que o período de 60 dias previsto no memorando de entendimento para se chegar a um acordo final pode ser prorrogado, afirmando que as conversas continuarão até que todas as sanções primárias e secundárias impostas pelos EUA e pelo Conselho de Segurança da ONU sejam removidas.
Ele afirmou que as negociações com os EUA não avançarão até que cinco cláusulas do documento sejam implementadas, incluindo a cessação das hostilidades no Líbano, a garantia das exportações de petróleo iranianas e a liberação de ativos iranianos congelados.
Ghalibaf observou que Teerã, Washington e Beirute concordaram em estabelecer uma “célula de desconflicto” e que Irã e os EUA já nomearam representantes. Espera-se que o Líbano faça o mesmo antes que a célula entre em operação.
O memorando de entendimento também busca preservar a independência libanesa, enquanto o acordo-quadro separado, mediado pelos EUA, entre o Líbano e Israel, busca garantir a segurança de Tel Aviv.
Além disso, também declarou que “o Irã e Omã já chegaram a um acordo sobre todas as questões legais e relacionadas a serviços” na administração dos serviços marítimos no Estreito de Ormuz.
Por sua vez, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse à Fox News que o governo Trump estava em uma “ótima posição”, independentemente do resultado das negociações. Ele também insistiu que o programa nuclear e as forças armadas de Teerã foram “destruídos” e alertou que Trump deixou claro que quaisquer ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz provocariam uma resposta militar dos EUA.
Entretanto, o Wall Street Journal noticiou que Trump, ao ser confrontado recentemente com uma gama completa de opções para reiniciar a guerra contra o Irã, disse a seus assessores que preferia dar uma chance à diplomacia e que estava disposto a estender a trégua de 60 dias, se necessário, para discussões sobre o programa nuclear iraniano.
